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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"I Was a Male War Bride" - 1949







"Do you wanna go to Bad with me?"

Howard Hawks foi um génio, já aqui o disse e hei de continuar a dizer. É um dos meus cineastas preferidos e não houve nenhum filme dele que não gostasse - até um filme como Red Line 7000 tem, para mim, coisas brilhantes.
Em 49, Hawks fez outra obra-prima. Chama-se "I Was a Male War Bride" e, como podem imaginar, foi feito numa altura em que não se podia falar em sexo. Ora, no filme não se fala em mais nada senão em sexo. Por meias palavras, por sinais, por metáforas, é verdade. Mas é esse o tema, esse e o sempre actual tema Homem vs. Mulher (tema caro, também, a George Cukor e Frank Capra). Hawks cita, aliás, Capra como grande influência, particularmente com "It Happened One Night". Não querendo parecer esquisito, a verdade é que sempre preferi Hawks a Capra, e acho que este "I Was a Male Bride" tem mais carga sexual do que as comédias "screwball" de Frank Capra todas juntas (ainda assim, acho "Mr. Smith Goes to Washington" um filme extraordinário).
Em "War Bride", os papéis estão trocados e não se sabe, mesmo, quem é a "noiva de guerra": se Grant, se Sheridan, e é essa ambiguidade sexual que tanto encanto dá ao filme. Mas como se isso não bastasse, é uma crítica desenfreada ao establishment e à burocracia do exército norte-americano ("I am an alien spouse of female military personnel en route to the United States under public law 271 of the Congress."). Sem mais delongas, deixo a palavra a Bénard da Costa:

" (...) Entre o homem que nunca sabe qual é o seu estatuto nem qual é o seu lugar (pense-se na fabulosa sequência, digna de desenhos animados, em que a moto se põe em marcha sozinha, arrastando Grant semi-adormecido e contornando todos os obstáculos até se enfiar no monte de palha) e a mulher cujo estatuto lhe não permite sequer o contacto com as roupas do seu sexo nem com o corpo do sexo oposto (reacções físicas às aproximações de Grant) esta assombrosa comédia não fala de outra coisa senão do desacerto total e a todos os níveis de qualquer possibilidade de comunicação: desacerto entre o homem e a mulher, desacerto entre o homem feito mulher e a mulher feita homem. E, sob a aparente desenvoltura, o que fica é uma das mais formidáveis charges à sociedade americana (eficiência, puritanismo, matriarcado) em que o visto contradiz incessantemente o dito. O exemplo mais brilhante é a primeira noite dos protagonistas na estalagem. Quem vir - como nós vimos - sabe que não se passa nada. Mas quem fechar os olhos e se limitar a ouvir a banda sonora (pasmosos e elípticos diálogos e silêncios) jamais acreditará - como a criada não acreditou - que a noite tenha sido casta. A solo é um dos mais ousados diálogos de Hollywood. Experimentem, caso já conheçam o filme, ouvir mais do que ver.
A situação repete-se no dia seguinte, na cave, quando a Tenente quer experimentar como são os famosos beijos dos franceses. "A french kiss" é uma expressão internacional com conotação bem precisa. Poucas dúvidas haverá que é isso o que Ann Sheridan quer experimentar ("all we`ve done together, all we`ve not done together") e o que vai insinuando com aqueles "people say... people talk...". E se volta a ser melhor quando há colaboração (leit-motiv constante da obra de Hawks) é prodigiosa a elipse final (que oculta o beijo francês ou o beijo do francês) e determina o casamento.
Muito haveria a dizer sobre o prodigioso gag da mão de Cary Grant, essa mão que ele não consegue baixar. Mas o clou é a consumação final sob a imagem da Estátua da Liberdade, de que já se disse ser a mais amarga imagem da obra de Hawks sobre o seu próprio país e a civilização que simboliza. Ao menos a essa Estátua, ninguém lhe desce o facho, nem ninguém a impede de o erguer triunfalmente."

Hawks é o cineasta preferido de Carpenter e de Rivette. Hoje é o meu, também....

