quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Aritmética social

Sit down. Didn't you hear me? I said sit down. Now you listen, what I have to tell you isn't hard to explain, you should have learned it at school. School we all went to, only I learned something in that school everyone didn't, though, I guess. Something you've heard all your life and laughed yourselves sick at. You've heard it from long-winded reformers, you've read it in hot-air editorials, it's the oldest chestnut in the language. Is that, well... crime doesn't pay... I don't mean because you get caught by the law and punished, because sometimes you're not and I don't mean because it kills something decent inside of you, 'cause a lot of you wouldn't care about that. No, what I mean is it doesn't add up in dollars and cents, you can't make any real money stealing.

Yeah? We'd made thirty grand out of this if you hadn't butted in...

You can cut that down to 15% of thirty grand, that's all the fence would have given you. And not a cent more!

Shifty was gonna give us 25%.

Shifty would have given you 15% and that's all. I used to know bigger people than you who did business with him and that's all he ever gave them. Maybe I can show you better:

Let me prove it to you black-and-white. You figured the haul at 30.000. Okay. Haul... 30.000... 15%. That's what the fence would have given you. 15% of 30.000 is... 4500, I'll put that over here.

Now, the pay-off over here. The getaway car, how much?

One grand.

Okay. Getaway car... one thousand. You sell it for half that, say 500 here. You could have stolen it but the brain in back of the job didn't want a hot car on his hands...

Sure, we always stole it before.
Yeah, imagine, buying a getaway car!

The trucks to haul away the hot stuff. You can't hire trucks for less than 200 a piece for the chances they take. How many?

How many? I don't know. Joe handled it.
Joe?
Yeah, Joe.

Okay, I guess you'd need two...

Huhum..

Three, then. You were tipped off to bribe the watchmen, Mr. Morris had a little talk with them. He told them the only way to save their jobs was by going through with it, like nothing had happened. Three watchmen at 100 a piece makes 300 dollars.


The two stockroom men you bribed in the fur and silver departments squawked.

Why, the... And me trusting him like a mother.

They wouldn't risk their good jobs for $50 a piece. That makes another 100.

The getaway tickets, we'll up them together. One, two, three, four, eight of you.

Joe wasn't going.

Eight of you. At $40 a piece, I suppose. Let's call it $300. I'll throw in the tools, the money for the doctor and your guns and all the other little expenses, I won't even count them.

Oh, wait, there's the mouthpiece. Can't get a lawyer for less than a grand, they always charge that. Now let's see...

...$2800. 28 from 45 is... $1700. And now for the boss. You think you're gypped by Mr. Morris, that your wages aren't high enough for the hours you spend working for him. So you make up your mind you won't work for this boss anymore. But there's always a boss on any job, you simply traded Mr. Morris for another boss.

But this one doesn't pay you in advance and get his profit afterwards. This one takes his profit first. And you get what's left to divvy up among you. His cut is a third, right?

Yeah!
Yeah...
Yeah, that's right.

Okay. A third of 1700 is five, six, six, six, six. $566,66, that's the boss's share. Subtracted from 1700 is four, three, three, three, one, one.

$1133,34 to be split between eight of you.

Ten. there's two more guys with the boss.

Okay, that makes it easier for me. $113, 33 for each of you. And for $113,33 you throw away your jobs, lose your homes, be hunted by coppers and sooner or later be sent to prison. Some of you are two-time losers, if you're send up again you're in for keeps. Only the biggest sap in the world thinks crime pays any dividends.

But sister, you ain't trying to tell us that the bigshots don't make any more than that.

The bigshots aren't little crooks like you. They're politicians.

Mas nos entretantos...

