quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afinal há um novo Verhoeven antes do "novo Verhoeven"*


"When we heard that Paul Verhoeven was working on a mysterious film project that consisted of an 8-part script, composed of contributions from audience participants—accompanied with an alternate, "user-generated", version—we knew we were in for something different. So arrives the trailer for the stripped down Tricked, a film from an auteur who has thus far built his oeuvre with well known actors and sleek production value. For now the official website isn't available in English, so Wikipedia is your best bet for exposition on this so-called "Entertainment Experience"."



via MUBI

*que é como dizer: há Tricked antes de De stille Kracht

quarta-feira, 13 de junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

STREET SCENE - 1931



There's a bluebird in my heart that wants to get out

Charles Bukowski, em Bluebird

"Sail Forth! Steer for the deep waters only.
Reckless, O soul, exploring, I with thee, and thou with me;
For we are bound where mariner has not yet dared go.
And we will risk the ship, ourselves, and all.”

Walt Whitman, in Passage to India - excerto recitado no filme por William Collier Jr.

Do tempo em que os filmes tinham pouco mais de uma hora mas nos diziam tudo. Hoje tentam-nos todos "dizer tudo", não falta realizador que o tente fazer. A diferença, para mim, é que não há em Vidor uma opinião sobre os acontecimentos, a trama parece resolver-se por si e há espaço para as coisas existirem sem segundas intenções. Posso citar as três montagens urbanas que servem de prelúdio, interlúdio e poslúdio à acção em si, que dizem que "as coisas hão-de continuar", que o mundo não pára. Ou seja, a aleatoriedade disto e nisto tudo. Podia ser qualquer outra coisa, podia ser noutro sítio, mas é isto e é aqui. Numa rua de Nova Iorque onde se desbarata e coscuvilha a torto e direito.


"A trama parece resolver-se por si" mas precisa sempre de alguém para a trabalhar. Como? Sabendo de cor o texto. O filme é uma adaptação de uma peça, a estrutura estava delineada, já, mas não saiu um trabalho académico sobre o texto. Porquê? A primeira prova de que Vidor compreende tudo o que está em causa (e que é um dos picos da sua inteligência emocional neste filme) é o regresso do miúdo a casa (antes disto e a espaços, os vizinhos diziam barbaridades sobre a mãe dele estar a ter um caso): a chorar, acabou de andar à porrada, chega e diz aos pais que ninguém lhe pode dizer aquilo, ninguém lhe pode dizer aquilo; Plano amorce, miúdo de costas, pai à esquerda e mãe à direita do plano. "O que é que ele te disse?", pergunta o pai e depois silêncio, o miúdo olha para cima, para a mãe, corta para ela, que baixa a cabeça, e depois para o pai, que percebe tudo. Triangulação soberba e em silêncio disse-se tudo. O plano na mãe é também o plano mais apertado destes primeiros vinte minutos, que quer dizer o quê, exactamente? Há controlo sobre as hierarquias e dos enquadramentos. Eles também contam estórias. Controlo sobre a cadência de tudo isso.


O encontro nocturno entre Rose (Sylvia Sidney) e Sam (William Collier Jr.) é o segundo pico da inteligência emocional de Vidor (o terceiro já aí vem). Aquela conversa nas escadas do prédio. Ele só pensa nela. Vai tudo para dentro dormir e estão lá eles, um para o outro, a falar. Da prisão que é aquele mundo, da felicidade que afinal é tão simples, só é é preciso arriscar um bocadinho. Não dizem tudo porque são interrompidos, primeiro pelo vizinho que está à espera do médico e depois pelo pai de Rose (o mesmo pai de há bocado), que a quer em casa. E levantam-se. Ele pede-lhe um beijo de boas noites e ela dá-lho. E caia eu aqui sem sentidos se não é o beijo mais terno da história do cinema. "You wait and see. You're gonna do big things, someday, i got lots of confidence in you". Jura de amor de seres tão frágeis, seres humanos que só vêem beleza à frente dos olhos. E que são esmagados pelo turbilhão que é a cidade de Nova Iorque...