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 8 (Final)



Há que dizer que, entre "posts" da enorme "Viagem Pelo Musical", vi "Show Boat" de James Whale e "It`s Always Fair Weather" de Kelly e Donen (e como Kelly é tão importante para Donen), duas obras-primas do Musical. Além daquele que é, para mim, o melhor Musical de sempre - "Yolanda and the Thief". Eis então, as 15 obras-primas do Musical e as 10 que, sendo do Musical, também o são do Cinema:

As 15:

Gold Diggers of 1933 (1933) de Mervyn LeRoy
Show Boat (1936) de James Whale
Cover Girl (1944) de Charles Vidor
Anchors Aweigh (1945) de George Sidney
The Pirate (1948) de Vincente Minnelli
On The Town (1949) de Stanley Donen e Gene Kelly
Carmen Jones (1954) de Otto Preminger
A Star is Born (1954) de George Cukor
Guys and Dolls (1955) de Joseph L. Mankiewicz
Artists and Models (1955) de Frank Tashlin
Une Femme est une femme (1961) de Jean Luc Godard
Les Parapluies de Cherbourg (1964) de Jacques Demy
New York, New York (1977) de Martin Scorsese
All That Jazz (1979) de Bob Fosse
One From The Heart (1982) de Francis Coppola

As 10:

The Wizard of Oz (1939) de Victor Fleming
Meet Me in St. Louis (1944) de Vincente Minnelli
Yolanda and the Thief (1945) de Vincente Minnelli
Singin` in The Rain (1952) de Donen e Kelly
Gentlemen Prefer Blondes (1953) de Howard Hawks
The Band Wagon (1953) de Vincente Minnelli
Brigadoon (1953) de Vincente Minnelli
It`s Always Fair Weather (1955) de Donen e Kelly
Bells Are Ringing (1960) de Vincente Minnelli
Les Demoiselles de Rochefort (1967) de Jacques Demy

FINALE

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 6



Nos anos 60, deixámos Hollywood para ver as prodigiosas propostas francesas no que ao Musical dizem respeito. Regressando à América nos anos 70, a coisa está diferente, muito diferente. O declínio dos estúdios americanos que começou no final dos anos 40 e acabou no princípio dos anos 60, mudou por completo o sistema de trabalho em Hollywood. Começou por "cortes" na distribuição, para permitir a estreia de filmes estrangeiros, passou pela completa banalidade dos argumentos duma forma geral, e claro, nos anos 50 e 60, o CINEMA passou a ter a televisão como adversário - a televisão ganhou.

E é curioso constatar que os três próximos Musicais são , de uma maneira ou outra, uma ode ao sistema de estúdios e à época de ouro do Musical (da escolha de filmar em estúdios, ao ecrã 4/3 do cinema clássico, passando pelo amor pela coreografia), sem por isso deixarem de ser eminentemente modernos (e cada um o é à sua maneira). Nostálgicos e utópicos.

1977. Martin Scorsese faz o seu primeiro e único Musical. Tendo Liza Minnelli como vedeta, Scorsese marca já uma filiação com o Musical da Golden Age (Vincente Minnelli, Judy Garland são pais de Liza), e Robert de Niro acrescenta um realismo demolidor ao filme. E é precisamente esta dualidade que interessa a Scorsese:
"I was trying to deal with what I knew to be the underlying emotional truth (...) I was experiencing in the theatres as a child from the screen into the reality I knew in the foreground of the picture, which was a style that I felt more confortable with, that was coming right out of Elia Kazan working with actors, and John Cassavetes (...) I wanted to put the two styles together: the artifice and the truth."
Martin Scorsese

E "New York, New York" é isso mesmo, uma tentativa de conjugar duas ideologias de trabalho e de concepção fílmica, à partida, incompatíveis, mas que faz ,para o filme, todo o sentido. O artificialismo dos décors vs. a vericidade das emoções, a artificialidade da técnica (iluminação, som) vs. o uso da improvisação. Minnelli vs. Kazan.
Uma carta de amor ao Cinema de Vincente Minnelli, principalmente, mas também (e através do filme dentro do filme - "Happy Endings") a todo o cinema Musical ("Singin In The Rain", "A Star is Born"), quanto mais não seja, por ser praticamente todo filmado em estúdio.
O filme acabou por marcar a vida profissional de Scorsese. O facto de não ter um "happy ending" e outras coisas, fizeram com que o filme fosse um fracasso. Deixou Scorsese profundamente deprimido (artística e emocionalmente), antes do regresso, 3 anos depois, com a sua OBRA-PRIMA, "Raging Bull".
Mas o Musical na Nova Hollywood está sempre associado à desgraça (seja fora ou dentro dos filmes).


