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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Planos (II)



A arte do enquadramento

"Some Came Running" de Vincente Minnelli

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Os 10 Melhores dos anos 40


Respondendo ao desafio, são estes os meus dez filmes preferidos da década de 40 - 9 produções americanas e uma italiana, bem sei, ainda tenho muitos Bressons, Mizoguchis, Ozus e Renoirs para ver (entre outros) :

"The Magnificent Ambersons" (1942) de Orson Welles
"I Walked with a Zombie" (1943) de Jacques Tourneur
"Yolanda and the Thief" (1945) de Vincente Minnelli
"My Darling Clementine" (1946) de John Ford
"Monsieur Verdoux" (1947) de Charles Chaplin
"La Terra Trema" (1948) de Luchino Visconti
"Red River" (1948) de Howard Hawks
"They Live by Night" (1948) de Nicholas Ray
"Adam`s Rib" (1949) de George Cukor
"Stars in My Crown" (1950) de Jacques Tourneur

e mais alguns:

Hawks:

"To Have and Have Not" (1944)

Hitchcock:

"Shadow of a doubt" (1943)
"Notorious" (1946)
"Rope" (1948)

Ford:

"Fort Apache" (1948)
"Wagon Master" (1950)

Huston:

"The Maltese Falcon" (1941)
"The Asphalt Jungle" (1950)

Minnelli:

"Meet Me in St. Louis" (1944)
"Father of the bride" (1950)

Kurosawa:

"野良犬" - Cão Danado (1949)
"羅生門" - Rashomon (1950)

Rossellini:

"Roma, Città Aperta" (1945)
"Stromboli" (1950)

Tourneur:


Walsh:


Welles:

"The Stranger" (1946)
"Macbeth" (1948)

Dassin:

"Thieves` Highway" (1949)

Kazan:

"Panic in the Streets" (1950)

Lang:

"Scarlet Street" (1945)

Lubitsch:

"Heaven can wait" (1943)

Ophuls:

"Letter from an Unknown woman" (1948)

Ray:

"In a Lonely Place" (1950)

Renoir:

"The Diary of a Chambermaid" (1945)

Reed:

"The third man" (1949)

Robson:

"The Seventh Victim" (1943)

Sica:

"Ladri di biciclette" (1948)

Siodmak:

"The Killers" (1946)

Tati:

"Jour de Fête" (1949)

Ulmer:

"Detour" (1945)

Wilder:

"Sunset Boulevard" (1950)

P.S.: Está-se a fazer um ciclo sobre a década aqui e há, já, uma lista de preferências aqui.

domingo, 3 de janeiro de 2010

"Break the windows!"

* o êxtase filmado por Minnelli, em crescendo. Bovary e a procura por Beleza, por felicidade na Vida e por 5 minutos, isso foi possível... por 5 minutos, as ilusões e os desejos de Ema foram Verdade. Jones, Minnelli e Miklos Rozsa, juntos...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

R.I.P. x 4

Morreu Brittany Murphy, aos 32 anos e antes de conseguir "construir" uma carreira: ficam, talvez, "Sin City" e "8 Mile" (mas duvido):

Brittany Murphy (1977-2009)

Morreu Jennifer Jones, a eterna Pearl Chavez de "Duel in the Sun" de King Vidor. Pode ser que seja esse o seu melhor papel, mas o meu preferido é o de Madame Bovary em "Madame Bovary" de Vincente Minnelli, aquele ódio e aquela raiva acumulada, aquele grito de revolta por felicidade, por satisfação, por liberdade... E a cena do baile continua espectacular, tão espectacular como há 61 anos:

Jennifer Jones (1919-2009)

Morreu Dan O`Bannon, colega de escola de John Carpenter. Juntos fizeram um filme de um amadorismo encantador, uma odisseia radical e inverosímil que dá pelo nome "Dark Star", e que serviu de base a um filme "profissional" em 1979, mas em nada superior ("Alien" de Ridley Scott). Participou, também, na escrita do argumento deste último e de "Total Recall" de Paul Verhoeven.