Terceiro pico: (Até aqui já se anunciou várias vezes que ia haver desgraça, das más línguas às cordialidades mordazes entre vizinhos) Vai tudo ao trabalho. O pai disse no dia anterior que ia numa viagem de negócios. Entra uma violinista no prédio. Steve, o amigo da mãe, circunda as redondezas e esta chama-o da janela porque quer falar com ele. Entra e Sam sai, ao mesmo tempo. Ouve-se um violino a ser afinado. Sam vê a mãe de Rose a fechar a perciana e vai-se sentar, pensativo, nas escadas. O violino começa a tocar, acompanhado ao piano, um prelúdio de Chopin, que se mistura com as rotinas diurnas do bairro. "Olás" e carros, "entrares" e "saires", falatório e vendas de rua. A música pára e há um grande plano de Sam, horrorizado, quando vê o pai a voltar ao prédio. O mundo desaba e esta pequena divagação musical era a calmia absoluta que antecede qualquer desgraça. E esta foi criada apenas por maus olhados e desconfianças. Porque não se chega a saber se a mulher andava a trair o marido ou não. 


Outro apontamento, não sei se foi a cópia que eu vi, mas até faz sentido porque o sonoro estava a começar nesta altura (o filme é de 31), mas o som do filme por ser especialmente rudimentar, tem um efeito demolidor. Quando o miúdo (o irmão de Rose) vem de patins pelo passeio logo no princípio do filme e atravessa a rua, forma-se logo uma sensação de grande instabilidade e desconforto. Uma brusquidão que parece dizer que qualquer coisa de terrível pode acontecer a qualquer momento. Os patins no chão, as buzinas, as obras e já muito no fim, os tiros em off. Coisas que doem, mesmo.


A coisa não acaba bem, é um pré-código, mas é justo o final que diz que "o tempo dirá". "Loving and belonging aren't the same thing": O último sacrifício de Rose, a rapariga que se fez mulher pelas circunstâncias, depois de ter perdido tudo...


E fica tanto por dizer...
Está aqui, inteiro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012


Killer Joe está no 2º pote das estreias mais esperadas de 2012, neste espaço. No primeiro: Low Life (Gray), The Master (Anderson), O Gebo e a Sombra (Oliveira), Holly Motors (Carax), Like Someone in Love (Kiarostami) e Vous n'avez encore rien vu (Resnais). Também no segundo: O Cavalo de Turim (Tarr), Outrage (Kitano), Expendables 2 (West) e To Rome With Love (Allen). No terceiro: Piranha 3DD. Pretende-se, além de esperar tudo isto, ignorar com muito afinco os novos filmes de Michael Haneke, Christopher Nolan e Walter Salles. Talvez se vá ver o Cosmopolis esta semana. E cruza-se os dedos para que isto seja verdade.

"Chama-lhe Sorcerer e já está"



















Uma cena que vale por uma obra inteira. Um camião a atravessar o rio. Só isso. Mas só isso, não, que "isso" são para aí sete minutos de chuva a cair, madeira a ranger, camião a balançar, cordas a ceder, rio a rebentar e grão a resvalar por todo o lado. Daquelas travessias que dizem que a natureza de perto não é flôr que se cheire, que diz-se muito o contrário hoje em dia, mas é no conforto do lar. Aqui é tudo sujo e imundo. Sangue, suor, lágrimas e dinamite. Lama, pedras, troncos e correntes. E a partir dos 40 ou 50 minutos - que a coisa demora muito a arrancar - tudo pode detonar a qualquer momento. E somos brindados com a lembrança de que os Tangerine Dream já foram uma banda, um dia. A cereja no topo do bolo.

Provavelmente não é verdade (não é, mesmo) mas se calhar também não é importante. Eu quero acreditar que é verdade. Foi-se para Israel e inventou-se uma nota de intenções rebuscada para a produção pensar que se sabia o que se estava a fazer e no fundo só se queria era filmar dois camiões a desbravar mato. E desse princípio, fugiu-se às matrizes e buscas da época; porque não, não era mais um filme da "trupe" dos movie brats. Era outra coisa, uma vontade mais pessoal, mais genuína, de não fazer um quadro paternalista de "forças do destino" e de verdades baratas sobre a condição humana. Arriscar tudo sem esperar nada em troca. Vagabundear pelo terceiro mundo com uma câmara às costas. "um filme para eles, um filme para mim. E este é para mim. Chama-lhe Sorcerer e já está".

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Rosa de Areia no KG!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012