Em 1979, há um novo Musical. "All That Jazz" de Bob Fosse. Venceu a Palma de Ouro em Cannes, e é o melhor filme do seu realizador (obra-prima? - talvez). É também o melhor dos Musicais da Nova Hollywood (se bem que Fosse não faça parte da "trupe"). Filme testamento, reflexo do mundo do Espectáculo, auto-retrato. A vida e a morte de Fosse em filme.

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1982 é o ano de "One From The Heart", que por grande lapso, me esqueci de incluir aqui. Visão utópica do Amor e também do Cinema. Filme que marca Coppola como um verdadeiro visionário. Porque o método de trabalho é , quase, o que se pratica hoje em dia. Blue screens e ideologia digital, em 1982. Só que demorou mais de 15 anos a vingar na Indústria e este filme é um verdadeiro "ovni" do Cinema Americano. Fez menos de um milhão de dólares, e custou mais de 20. Coppola passou 7 anos a pagar dívidas com filmes (7 também).
Filmado inteiramente em estúdio (como "Brigadoon"), na sede da Zoetrope, o filme foi feito em ambiente familiar, e teve como consultor (não creditado) Gene Kelly. Coppola como grande experimentalista, e sobretudo, como grande teórico do processo fílmico:
"A minha sensação era que o meu trabalho, iria centrar-se mais numa zona em que pudesse controlar os elementos do drama, para que, em vez de nos sentarmos numa esquina, durante horas à espera que a luz fosse certa, trabalhássemos num novo tipo de Cinema, mais teatral, sendo capazes de controlar todos os elementos do filme."
Francis ford Coppola

Planeado ao pormenor por Coppola, o filme é encenado meticulosamente. É, também, objecto de estudo, inserido na ideologia do Cinema Digital: o plano deixa de ser a unidade mínima do filme, é a cena; e o trabalho de pós-produção não existe, ou melhor, é inserido no da produção: montagem e realização são uma e a mesma coisa.



Little Boy Blue, come blow your horn
The dish ran away with the spoon
Home again, home again Saturday morn
He never gets up before noon

Well, she used to render you legal and tender
When you used to send her your promises, boy
A diller, a dollar, unbutton your collar
And come out and holler out all of your noise


Hinos à ideologia do sistema de estúdios, estes Musicais foram os últimos dos seus realizadores, anunciando a morte lenta do género (sim, porque vai haver mais dois posts), e deixando neles marcas profundas...

Fim da 6ª Parte

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 5



Para encontrar grandes Musicais a partir de 1960 (ano de "Bells are Ringing"), é preciso sair da América, mudar de Continente. Se bem que haja coisas interessantes: por todas as suas falhas (e são muitas), "Marry Poppins" (Robert Stevenson), "My Fair Lady" (Cukor) e Finian`s Rainbow (Coppola) têm algum interesse, mas o penúltimo filme de Vincente Minnelli (mais uma vez Minnelli) e último Musical "On a Clear Day You Can See Forever" de 1970 é para mim mais bem conseguido que qualquer um dos outros. E é o pior filme dele. Sobre Wise e os seus Musicais, já disse tudo aqui.


Europa, França, 1961. Godard e Anna Karina na terceira longa metragem do primeiro, e no primeiro e único Musical de ambos: "Une Femme est une Femme". Jean-Paul Belmondo e Jean-Claude Brialy completam o elenco. Musical? Pois, também passa por aí, mas é antes disso um profundo estudo sobre as relações entre os homens e as mulheres, uma comédia ao estilo de Lubitsch e uma ode à Mulher ou a uma mulher (Karina).
É um sem fim de referências e citações ( Truffaut, o próprio Godard, "Vera Cruz" de Robert Aldrich....), um Musical adulto, uma reinvenção (os mesmos motivos, mas sob uma nova perspectiva) e um Musical realista (ou neo-realista nas palavras do próprio Godard). É também um prodígio da montagem e da encenação. E aquele scope é a todos os níveis magnífico.
A música é de Michel Legrand, também autor da Música dos dois próximos Musicais e um dos maiores nomes do Musical em França. O maior é o realizador desses dois filmes.