Dan O`Bannon (1946-2009)

Por fim, morreu Robin Wood, aos 78 anos. Crítico de profissão, escreveu livros sobre Alfred Hitchcock, Howard Hawks e Arthur Penn, além de ter escrito artigos para várias revistas, como a "Cahiers du Cinema" (artigo sobre Psycho, em 1960), a "Film Comment" e a "CineAction". Em 2008, a Criterion convidou-o a escolher um Top 10:

1. "Sansho The Bailiff" (Mizoguchi); 2. "Playtime" (Tati); 3. Complete "Mr. Arkadin" (Welles); 4. "Seven Samurai" (Kurosawa); 5. "Pickup on South Street" (Fuller); 6. "The Lady Eve" (Sturges); 7. "Tokyo Monogatari" (Ozu); 8. "I Know where I`m Going" (Powell/Pressburger); 9. "Band à Part" (Godard); 10. "Notorious" (Hitchcock);

Robin Wood (1931-2009)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"Зеркало" - 1975



Visto já depois de conhecer o "estilo" do russo e de ter visto "Stalker" (um dos melhores filmes de sempre), o "Nostalghia", o "Offret" e o "Tempo di Viaggio", ver o "Espelho" foi, ainda assim, assombroso e uma viagem surpreendente, fascinante. E não há história, ou melhor, há pequenos pontos narrativos: uma família dividida, uma guerra, sonhos e deambulações; mas o Cinema não tem que ser narrativo nem tem que ser só prosa. "O Espelho" é poesia, é música. É uma viagem pessoal, sem ser, por isso, racional ou cerebral, mas antes um desabafo sentimental e artístico - uma obra de arte - vindo, claro e sempre, do coração.

E os planos são fabulosos, seja cada um em particular, seja a sua articulação, seja o todo. Esculpir o tempo, "cortar" no plano em sequência e usando o som e a luz (como Antonioni e Minnelli - este último menos, é certo), ir ao cerne de TUDO, filmando aqueles momentos reflexivos, sejam passeios ou olhares fixos. Os pássaros, as árvores, o vento, o passado, a família, a guerra, o pai, a mãe, Tarkovsky e o "Espelho".

Agora tenho de ver o Solaris, o Andrei Rubliov e a "Infância de Ivan" e, claro, ler o "Sculping Time". O poema que se segue é de Arseni Tarkovsky, pai de Andrei, e foi parte da influência de "O Espelho", assim como outros que ele escreveu.

"And suddenly all changed, like in a trance,
even trivial things, so often used and tried,
when standing beetween us, guarding us,
was water, solid, stratified.
it carried us i don`t know where.
retreating before us, like some mirage,
were cities, miraculously fair.
under our feet the mint grass spread,
the birds were following our tread,
the fishes came to a river bend,
and to our eyes the skin was open.

behind us our fate was groping,
like an insane man with a razor in his hand."


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 8 (Final)



Há que dizer que, entre "posts" da enorme "Viagem Pelo Musical", vi "Show Boat" de James Whale e "It`s Always Fair Weather" de Kelly e Donen (e como Kelly é tão importante para Donen), duas obras-primas do Musical. Além daquele que é, para mim, o melhor Musical de sempre - "Yolanda and the Thief". Eis então, as 15 obras-primas do Musical e as 10 que, sendo do Musical, também o são do Cinema:

As 15:

Gold Diggers of 1933 (1933) de Mervyn LeRoy
Show Boat (1936) de James Whale
Cover Girl (1944) de Charles Vidor
Anchors Aweigh (1945) de George Sidney
The Pirate (1948) de Vincente Minnelli
On The Town (1949) de Stanley Donen e Gene Kelly
Carmen Jones (1954) de Otto Preminger
A Star is Born (1954) de George Cukor
Guys and Dolls (1955) de Joseph L. Mankiewicz
Artists and Models (1955) de Frank Tashlin
Une Femme est une femme (1961) de Jean Luc Godard
Les Parapluies de Cherbourg (1964) de Jacques Demy
New York, New York (1977) de Martin Scorsese
All That Jazz (1979) de Bob Fosse
One From The Heart (1982) de Francis Coppola

