sábado, 10 de setembro de 2011

L'Aldilà

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O cume da arte fulciana

Após as produções de Pavor na Cidade dos Zumbis, The Black Cat e Luca, o Contrabandista, os três feitos em decorrência e logo a seguir do sucesso de Zumbi 2, Fulci é convidado por De Angelis para integrar o time que irá compor a Fulvia Film, uma produtora dedicada apenas a filmes de gênero e de baixo orçamento. Para selar a parceria, Fulci dirige aquele que ainda hoje é considerado pelos seus fãs - e após o relançamento promovido por Quentin Tarantino e Sage Stallone, filho de Sylvester, por alguns críticos também - como sendo sua obra máxima, Terror nas Trevas (The Beyond/L'Aldilà). Na história de Liza, a ex-modelo herdeira de um pequeno hotel em New Orleans que descobre estar morando numa das sete portas do inferno (e esta é apenas a primeira das semelhanças que Terror nas Trevas guarda com Pavor na Cidade dos Zumbis), o que mais interessa Fulci é a criação de atmosferas, a exploração de ambientes macabros, filmar névoas que cobrem horizontes e horizontes que não existem sem névoas (como no primeiro encontro entre Liza e Emily e especialmente na magnífica, inigualável cena final). Se Fulci sempre foi mantido numa posição muito marginal entre os principais diretores de horror da Itália, talvez seja justamente Terror nas Trevas o filme que melhor ilustra o quão magistral seu cinema pode ser, equiparável ao melhor de Argento e Bava. Verdadeiro inventário de todas as idiossincrasias do terror italiano - violência estilizada, sonoplastia exagerada, abandono da narrativa a favor de um domínio completo na construção de climas e utilização marcante do CinemaScope -, Terror nas Trevas se encerra com uma das imagens mais aterradoras de toda a história do cinema: o "além", o "outro lado" do título original toma forma e os protagonistas são envolvidos por ele. Por todos os lados nada além de uma paisagem totalmente desolada, imponentemente absoluta na sua imensidão, circunda o casal formado por Liza (a atriz inglesa Catriona MacColl, favorita de Fulci) e John (o ator neozelandês David Warbeck). Quando percebem que estão cercados, que nada mais existe ao seu redor a não ser um vão que podem chamar apenas de "além", Liza e John correm em direção a esta dimensão desconhecida, e é neste momento de poesia pura, de entrega total ao cinema, que o filme de Fulci se encerra. É o senso de completude e de catarse contidos na última cena de Terror nas Trevas que fazem esta ser uma obra tão única quanto especial na carreira de Fulci; desta vez, ele consegue ir além da imagem.

Bruno Andrade

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Olhar (o) vazio..

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Byron Orlok






Bobby Thompson

Filme do caralho



Wake in Fright (1971), de Ted Kotcheff
ou Bad Day at Black Rock parte 2

Karloff, o mito*



Ladies and gentlemen, boys and girls, I'd like to leave you with a little story to think about as you drive home... through the darkness... Once upon a time, many, many years ago, a rich merchant in Baghdad sent his servant to the marketplace to buy provisions... and after a while the servant came back, white-faced and trembling, and said, 'Master, when I was in the marketplace, I was jostled by a woman in the crowd, and I turned to look, and I saw that it was Death that jostled me. And she looked at me and made a threatening gesture. Oh, master, please, lend me your horse, that I may ride away from this city and escape my fate. I will ride to Samarra and Death will not find me there.' So the merchant loaned him the horse and the servant mounted it, and dug his spurs into its flank, and as fast as the horse could gallop he rode towards Samarra. Then the merchant went to the market-place and he saw Death standing in the crowd and he said to her, 'Why did you make a threatening gesture to my servant when you saw him this morning?' And Death said, 'I made no threatening gesture - that was only a start of surprise. I was astonished to see him here in Baghdad, for I have an appointment with him tonight... in Samarra.'

*em Targets, de Bogdanovich, peça de tensão de uma potência desoladora, o Fuller parece que teve uma mãozinha no guião. É com o mito 'Karloff' que Bogdanovich "brinca", depois do Corman lhe dizer "pega, tens o Karloff durante uns dias e tens que usar imagens do meu último filme. Fá-lo barato!". Brinca a ponto de no fim, Bobby, o sniper, não saber se atinge o mito ou a pessoa, a imagem ou a carne. O resto, é a maneira como duas pessoas lidam com o vazio, aquilo que nos faz perguntar e decidir o que havemos de fazer a seguir. É possível fazer cinema com uns tostões furados. Mas não só cinema, cinema cheio de ideias: O plano final, do drive-in, só o carro do sniper, brilhante; a montagem final, construída como pirâmide, até às chapadas do Karloff, tau; Hawks e Bogdanovich, e outro plano, o zoom in em Karloff sob o signo da Morte (brincar com o mito, outra vez), em Criminal Code e a réplica do aprendiz, Bogdanovich, no plano em que Karloff profere as palavras em cima. Mais podia dizer, mas fico-me por aqui...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

