domingo, 25 de outubro de 2009

"O Sangue" - 1989







A noite estava escura
e não tinha luar
Ouvimos lá ao longe
o lobo a uivar
aú, aú, aú, aú, aú
aú, aú, aú, aú, aú

Laughton, Tourneur, Ray, Bresson e Murnau. E no fim, é tudo Costa, hora e meia de enigmas, fábulas e mistérios. Primeira obra, e muito poucos as fizeram assim (Ray, Welles), é também obra-prima, e um dos mais fabulosos filmes (portugueses e não só) já feitos.
É construído à volta do número três: três são Nino, Vicente e seu pai, três são os irmãos e Clara, três são os homens e a mulher do passado do Pai e, finalmente, são três as crianças que nos aparecem em grande plano no início do filme. É com o número três e, particularmente, com o trio Clara/Nino/Vicente que Costa se aproxima de Ray e do trio Jim/Judy/Plato de "Rebel Without a Cause". Mas Costa aproxima-se distanciando-se (ou ao contrário), e se podemos falar de uma família estética do realizador para "o Sangue", a verdade é que ele a mata (no fim, é tudo Costa, é tudo de Costa), tal como Vicente mata o seu pai.

"O Sangue" é um sem fim de perguntas sem resposta: Qual é a maior invenção do Homem (o cinema?), quem são Nino, Vicente e Clara. O que é "O SANGUE"?
É um mistério perpétuo como todos os grandes filmes o são... (e é isto que me apetece dizer agora...)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Arena" + "Taking Woodstock" - 2009





Começa "Arena": 

- "Será que estamos na sala errada?"; "Um filme português?"; "Porque é que estamos a ver isto?" - "Porque sim!, é por isso que estamos a ver isto!!"; risos e insultos vários, e no final um explêndido: "se fosse eu a escrever isto..."

Começa "Taking Woodstock":

Silêncio absoluto para o génio (também absoluto) de Ang Lee....

Mas fora tudo isto, é a diferença entre um pequeno GRANDE Filme e um grande pequeno filme (e como é óbvia essa diferença). Aprendi mais sobre pessoas na curta de Salaviza, que tem cinco, do que no desfile de milhares do filme de Ang Lee, que é pobre em todos os sentidos. 

* e detestei aquela dita homenagem ao Grande GRANDE documentário de Michael Wadleigh (falta de ideias é o que dá), e o filme não descola dos Chavões e dos estereótipos. O "Arena" é brilhante: estudo social, da culpa e da violência num mundo em que nada é simples, o nosso. Tudo em 15 minutos...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 8 (Final)



Há que dizer que, entre "posts" da enorme "Viagem Pelo Musical", vi "Show Boat" de James Whale e "It`s Always Fair Weather" de Kelly e Donen (e como Kelly é tão importante para Donen), duas obras-primas do Musical. Além daquele que é, para mim, o melhor Musical de sempre - "Yolanda and the Thief". Eis então, as 15 obras-primas do Musical e as 10 que, sendo do Musical, também o são do Cinema:

As 15:

Gold Diggers of 1933 (1933) de Mervyn LeRoy
Show Boat (1936) de James Whale
Cover Girl (1944) de Charles Vidor
Anchors Aweigh (1945) de George Sidney
The Pirate (1948) de Vincente Minnelli
On The Town (1949) de Stanley Donen e Gene Kelly
Carmen Jones (1954) de Otto Preminger
A Star is Born (1954) de George Cukor
Guys and Dolls (1955) de Joseph L. Mankiewicz
Artists and Models (1955) de Frank Tashlin
Une Femme est une femme (1961) de Jean Luc Godard
Les Parapluies de Cherbourg (1964) de Jacques Demy
New York, New York (1977) de Martin Scorsese
All That Jazz (1979) de Bob Fosse
One From The Heart (1982) de Francis Coppola

As 10:

The Wizard of Oz (1939) de Victor Fleming
Meet Me in St. Louis (1944) de Vincente Minnelli
Yolanda and the Thief (1945) de Vincente Minnelli
Singin` in The Rain (1952) de Donen e Kelly
Gentlemen Prefer Blondes (1953) de Howard Hawks
The Band Wagon (1953) de Vincente Minnelli
Brigadoon (1953) de Vincente Minnelli
It`s Always Fair Weather (1955) de Donen e Kelly
Bells Are Ringing (1960) de Vincente Minnelli
Les Demoiselles de Rochefort (1967) de Jacques Demy

FINALE

Uma Viagem Pelo Musical - 7




O Musical, na década de 80, atravessava a maior crise de sempre. E daí em diante, nunca mais foi o mesmo: durante os quase 30 anos que este "post" aborda, os Musicais "andavam" entre o medíocre e o meramente interessante - da nulidade da obra de Alan Parker (sejam musicais ou não, se bem que não tenhaa visto "Evita") ao mais que péssimo "Mamma Mia", passando pelas interessantes (re)visões que são "Chicago" e "Moulin Rouge" (mas a anos luz de "New York, New York", por exemplo). Para grande infelicidade minha, não vi os últimos Musicais de Jacques Demy, nem a única incursão de Jacques Rivette pelo Musical: "Haut Bas Fragile", de 1995.


Se bem que o legado do Musical se fizesse sentir em muitos filmes fora do género (bons e maus) - da obra de Fernando Lopes à de Moretti, passando pelos videoclips e as filiações que alguns artistas pretendiam marcar com stars dos "fifties": "Material Girl" de Madonna (Monroe e "Gentleman Prefer Blondes") e "Smooth Criminal" de Michael Jackson (Astaire e "The Band Wagon"). 
No panorama de mediocridade e mero interesse destes anos, 4 obras se destacaram. Grandes Musicais? Não, se bem que para um me restem ainda dúvidas, por ter sido feito por um génio.
1. "School Daze" de Spike Lee, de 1988. É o segundo filme de um realizador que, acredite-se ou não, está bastante ligado ao Musical - "She`s Gotta Have It" (o primeiro de Lee) tinha já um número musical e "Malcolm X", na sua imensa confluência de géneros, tinha alguns, também. "School Daze" é o anti-Fame (estreou agora o remake) e o anti-Grease, o anti-praxe. É o anti-simplicidade (seja das emoções ou da sociedade), mas não é, infelizmente, mais que isso. Não é o pior filme de Lee, mas está abaixo dos grandes momentos do talentosíssimo cineasta de Nova Iorque ("She`s Gotta Have It", "Do The Right Thing", "Jungle Fever", "Malcolm X" e "The 25th Hour").


2. "Everyone Says I Love You" de Woody Allen, de 1996. O título referencia uma canção dos irmãos Marx e o filme é, todo ele, uma homenagem ao Género sem, ainda assim, deixar de ser eminentemente "alleniano".


3. "Dancer In The Dark" de Lars Von Trier, de 2000. Chama-se assim para referenciar o número "Dancing in the Dark" (com Astaire e Charise), em "The Band Wagon". Ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e encerrou o Milénio em onda de tristeza e fatalismo.

* e no que toca a Trier já estou como diz Jacques Rivette, o gajo sabe que tem talento, mas vive (e há de viver sempre) à sombra de Dreyer. O que não quer dizer que não tenha feito pelo menos uma obra-prima, Dogville.


4. "Pas Sur La Bouche" de Alain Resnais, de 2003. Resnais é um génio, e é por isso que me custa não gostar deste filme como gostei (adorei!) de "Hiroshima Mon Amour" ou "Providence". Adapta um livreto dos anos 20 e é moderníssimo. Filme de público sem deixar de ser de autor (a distinção não faz aqui sentido), e na melhor tradição do Cinema de Lubitsch - Resnais passou, até, um filme do alemão durante as rodagens. Comédia de costumes, divertimento ou momento de lazer de um dos maiores cineastas de sempre? Genial? Agora não consigo responder, mas sei que é melhor que os outros três filmes deste sétimo "post".


