quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
The Dust Blows Forward and the Dust Blows Back..
There's ole Gray with 'er dove-winged hat / Threre's ole Green with her sewing machine / Where's the bobbin at? / Tote'n old grain in uh printed sack / The dust blows forward 'n dust blows back / And the wind blows black thru the sky / And the smokestack blows up in suns eye / What am I gonna die? / Uh white flake riverboat just flew by / Bubbles popped big 'n uh lipstick Kleenex hung on uh pointed forked twig / Reminds of the bobby girls / Never was my hobby girls / Hand full uh worms and uh pole fishin' / Cork bobbin' like uh hot red bulb 'n uh blue jay squeaks / His beak open an inch above uh creek / Gone fishin' for a week / Well I put down my bush 'n I took of my pants 'n felt free / The breeze blowin' up me 'n up the canyon / Far as I could see / It's night now and the moon looks like uh dandelion / It's black now 'n the blackbird's feedin' on rice'n his red wings look diamonds 'n lice / I can hear the mice toes scamperin' / Gophers rumblin' in pile crater rock hole / One red bean stuck in the bottom of uh tin bowl / Hot coffee from uh krimpt up can / Me 'n my girl named Bimbo Limbo Spam..
Don Van Vliet (1941-2010)
Porra, que anda tudo a morrer, caralho..
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Blake
Tenho que o escrever.. porque esta doeu um bocado..
The Party é dos filmes que mais adoro. É, a seguir ao Rio Bravo e ao Playtime, mas por razões diferentes, o filme que mais prazer me dá rever. Por Sellers, por concentrar a comédia num episódio, no quotidiano, por dividir e multiplicar a simplicidade, o objecto, por se recusar a dizer que é simples pertencer a um "espaço", seja ele qual for, ou que é simples festejar. Por me inspirar, mesmo, a muitos níveis. Por Edwards.
Adoro The Party, também, porque o plano geral, tão próprio à comédia, aqui associado à compressão do espaço e do tempo, ao retrato distanciado e constante de situações (e a coisa não me parece inocente), produz algo de extraordinário: a sensação de presença. Poucas vezes em comédia, como em The Party, se pôde "estar tão lá" como se está, se pôde observar tanto como se observa, sem ser observado. Sem ser apanhando. O Cinema inventou a invisibilidade, tornou possível ver sem ser visto.
Brincar com Hollywood. A primeira cena de The Party descodifica géneros. Começa como um filme histórico de guerra, do qual começamos a duvidar quando a câmara mostra tempo demais o homem da corneta, mais ainda, quando é atingido e volta a tocar, totalmente, quando passa a fazê-lo incessantemente. De um filme de guerra, para um filme de guerra pouco verosímil, para uma comédia. Assim, ficamos sentidos com a morte do homem, depois rimo-nos dos erros e daquela insistência irrealista em não morrer até, por fim, percebemos tudo, pela presença da câmara, de um realizador e de um produtor.
A festa, essa, é na casa de um produtor de Hollywood, e a hipocrisia da Indústria é posta ao descoberto, ali. Edwards teve problemas com essas hipocrisias, deve ter assistido a muitas festas dessas em que os convidados eram escolhidos a dedo, para fechar negócios, e convocou um convidado surpresa para expôr tudo ao absoluto ridículo, com elefantes, papagaios, máquinas e espuma.
A comédia de Lewis, como a de Edwards em Shot in the Dark e The Party, assenta na exteriorização extrema dos sentimentos, da personalidade, do indivíduo, enquanto "os outros" usam as máscaras que lhes convêm, impessoalmente, rotineiramente. Rimo-nos e empatizamos com os heróis destes filmes, porque eles, no fácil processo de serem eles próprios, desmascaram a impessoalidade que é própria a certos eventos. A certas situações. À artificialidade e ao decoro. E ao vermos isto, abala-se nos a consciência um bocado, porque percebemos que queremos ser os Lewis e os Sellers desses filmes, mas somos "os outros". É possível existir sem chegar a ser. Porque é difícil "ser eu" no Mundo, é difícil vencer um mundo que se alimenta de primeiras impressões e aparências. É muito difícil. Somos todos excepções mas alimentamos a regra, o uniforme e o standard.
Obrigado, Blake.. Se sou mais "eu", hoje, é porque me ajudaste. Somos todos excepções, contradições, mundos. Viver é fodido, como me fizeste entender. Estás bem melhor, já nada tens a perder. Nós temos. Tudo...
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
A Hollywood de outrora..