A 'obscenidade' em Hollywood (VII)* - recortes

I / II / III / IV / V / VI



"(...) Se houvesse um homem que ousasse dizer tudo quanto pensa deste mundo, não restaria um palmo quadrado de terra onde ficar. Quando um homem aparece, o mundo cai sobre ele e quebra-lhe a espinha. Restam sempre em pé pilares apodrecidos demais, humanidade supurada demais para que o homem possa florescer. A superestrutura é uma mentira e o alicerce é um medo enorme e trêmulo. Se com intervalos de séculos aparece um homem de olhar desesperado e faminto, um homem que vira o mundo de cabeça para baixo a fim de criar uma nova raça, o amor que ele traz ao mundo é transformado em fel e ele torna-se um flagelo. Se de vez em quando encontramos páginas que explodem, páginas que ferem e queimam, lágrimas e pragas, sabemos que elas provêm de um homem com as costas na parede, um homem cuja única defesa restante são as suas palavras, e as suas palavras são sempre mais fortes do que o peso mentiroso e esmagador do mundo, mais fortes que todos os ecúleos e rodas que os covardes inventam para esmagar o milagre da personalidade. Se algum homem ousasse traduzir tudo quanto há no seu coração, expressar o que é realmente a sua experiência, o que é realmente a sua verdade, penso que o mundo se despedaçaria, que se reduziria a pedacinhos e nenhum deus, nenhum acidente, nenhuma vontade poderia jamais reunir novamente os pedaços, os átomos, os elementos indestrutíveis que entraram na formação do mundo. 

Nos últimos quatrocentos anos desde que apareceu a última alma devoradora, desde que existiu o último homem a conhecer o significado do êxtase, tem-se verificado um declínio cconstante e firme do homem na arte, no pensamento e na acção. O mundo está gasto: não resta um peido seco. Aquele que tem um olhar desesperado e faminto poderá sentir a mínima consideração pelos governos, leis, códigos, princípios, ideais, ideias, tótemes e tabus existentes? Se alguém soubesse o que significou ler o enigma daquilo a que hoje se chama uma 'racha' ou um 'buraco', se alguém tivesse experimentado o mínimo sentimento de mistério acerca dos fenómenos que são rotulados de 'obscenos', este mundo teria estoirado. É o horror obsceno, o aspecto seco e fodido das coisas que faz com que esta louca civilização pareça uma cratera. (...)" (Henry Miller, in Trópico de Cancer)

* Já me tinha esquecido desta série de posts, que começou depois de ver o Showgirls. Lembrei-me dela depois de ter lido este post do Ricardo Lisboa. Tenho uma data de séries pendentes, etc, etc. Prometo acabar esta, pelo menos. Seguem-se Alfred Hitchcock, Billy Wilder, Blake Edwards e Verhoeven, no fim, só para dar a ideia que ainda não perdi o fio à meada.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Virginia Mayo, Virginia Mayo...







Colorado Territory (1949), de Raoul Walsh

domingo, 15 de julho de 2012

The REAL Blues


Ladies and gentlemen, most people record songs about love, heartbreak, loneliness, being broke. Nobody actually went out and recorded a song about REAL PAIN. The band and I have just returned from the general hospital where we caught a man in the right position. We named the song "Constipation Blues"

quarta-feira, 11 de julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

LES VACANCES DE MONSIEUR HULOT (1953)



Verão. Férias. E parece não haver outro filme que consiga abarcar o que um Verão pode ser a não ser este. Que pode ser ou não ser uma comédia. Se fosse só pelo resumo ou pela sinopse de Les Vacances de Mr. Hulot, julgar-nos-íamos num drama existencial, em que um homem vem do nada e ruma ao nada. Se soubéssemos o que é isso do "nada". Às vezes parece só uma coisa que serve para atirarmos culpas uns aos outros. "Não fazes nada", "não se passa nada", etc, etc. Se calhar uma semana numa estância balnear é o melhor que uma pessoa consegue engendrar para se isolar dos acontecimentos de que se diz "valerem a pena", deste solstício. Alives, Super Boques, Vilas dos Condes, Milhõeses, FESTes, etc, etc. Nada contra, nada contra, quer-se é só "não fazer nada" um bocadinho. Porque se já houve alturas em que a expressão e a prática do ócio faziam por cá alguma confusão, verdade é que já não fazem. A inutilidade aprecia-se como um bom vinho e num tempo tão preenchido como o nosso, mais se deve praticar e apreciar. E se o plano divino foi só uma questão de nos pôr cá a ocupar espaço? Não me parece mau, de todo, não, que isto de haver só árvores e montanhas num raio de quilómetros e quilómetros não devia agradar ao criador. Andamos todos a brincar às profissões e às responsabilidades, se calhar.