Jacques Demy. Rei do Musical em França e merecedor de menção junto aos dois grandes do Musical de Hollywood. Detentor de uma mágica filmografia e interligada (não só em termos temáticos, mas no que aos personagens diz respeito, como a de Tarantino) É o mundo maravilhoso de Jacques Demy, um mundo à parte. O mundo de um verdadeiro autor.

"I'm trying to create a world in my films."
Jacques Demy

1964, "Les Parapluies de Cherbourg". É um filme maravilhoso, melancólico também, o relato de um amor impossível, e se houve muitos no Cinema, não se pode dizer o mesmo para o Musical em particular. Inovação, portanto. Mas ela não acaba aqui: o filme é todo cantado (do princípio ao fim) e a mais normal das actividades torna-se na mais mágica das actividades, o banal torna-se excepcional e o normal, maravilhoso. As cores são saturadas ao limite, contribuindo para toda a atmosfera de sublime, e por falar em sublime: Catherine Deneuve. Nunca ela foi tão bela como quando trabalhou com Demy, o poeta do sonho.
O filme arrecadou a Palme D`Or no Festival De Cannes e é já um brilhante prenúncio da enorme maravilha que se seguirá 3 anos depois na obra de Demy.


1967. Ano da enorme maravilha que dá pelo nome de "Les Demoiselles de Rochefort". Com este filme - uma obra-prima - Demy desenha o mais belo dos Musicais e dos filmes. Se em "Parapluies" a Vida é um Musical (como em todos os musicais), aqui o Musical é a Vida, é a única maneira de viver, de comunicar. É uma demanda espiritual, vem de dentro de todos nós.
Demy tomou de assalto uma cidade (Rochefort), resgatou uma estrela que estava nesta altura em declínio (Gene Kelly) e construiu a mais fabulosa das fantasias, uma obra perfeitamente doutro mundo ("Parapluies" ainda tinha contactos com a realidade) e achava que só Tati era capaz de tal desprendimento da realidade, Minnelli também. Estava enganado.
A sequência de abertura é o pico da coreografia cinematográfica e a mais perfeita introdução a um filme, a passagem para Rochefort, para Demy. Toda a gente tem a sua cara metade, e Rochefort é o centro, o cruzamento de todo o Amor e de toda a Vida.
Catherine Deneuve de novo, aqui junto à sua irmã Françoise Dorléak, Gene Kelly, Michel Piccoli, George Chakiris e Jacques Perrin, todos em perfeita sintonia neste épico dos encontros e dos desencontros. Perfeito.


"Tu es née d'un rêve, d'un trait de couleur,
Un bout d'arc en ciel s'est posé sur mon coeur
Je t'imaginais, tu vivais en moi
Soudain tu parais, je m'approche, je te vois
On s'est retrouvés, on s'est reconnus
Quand toi et moi on ne s'était jamais vus
Comme si le hasard qui guidait nos pas
Me menait vers toi, te conduisait vers moi
Je t'aime, je t'aime, je t'aime depuis toujours
Tu es la seule
Ma seule chanson d'amou"