Going My Way (1944), de Leo McCarey
De 1939 a 1945, e durante a segunda Guerra Mundial, Hollywood ganhou consciência social, apercebeu-se do seu poder, se assim se quiser dizer (o film noir nasceu dos escombros da guerra e é o equivalente americano do neo-realismo). Dito isto, e sabendo que posso estar a generalizar, qual é a consciência (social, moral, estética) que tem agora?
A diferença de qualidade entre estas duas Hollywoods não se explica de tom leve, obviamente, mas existe. Não se explica também pela distância da primeira em relação à segunda, argumentando que o tempo e a História farão jus ao cinema contemporâneo americano, ou dizendo que filmes como Young Mr. Lincoln, To Have and Have Not, Meet Me in St. Louis, I Walked With a Zombie são clássicos, sob o véu do preto e branco ou do technicolor. O do Tourneur é mais pós-pós-moderno que qualquer coisa que saia dos fornos da fábrica dos sonhos, ou fora dela, hoje em dia; cúmulo da arte da realização e da montagem, do ritmo - insuperável. Porque há um fosso entre este Tourneur, entre Ford, Hawks, Capra, Minnelli, Welles, Wyler e McCarey (falando de cineastas americanos activos nestes seis anos), e um Scorsese, um Spielberg, um Cameron, um Nolan (pelo menos os dos últimos anos) - a generalidade do actual cinema industrial americano.
O fosso terá muitas explicações, mas antes de me dedicar a esse exercício, quero fazer-me explicar, dizer em que consiste o fosso. O cinema industrial americano já não move consciências, já não é espiritual, já não se dedica a grandes temas, já nem personagens tem. Se se tenta consciencializar, fá-lo rotinamente, ok lá temos nós que fazer mais um filme sobre o Iraque (haverá filme mais forçado e mais banal que o Brothers do Jim Sheridan?), mas sobretudo fá-lo sem conseguir apelar o público. Nos anos 40, venceram os Óscares quatro filmes sobre a segunda guerra Mundial (Mrs Miniver, Casablanca, Going My Way, The Best Days of Our Lives), filmes que retratavam a sociedade contemporânea a essa guerra (Gentleman's Agreement, The Lost Weekend) e filmes que, de uma forma ou outra, aludiam a essa guerra (How Green Was My Valley, All the King's Men). Esta década, premiou um musical (dois se contarmos o Slumdog Millionaire), um filme de fantasia, um western, um biopic, um peplum e um filme de gangsters e teve que pôr a concurso, em 2009, um filme independente de 2008, para premiar algo sobre a Guerra do Iraque. Premiou, em 2005, outro filme independente que funciona como ressaca do 11 de Setembro (mas que, diga-se, exagera no drama e na lágrima), e não teve a coragem de premiar (ou sequer nomear) The 25th Hour, a obra-prima de Spike Lee e ENORME filme americano (2002 foi um ano extraordinário). As derrotas e os erros militares são bem mais difíceis de digerir que as "vitórias", como nos mostrou a década de 70 e a ressaca do Vietname, e a Academia (a Indústria também) andou alienada do conflito até premiar The Deer Hunter, em 1979 (e destruir Cimino no ano seguinte). Esta cena uniu público e Indústria, "tocou" o povo, moveu consciências - ainda não houve coisa semelhante, mesmo que transposta, para os dias de hoje.
O fosso não é tecnológico, se bem que a tecnologia ande a contribuir para afastar o Cinema das suas ambições espirituais, o encontrar um lugar no mundo, origens, poesia e montagem. O fosso pode passar pela riqueza artística, a variedade de génios e talentos europeus que existiam, e não existem agora, em Hollywood, coisa única, coisa especial, Lang, Wilder, Kazan, Preminger, Ulmer. No entanto, a consciencia de que falo vinha sobretudo de cineastas americanos (Wilder, Lang e Kazan igualavam-nos, mas não os chamemos para aqui). O fosso passa pela preguiça imaginativa que a liberdade artística trouxe - assim mesmo - as metáforas imaginativas de Hawks e Minnelli foram substituídas pela literalidade sem ideias de Scott e Marshall (o do Chicago). Não há montagem nesses filmes. Os planos sucedem-se, sim, mas não há nada a ligá-los (e não me perguntem porquê, é uma coisa que sinto, a ver o circo de banalidades formais que é o American Gangster, por exemplo), nada a não ser a segurança, o jogar pelo seguro, as dezenas de milhões são melhores que qualquer montagem.