James Woods, actor


Videodrome (1983), de David Cronenberg

Once Upon a Time in America (1984), de Sergio Leone

Salvador (1986), de Oliver Stone


Best Seller (1987), de John Flynn

Casino (1995), de Martin Scorsese

Vampires (1998), de John Carpenter

Aqui

terça-feira, 6 de setembro de 2011



idoso(a) |idózu|. s (Por idadoso, de idade + suf. -oso|. Que tem muita idade. ANOSO, VELHO. JOVEM, NOVO. Pl. idosos.

O dicionário está ERRADO!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

2ª série dos Planos (XXI)


I / II / III / IV / V / VI / VII / VIII / IX / X / XI / XII / XIII / XIV / XV / XVI / XVII / XVIII / XIX / XX

De vez em quando, convido bloggers a escolher um plano e a falar, também, sobre ele. O vigésimo primeiro convidado é o Gabriel Passos, do Sétimo Projetor, que escolheu este plano de Le Monde Vivant, de Eugène Green:













"Em penumbra, banhadas pela fraca e instável luz de uma tocha desafiada pelo vento impetuoso, duas mãos se buscam. Seus movimentos revelam um anseio tornado realidade pela fé na palavra. Esta, como uma ponte entre espírito e corpo, conjuga as partes de um todo que se aperfeiçoa continuamente na harmonia de uma formação coerente consigo mesma, celebrando a libertação e transubstanciação do desejo que nunca foi de outra coisa senão deste momento sagrado. Momento cada vez mais raro no cinema.

A entropia de um reinado da mentira, da desvirtuação da palavra, pronunciada por corpos estraçalhados e espíritos embotados está assente na inconsciência e sono profundo com que o cinema de Green não pactua e toma as vezes de atalaia, dando a ver e alertando seus semelhantes que em dado momento de decadência nem todos dançam na lama. Diante da frontalidade de seus personagens, olhares penetrantes, pronuncia clara e caminhos retos, qualquer cínico que, não obstante a confusão, tenha vislumbrado a mínima faísca de consciência, só conquistada a duras penas, há de se envergonhar. A contemplação duma encenação tão justa e ordenada, transparente e objetiva, deixa às claras os cacos da cultura de nossos tempos.

Seus heróis são cavaleiros que percorrem seus trajetos guiados pela intuição atinada pelos germes do devir que guardam e acalentam dentro de si, libertando donzelas e crianças e decepando ogros. Estes vilões simiescos que devotam suas forças a estancar o tempo ao passado nebuloso ao qual pertencem, se alimentando do sangue do futuro e aprisionando a beleza que sublima, não são comprometidos com suas palavras, sendo estas só mais um elemento desconexo de um ser sem nenhum princípio de coesão. Deformados em total arbitrariedade, tais monstros se assemelham aos filões do cinema contemporâneo. A antípoda, portanto, a ser combatida pela arte de Green, este sopro de ar fresco — da palavra, do corpo, do espírito." (Gabriel Passos)

O próximo convidado é o Projeccionista.

domingo, 4 de setembro de 2011




Sobre o que é tudo isto, afinal


Film, baby, powerful tool for love or laughter, fantastic weapon to create violence or ward it off, is in your hands. The only possible chance you've got in our round thing is not to bitch about injustice or break windows, but to make a concerted effort to have a loud voice. The loudest voice known to man is on thousand-foot reels. Campus chants about war are not going to help two peasants in a rice paddy on Tuesday. However, something might be said on emulsion that will stop a soldier from firing into nine children somewhere, sometime. Now; next year; five years from now. Try emulsion instead of rocks for race relations and ecology. That, and love and laughter, has to be what it's all about. Then you'll survive. Maybe we'll all survive. Maybe.

via Signo do Dragão

Where do you start? There’s no Monopoly board. No “Start, Do Not Pass Go.” I think you start out by just being there, and being curious and having the drive to make films.

More important: make film, shoot film, run film

Do something.

Make film. Shoot anything.

It does not have to be sound.

It does not have to be titled.

It does not have to be color.

There is no have to. Just do.

And show it to somebody. If it is an audience of one, do and show, then try it again.

That is how.

It sounds simple.

It’s not. Then again, it is.


Jerry Lewis, em The Total Filmmaker

sábado, 3 de setembro de 2011