Fim da 5ª Parte

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Artists and Models" - 1955


Abigail "Abby" Parker: "Have you ever pose with a woman before?
Rick Tard: Well, not while anyone was watching..."
Dean Martin, Jerry Lewis e Shirley Maclaine num filme de Frank Tashlin.
Como filme de e sobre parcerias (amorosas, profissionais), este é também o começo de duas delas: Jerry Lewis e Frank Tashlin fariam mais sete filmes juntos depois deste, e Shirley Maclaine e Dean Martin mais 6 filmes, incluindo aquela obra-prima de Minnelli, do Melodrama e do Cinema, "Some Came Running".
"Artists and Models" é uma espécie de comédia, de Musical, de filme de espionagem. É uma espécie de maravilha, um desfile de personagens excentricamente "cartoonescas" (não tivesse vindo Tashlin do mundo da animação) e uma crítica vincada ao "american way of life" (materialismo, conspirações).
Uma obra-prima da comédia americana (vários de Hawks, de Lewis, "Adam`s Rib" de George Cukor, "The Party" de Blake Edwards.......) e o melhor filme da dupla Martin/Lewis.
Fantasticamente real, realmente fantástico...
E ainda bem que o cinema de Tashlin deixa descendentes. Tanto Tim Burton (mas só o que fez "Beetlejuice", "Mars Attacks" e "Willy Wonka") como Joe Dante (autor esquecido, mas brilhante ainda assim - tanto "Gremlins" como "Small Soldiers" são excelentes filmes) são legítimos sucessores do realizador.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 4



Falei dos primeiros Musicais dos anos 30 e dos dois grandes artesãos (um maior que o outro - Minnelli). Houve mais realizadores que se dedicaram quase exclusivamente ao Musical nos anos 40 e 50 como Charles Walters: "High Society"- remake de "Philadelphia Story" de George Cukor - é o único filme que vi dele e é simplesmente execrável, no entanto filmes como "Lili" e "Easter Parade" são muito bem considerados; Walter Lang: "On the Riviera" vale por Danny Kaye - cómico esquecido - e "The King And I" e "There`s no Business Like Show Business" foram enormes sucessos nos anos 50; Charles Vidor: "Cover Girl" com Gene Kelly e Rita Hayworth é um bom filme; Roy Rowland: não vi nenhum deste último mas "The 5000 Fingers of Doctor T", é tido como um grande filme.

"Lili" - 1953


"Easter Parade" - 1948


"Cover Girl" - 1944


"The 5000 Fingers of Dr.T." - 1953

No final dos anos 50 temos também os Musicais de Elvis Presley, e no início dos 60 os dos Beatles ("A Hard Day`s Night" é muito influente em termos musicais).
Depois temos os realizadores que fizeram poucos Musicais mas que de uma maneira ou de outra deixaram a sua marca: Leo Mccarey, autor de várias obras-primas ("Duck Soup" com os Irmãos Marx, "Love Affair" com Charles Boyer e Irenne Dunne e o seu remake "An Affair to Remember" com Cary Grant e Deborah Kerr) fez "Going My Way" com Bing Crosby; Michael Curtiz ("Casablanca", "Angels With Dirty Faces") fez dez Musicais, mas que não têm grande peso na sua filmografia (245 filmes) - o mais famoso é "Yankee Doodle Dandy" com James Cagney; John Huston e o seu "Moulin Rouge"; Billy Wilder fez "The Emperor Waltz" e apesar de não ser um Musical "Some Like it Hot" tem várias canções; Anthony Mann, grande artesão do "western" ("Bend of The River" e "The Naked Spur" são obras primas do género) fez "The Glenn Miller Story" (que é razoável - é um biopic sobre Glenn Miller) e "Serenade";
E finalmente, os três Grandes (e por isto entenda-se: os realizadores exteriores ao Musical que mais fizeram pelo Musical):


George Cukor com "A Star is Born"


Joseph L. Mankiewicz com "Guys and Dolls"


Howard Hawks com "Gentleman Prefer Blondes"

Com "A Star is Born", Cukor (autor do imenso "Sylvia Scarlett") cria aquele que será porventura o "épico" dos filmes musicais, se é que o termo se aplica. O espectáculo tem que continuar, os bastidores do espectáculo não são tão alegres e divertidos como o espectáculo em si. Duas estrelas: uma em ascensão, e outra em declínio, mas que são ambas a "Star" a que o título se refere. Judy Garland no seu melhor papel e James Mason num dos seus melhores papéis (as interpretações dele em "Lolita" de Stanley Kubrick e "Bigger Than Life" de Nicholas Ray são da mesma envergadura).