O Sr. Hulot está-se completamente a cagar para isso tudo. Para os estratagemas sociais que parecem existir num mundo à parte do real. Bem, não se estará a cagar completamente, porque simplesmente ignora ou não acredita que a profissão e os trabalhos façam o homem. Ou a mulher. Vem só no seu chaço apreciar os pequenos nadas que aquela semana em Saint-Nazaire lhe vai oferecer. (Não falo para já dos gags geniais que aparecem ao longo do filme). E os nadas têm todos um peso e respiram como se tivessem forma. Um cão a dormir no meio da estrada, o caramelo a cair do gancho do carrinho dos gelados, as crianças a serem crianças (a tarefa hercúlea de levar um gelado, por escadas e portas, ao irmão). As coisas que nos esquecemos de contar quando contamos uma história. Queremos tanto que (nos) aconteça alguma coisa que nos esquecemos do que acontece e não vemos nada, somos só pessoas ocupadas demais, vividas demais, chatas demais... Ah! se não falássemos tanto, conseguíamos apreciar o silêncio. Como neste filme. É como se aqueles planos do Ford das cadeiras e dos alpendres durassem 90 minutos... Faça-se nada só um bocadinho...

É se calhar por este avanço ideológico em relação aos restantes mortais que o Sr. Hulot está sempre à frente da imagem e sempre à frente do olhar. As pessoas fiam-se na primeira impressão que aquele carro velho e carcumido dá e ele faz de tudo e passa despercebido. Antes que todos percebam o que se passou, está ele na clarabóia do quarto a admirar a obra, como um puto. Pegadas e partidas que um raccord não apanha. O cinema foi inventado para se estar além do plano.

E porque não é só o Playtime que é um filme novo de cada nova vez, que dizer daquelas corridas de Hulot em segundo plano espalhadas pelo filme? Ou da sequência dos quadros? De cada gag que foi usado e reciclado mil vezes depois deste filme. De um filme em que pouco se diz, e o que se diz muito rápido se esquece, talvez não se deva dizer muito (mas que não é só visual, mas de sons também). Admirar, só, e passar os dias a tentar pagar a alegria de volta com uma cerveja na mão.

A porta que range na ida e na volta, no restaurante. O empregado que tenta decifrar tudo e arregaça uma manga para pôr a outra no aquário. Se basta uma corda a esticar para um gag funcionar, o que é feito da comédia? Trocas de identidade, pneus fúnebres, modernidade retrógada. E se Hulot é, mais que um palhaço, um exemplo?

- "Então o que tens feito?"
Qua aconteceu a responder a isto com um "nada" e um sorriso na cara?

E a última ironia. Terrível: pode-se levar a coisa de tom leve e chamar-lhe comédia. Mas e a estória de amor que é alimentada ao longo do filme e frustrada naquele falso final feliz? Hulot faz-lhe os dias a ela, a jovem que foge ao reboliço das responsabilidades, mas no fim nem uma despedida e o reboliço leva-a também; só Hulot no meio das crianças, na areia, o único reduto possível para ele, com os únicos que o compreendem, talvez. Como diz Mr. John em The River, de Jean Renoir: "I drink to the children. We should celebrate that a child died a child, that one escaped. We lock them in our schools, we teach them our stupid tabboos, we catch them in our wars and they can't resist. They have no armor and so we kill them. We massacre the innocents and the world is for children, the real world. They climb trees and roll in the grass. They're close to the ants, as free as the birds. They're like animals, they're not ashamed. They know what is important: a mouse is born or a leaf is dropped in the pound. If the world could be made of children..."

domingo, 8 de julho de 2012

Fulci, Fulci, Fulci...









 Quella villa accanto al cimitero (1981)