As 10:

The Wizard of Oz (1939) de Victor Fleming
Meet Me in St. Louis (1944) de Vincente Minnelli
Yolanda and the Thief (1945) de Vincente Minnelli
Singin` in The Rain (1952) de Donen e Kelly
Gentlemen Prefer Blondes (1953) de Howard Hawks
The Band Wagon (1953) de Vincente Minnelli
Brigadoon (1953) de Vincente Minnelli
It`s Always Fair Weather (1955) de Donen e Kelly
Bells Are Ringing (1960) de Vincente Minnelli
Les Demoiselles de Rochefort (1967) de Jacques Demy

FINALE

Uma Viagem Pelo Musical - 7




O Musical, na década de 80, atravessava a maior crise de sempre. E daí em diante, nunca mais foi o mesmo: durante os quase 30 anos que este "post" aborda, os Musicais "andavam" entre o medíocre e o meramente interessante - da nulidade da obra de Alan Parker (sejam musicais ou não, se bem que não tenhaa visto "Evita") ao mais que péssimo "Mamma Mia", passando pelas interessantes (re)visões que são "Chicago" e "Moulin Rouge" (mas a anos luz de "New York, New York", por exemplo). Para grande infelicidade minha, não vi os últimos Musicais de Jacques Demy, nem a única incursão de Jacques Rivette pelo Musical: "Haut Bas Fragile", de 1995.


Se bem que o legado do Musical se fizesse sentir em muitos filmes fora do género (bons e maus) - da obra de Fernando Lopes à de Moretti, passando pelos videoclips e as filiações que alguns artistas pretendiam marcar com stars dos "fifties": "Material Girl" de Madonna (Monroe e "Gentleman Prefer Blondes") e "Smooth Criminal" de Michael Jackson (Astaire e "The Band Wagon"). 
No panorama de mediocridade e mero interesse destes anos, 4 obras se destacaram. Grandes Musicais? Não, se bem que para um me restem ainda dúvidas, por ter sido feito por um génio.
1. "School Daze" de Spike Lee, de 1988. É o segundo filme de um realizador que, acredite-se ou não, está bastante ligado ao Musical - "She`s Gotta Have It" (o primeiro de Lee) tinha já um número musical e "Malcolm X", na sua imensa confluência de géneros, tinha alguns, também. "School Daze" é o anti-Fame (estreou agora o remake) e o anti-Grease, o anti-praxe. É o anti-simplicidade (seja das emoções ou da sociedade), mas não é, infelizmente, mais que isso. Não é o pior filme de Lee, mas está abaixo dos grandes momentos do talentosíssimo cineasta de Nova Iorque ("She`s Gotta Have It", "Do The Right Thing", "Jungle Fever", "Malcolm X" e "The 25th Hour").


2. "Everyone Says I Love You" de Woody Allen, de 1996. O título referencia uma canção dos irmãos Marx e o filme é, todo ele, uma homenagem ao Género sem, ainda assim, deixar de ser eminentemente "alleniano".


3. "Dancer In The Dark" de Lars Von Trier, de 2000. Chama-se assim para referenciar o número "Dancing in the Dark" (com Astaire e Charise), em "The Band Wagon". Ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e encerrou o Milénio em onda de tristeza e fatalismo.

* e no que toca a Trier já estou como diz Jacques Rivette, o gajo sabe que tem talento, mas vive (e há de viver sempre) à sombra de Dreyer. O que não quer dizer que não tenha feito pelo menos uma obra-prima, Dogville.


4. "Pas Sur La Bouche" de Alain Resnais, de 2003. Resnais é um génio, e é por isso que me custa não gostar deste filme como gostei (adorei!) de "Hiroshima Mon Amour" ou "Providence". Adapta um livreto dos anos 20 e é moderníssimo. Filme de público sem deixar de ser de autor (a distinção não faz aqui sentido), e na melhor tradição do Cinema de Lubitsch - Resnais passou, até, um filme do alemão durante as rodagens. Comédia de costumes, divertimento ou momento de lazer de um dos maiores cineastas de sempre? Genial? Agora não consigo responder, mas sei que é melhor que os outros três filmes deste sétimo "post".