Mas que não se diga mal do dinheiro, que também é fugir à questão. Em 1944 estreou Going My Way, de Leo McCarey (um dos grandes realizadores americanos ignorados pela teoria do autor) que ganharia os Óscares no ano seguinte e enriqueceria o seu realizador desmedidamente. É um filme de estúdio, é um filme de Indústria, mas uniu combatentes e famílias, soldados e mulheres, filhos e mães duma maneira que não é hoje possível. O filme não é perfeito mas é sincero, há uma verdade emocional naquilo. Há algum risco também, era um projecto pessoal do realizador, semi-biográfico, as personagens ganham vida algures nos meandros e segredos da realização. Algures. McCarey e Minnelli fizeram nesse ano filmes sobre a gente que ficava, filmes comerciais, de milhões de dólares, de milhões de espectadores, e a guerra, a saudade, o terror, sentiam-se nas lágrimas de Margaret O'Brien, a tristeza de um momento em Meet Me In St. Louis (que, por essa sequência, é um dos mais importantes filmes americanos - um dos mais belos grandes planos do Cinema, o de alguém apaixonado, Minnelli por Garland), e em toda a personagem de Barry Fitzgerald em Going My Way. Nostalgia, de Ford a Tarkovski, passando por Minnelli e McCarey. Falta encanto, falta magia, falta assombramento.
Digo que não são hoje possíveis cenas assim, porque o Cinema americano deixou de ser popular. Faz dinheiro mas não é popular, não com a ternura e o afecto que o era, entenda-se, não é do povo. Nós também não nos tornamos mais ternos e afectuosos. É tudo muito triste.
Meet Me In St. Louis (1944), de Vincente Minnelli
O Cinema americano morreu, viva o cinema americano.
Too ra loo ra loo ral, too ra loo ra li
Too ra loo ra loo ral, hush, now don't you cry
Too ra loo ra loo ral, too ra loo ra li
Too ra loo ra loo ral, that's an irish lullaby
domingo, 12 de dezembro de 2010
É preciso deitar abaixo os "autores"
Dancer in the Dark (2000), de lars von trier
(orçamento de 13 milhões de dólares)
Total Lifetime Grosses
| Domestic: | $4,184,036 | 10.5% |
| + Foreign: | $35,847,843 | 89.5% |
| = Worldwide: | $40,031,879 | |
(orçamento de 8 milhões de dólares)
Total Lifetime Grosses
| Domestic: | $3,647,381 | 22.5% |
| + Foreign: | $12,550,443 | 77.5% |
| = Worldwide: | $16,197,824 | |
*Para que não haja confusões, o Dogville e o Funny Games são por cá muito prezados..
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Planos (XXVI)
A Comédia de Deus, de João César Monteiro
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Petição (IV)
Antes de mais, felicito a RTP2 pelo concurso de curtas que anda a promover. Mas tenho que falar/escrever sobre a última sessão dupla.
Dia 4 de Dezembro houve Sessão Dupla? Em termos práticos talvez, mas em termos do que se entende por programação, divulgação, etc, viu-se a mesma atitude de alienação dos programadores / divulgadores em relação aos filmes que programam.
Sessão dupla dedicada a Fritz Lang, Beyond a Reasonable Doubt e While the City Sleeps. A relação parece ser o realizador e Dana Andrews, parceria que motiva a programação do dia de Sábado, o que até é interessante, porque na filmografia do alemão se podem encontrar muitas destas parcerias com muito de singular e estratégico. A beleza e pureza de Sylvia Sidney na trilogia judicial, a fragilidade inocente de Edward G. Robinson em The Woman in the Window e Scarlett Street, as nuances do par Grahame/Ford em The Big Heat e Human Desire, e o enigma, a quase obsessão por Joan Bennet, também.
Mas, alto, abrimos a página de Beyond a Reasonable Doubt e deparámo-nos com isto:
GÉNERO:
Filmes
FICHA TÉCNICA:
Duração: 106M Tit. Original: «BEYOND A REASONABLE DOUBT» Origem: EUA - 2009 Com: Jesse Metcalfe /Amber Tamblyn / Michael Douglas / Joel Moore
O que se passou? Qual foi o filme que foi exibido, o de Lang ou o do Hyams? Se se passassem os dois filmes de Lang, a coisa fazia sentido, se fossem os dois Beyond a Reasonable Doubt, também, mas como nos é apresentada a Sessão Dupla no site, a coisa não faz sentido algum!
É boa programação, é boa divulgação, é boa política?
Well, I do beg to differ..

Glenn Ford, em The Big Heat
domingo, 5 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
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