Esther sings 'Someone at Last'
James Mason e Judy Garland

Com "Guys and Dolls" (Eles e Elas), interpretado por Marlon Brando Jean Simmons e Frank Sinatra, Joseph Mankiewicz (realizador e argumentista do brilhantemente escrito "All About Eve") oferece um diferente tipo de Musical:
There are two distinct aesthetics for movie musicals, regardless of whether they happen to be Hollywood or Bollywood, from the 1930s or the 1950s, in black and white or in color. According to one aesthetic– exemplified by Al Jolson (as in The Jazz Singer) or the team of Fred Astaire and Ginger Rogers (as in The Gay Divorcee or Top Hat–a musical is a showcase for talented singers and/or dancers showing what they can do with a particular song or a number. According to the second aesthetic, exemplified by Guys and Dolls—-the two leads of which, Marlon Brando and Jean Simmons, aren’t professional singers or dancers–the musical is a form for showing the world in a particular kind of harmony and grace and for depicting what might be called metaphysical states of being. The leads are still expected to sing in tune, of course, but notions of expertise and virtuosity in relation to their musical performances are no longer the same.
São de Jonathan Rosenbaum estas palavras. "Guys and Dolls" é um Musical cujos actores principais não são cantores nem dançarinos profissionais, e é necessário que se note porque tal facto produz uma certa transcendência que passa pelo esforço que os seus personagens têm que perpetuar para atingir os seus objectivos. O esforço dos actores e o dos seus personagens cruza-se portanto, ainda que derivado de razões diferentes. Rosenbaum apelidou-o também de "Musical do Método" ("método" remete para a escola de Lee Strasberg que formou actores como Robert DeNiro, Al Pacino e o próprio Brando). Os planos fixos e a escolha controversa de actores (Brando e Simmons num Musical) causam estranheza mas a ideia é mesmo essa.


Johnny Silver, Frank Sinatra e Stubby Kaye

Mas mais que Cukor e Mankiewicz, por ser também melhor realizador, Howard Hawks marcou profundamente o Musical. O Musical de Cukor é um corajoso épico Musical, o de Mankiewicz é uma subversão. O de Hawks é isso e mais ainda. Temos o primeiro grande papel de Marylin Monroe e não só, é o papel que modela toda a sua persona cinematográfica (Billy Wilder agradeceu ou devia ter agradecido a Hawks). Uma crítica ao materialismo disfarçada de Entretenimento, um filme onde tudo é sexual e tudo para lá vai mas que é só "disfarçadamente" malicioso porque as suas intérpretes e as suas respectivas personagens são "disfarçadamente" adoráveis e porque Hawks sabe, como sempre soube ("Bringing Up Baby") fazer passar o escandaloso por inocência e o malicioso por bondade ou boas intenções.
"Gentleman Prefer Blondes" é como disse João Bénard da Costa (com a ajuda de Hawks) "um conto de fadas" com variações sobre a atracção sexual. É um filme de uma completa irrealidade com uma actriz que nunca foi verdadeiramente real".
Um dos melhores filmes de sempre? Com certeza que sim.

Jane Russel e Marylin Monroe

The French are glad to die for love.
They delight in fighting duels.
But I prefer a man who lives
And gives expensive jewels.

A kiss on the hand
May be quite continental,
But diamonds are a girl's best friend.

A kiss may be grand
But it won't pay the rental
On your humble flat
Or help you at the automat.

Men grow cold
As girls grow old,
And we all lose our charms in the end.

But square-cut or pear-shaped,
These rocks don't loose their shape.
Diamonds are a girl's best friend.

Tiffany's!
Cartier!
Black Starr!
Frost Gorham!
Talk to me Harry Winston.
Tell me all about it!

There may come a time
When a lass needs a lawyer,
But diamonds are a girl's best friend.

There may come a time
When a hard-boiled employer
Thinks you're awful nice,
But get that ice or else no dice.

He's your guy
When stocks are high,
But beware when they start to descend.

It's then that those louses
Go back to their spouses.
Diamonds are a girl's best friend.

I've heard of affairs
That are strictly platonic,
But diamonds are a girl's best friend.

And I think affairs
That you must keep liaisonic
Are better bets
If little pets get big baguettes.

Time rolls on,
And youth is gone,
And you can't straighten up when you bend.

But stiff back
Or stiff knees,
You stand straight at Tiffany's.

Diamonds! Diamonds!
I don't mean rhinestones!
But diamonds are a girl's best friend.

Fim da 4ª Parte