Fim da 7ª Parte

terça-feira, 15 de setembro de 2009

"I Walked With A Zombie" - 1943


















Tive oportunidade de rever os dois primeiros filmes da trilogia temática de Tourneur (realizador) e Val Lewton (produtor) no ecrã gigante (cortesia do Cineclube de Joane) e arranjei maneira de ver "The Leopard Man", o último tomo. Se o primeiro fundou as regras do cinema de terror, o último não lhe fica atrás em mistério, "innuendo" e magia. São ambos, portanto, grandes filmes, mas é o segundo a obra-prima (e parece-me dizer pouco).

Voltando a "Cat People": é um engenhoso filme de terror, onde o mote é sugerir, insinuar em vez de mostrar, e influenciou filmes vindouros como "Jaws" de Spielberg ou o "Alien" do scott. A própria parceria Lewton/Tourneur tinha sido, também, retratada no Cinema com "The Bad and The Beautiful" de Vincente Minnelli, em 1952 (Kirk Douglas seria Lewton - Minnelli dizia que era Welles, também - e Barry Sullivan, Tourneur).

E recentemente, tem sido difícil saber a quem atribuir a autoria dos filmes da trilogia (quanto é de Tourneur e quanto é de Val Lewton?), até porque quando se separaram, Lewton e Tourneur continuaram a fazer grandes filmes, e exemplos disso são o seminal "The Seventh Victim", do primeiro (produzido por Lewton e realizado por Mark Robson - montador dos três filmes de Tourneur), e "Stars In My Crown" (obra nuclear do Cinema Americano), do segundo. É possível, contudo, formular teorias:

"Cat People" é mais de Lewton do que de Tourneur, tanto, aliás, que ele (Lewton), em 43 e em 44 produziu a prequela do filme (que, por acaso, acho superior) e a sequela, respectivamente (o já referido "The Seventh Victim" e "The Curse of the Cat People" de Robert Wise), era um mundo seu. "The Leopard Man" é dos dois e, finalmente, "I Walked With a Zombie" é, sobretudo, de Tourneur:

I walked with a zombie.
It does seem an odd thing to say.   
Had anyone said that to me a year ago, 
I'm not at all sure I would 
have known what a Zombie was. 
I  might have had some notion -- 
that they were strange and frightening,       
and perhaps a little funny.  
But I  have walked with a Zombie...

Terror poético, apelando a todos os sentidos. Viagem deambulatória com o zombie (assim o diz o título) pelo desconhecido, por cearas e acampamentos. É, assim, um passeio pelo metafísico e uma reflexão metafísica, ainda, por abarcar em si, e num espaço fechado e inacessível (o ecrã e não só), o significado de TUDO ("Rio Bravo"; "Ne Touchez Pas La Hache"; "The Searchers"; ...), da Família (como instituição) à Morte, passando pelo voodoo...

"Jane Eyre das Índias orientais", ode rítmica e musical ao vivo e ao não-vivo e um dos (pelo menos) 20, 30 melhores filmes de sempre (está na Lista dos 50, lá por baixo das postagens). Arrebatador, avassalador...


"O filme de terror, de verdadeiro terror, mostra que inconscientemente todos vivemos no medo, Muitas pessoas ainda hoje sofrem de um medo sobre o qual não reflectem e que é constante. Quando o público está no escuro e reconhece a sua própria insegurança na das personagens do filme, é possível mostrar situações incríveis e ter a certeza de que o público as seguirá."
Jacques Tourneur


E foi um francês (depois americano) que, antes de Dreyer (no prodigioso "Ordet"), e por duas vezes (aqui e em "Stars In My Crown"), fez o "milagre" acontecer, através de outro milagre - o da mise en scéne. A fé no sobrenatural e em Deus confundem-se com a fé no Cinema. A encenação do Milagre, O milagre da Encenação.

Argumento de "I Walked With a Zombie"
"The Leopard Man" por Chris Fujiwara