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domingo, 14 de abril de 2019

ENCONTROS CINEMATOGRÁFICOS 2019 | IX Edição


A Comuna apresenta os “Encontros Cinematográficos”, que regressam ao Fundão, dias 26, 27 e 28 de Abril. Movidos pelo encontro entre pessoas, filmes, cineastas e cinéfilos de todo o mundo, nesta IX edição destaca-se uma retrospectiva quase integral de Billy Woodberry, um dos grandes realizadores afro-americanos a (re)descobrir e um dos nomes maiores do “L.A. Rebellion”, um movimento de cinema libertário, política e poeticamente empenhado. 

Nas diferentes geografias e nacionalidades de filmes e convidados, é pela poesia e pela liberdade que vamos à “Terra” de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres, à “loucura” de Bob Kaufman em “And when I die, i won´t stay dead” ou de Charles Bukowski num projecto colectivo com filmes de vários realizadores portugueses que filmam com o que têm à mão, ao microcosmos negro de Mieriën Coppens, às utopias sem fins lucrativos de Sílvia das Fadas, Peter Nestler ou Robert Beavers. 

O Fundão, cantinho de fraternidade e de herança cultural múltipla, reúne nestes dias alguns dos mais originais realizadores itinerantes (Hiroatsu Suzuki, Rossana Torres, Mieriën Coppens, Billy Woodberry, Sílvia das Fadas, Peter Nestler), ainda escritores como Manuel da Silva Ramos, Rui Pelejão, H.M.S. Pereira e Rinaldo Censi, e críticos e programadores como Andy Rector, Maria João Madeira, Inês Sapeta Dias, José Oliveira, Stefan Ramstedt, Rita Bernardes e Pedro de Llano. 

A organização é da Associação Luzlinar e do Município do Fundão, com a colaboração da Cinemateca Portuguesa, do Goethe Institute e da revista Walden. 

A entrada é livre para todos os filmes e conversas.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

DAR A VER



“Se a horta do seu quintal não puder ser a sua escola de cinema, o problema está com a sua idéia de cinema e não com o seu quintal”. 

“Os espíritos livres passam pela academia, os servos permanecem nela”.

aforismos de Bruno Andrade

Os “Encontros Cinematográficos” apresentam, dia 14 de Janeiro na Moagem do Fundão, o ciclo “Dar a Ver”, uma mostra de filmes portugueses recentes, alguns primeiras obras, que não tiveram estreia comercial, apesar de muitos terem percorrido vários festivais nacionais e internacionais. O ciclo resulta da constatação de que grande parte do cinema português dos últimos anos tem sido feita completamente à margem, com poucos meios ou meios nenhuns. Estes filmes são algumas das pequenas pedras (pérolas) invisíveis, que também ajudam a construir o grande edifício chamado Cinema. Ao invés de varrer esses filmes para debaixo do tapete como se não existissem, procuramos dar-lhes visibilidade, entendê-los, discuti-los, criando uma memória activa e crítica, quer através da projecção e do encontro, quer através de um jornal com diversos textos inéditos de Hugo Pereira, Daisuke Akasaka, Bruno Andrade, João Palhares, Tiago Costa, Ivana Miloš e Mário Fernandes. Os realizadores convidados – Hugo Pereira, Vanessa Duarte, Hiroatsu Suzuki, Rossana Torres, Daniel Pereira, José Oliveira, João Rodrigues, Sílvia das Fadas e Nelson Fernandes -, não são funcionários da Curta-Metragem, mas cidadãos cinematográficos de corpo inteiro, como os Lumière que nos deram a ver o mundo em pequenos gestos, ou como Méliès, que “rasgou o real” para nos levar pela primeira vez à lua. Força primitiva, esclarecida e plural, de uma aula desfasada da realidade sobre direcção de actores até à animação materialista e abstracta de Paths of Light. Da fábrica de mentiras que é o ensino superior à fábrica de verdades que é a vida, a cartografia real e imaginária de um país: as memórias fabris da Covilhã, a Braga moderna de dia e histórica à noite, o Alentejo que acolheu Hiroatsu e Rossana, a ilha do Faial habitada pela família Dabney, um homem trabalhando no seu quintal na periferia de Odivelas. Saímos da sala de aula como maus alunos que somos, para abrir as lentes ao mundo, para ”dar a ver” as fábricas, os campos, as hortas, as cidades, as fotografias faladas ou animadas, os estilhaços do nosso cosmos. Filmes sem caganças, com a imparável potência das formas e a fragilidade da generosidade. Filmes, como diria Straub, que reclamam o pleno direito à cidadania cinematográfica. 

Mário Fernandes