Fim da 7ª Parte

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

2004, 2004....


Ano de dois prodigiosos argumentos, pelos vistos: "Crash" e "Sideways": e se há coisas que eu goste menos que maus filmes, são filmes pretensiosos, coisas pequenas que se acham capazes de altos voos, filmes ultra-condescendentes... Argumentistas/realizadores, pois... (onde andam os herdeiros de Wilder e de Fuller na América? só há Paul Thomas Anderson?). Têm bons actores? Claro que sim, mas isso não chega, nunca chegou.
Nesse ano saiu "Spider Man 2" de Sam Raimi. É mau, mas gostei mais...

O Scorsese, o Lee (Spike) e o Mann resolveram fazer os seus piores filmes nesse ano: "Collateral", "The Aviator" e "She Hate Me" (não os acho maus, atenção!), o Depp e o Foxx fizeram grandes papéis em péssimos filmes ("Neverland" e "Ray"), o Pitt lutou contra os troianos e o Damon contra todos em Supremacia, o Nichols e o Jeunet brindaram-nos com mais dos seus filmes de autor (o Ed Wood é mais autor que eles juntos), e claro!, veio o filme do "twist" por excelência: "Saw".

Mas nem tudo foi mau, e nos Óscares ganhou (coisa rara) aquele que era, de facto, o melhor dos nomeados: "Million Dollar Baby". Houve "The Terminal" de Steven Spielberg (homenagem a Tati e Lewis, ao mesmo tempo) e "Hotel Rwanda" de Terry George (e preferia que tivesse sido Cheadle a ganhar o Óscar, não Foxx). Adorei "La Demoiselle d`Honneur" de Chabrol, "Before Sunset" de Linklater e gostei do "2046".

Mas, acima de tudo, 2004 é o ano de uma obra nuclear do Cinema Português, "O Quinto Império". O subtítulo é "Ontem Como Hoje" e é o filme onde Paredes, Camões, Pessoa, Régio e Oliveira se encontram, onde o povo português se encontra a si mesmo, através da figura de D. Sebastião... Oliveira, no Presente ("Ontem como HOJE"), pensa, analisa o Passado, com olhos postos no Futuro... Teatro filmado ou Cinema encenado... A confirmação de Oliveira como um verdadeiro cineasta da Palavra (Rivette, Dreyer).
É o melhor filme de 2004, e um dos melhores do seu autor...


terça-feira, 15 de setembro de 2009

"I Walked With A Zombie" - 1943


















Tive oportunidade de rever os dois primeiros filmes da trilogia temática de Tourneur (realizador) e Val Lewton (produtor) no ecrã gigante (cortesia do Cineclube de Joane) e arranjei maneira de ver "The Leopard Man", o último tomo. Se o primeiro fundou as regras do cinema de terror, o último não lhe fica atrás em mistério, "innuendo" e magia. São ambos, portanto, grandes filmes, mas é o segundo a obra-prima (e parece-me dizer pouco).

Voltando a "Cat People": é um engenhoso filme de terror, onde o mote é sugerir, insinuar em vez de mostrar, e influenciou filmes vindouros como "Jaws" de Spielberg ou o "Alien" do scott. A própria parceria Lewton/Tourneur tinha sido, também, retratada no Cinema com "The Bad and The Beautiful" de Vincente Minnelli, em 1952 (Kirk Douglas seria Lewton - Minnelli dizia que era Welles, também - e Barry Sullivan, Tourneur).

E recentemente, tem sido difícil saber a quem atribuir a autoria dos filmes da trilogia (quanto é de Tourneur e quanto é de Val Lewton?), até porque quando se separaram, Lewton e Tourneur continuaram a fazer grandes filmes, e exemplos disso são o seminal "The Seventh Victim", do primeiro (produzido por Lewton e realizado por Mark Robson - montador dos três filmes de Tourneur), e "Stars In My Crown" (obra nuclear do Cinema Americano), do segundo. É possível, contudo, formular teorias:

"Cat People" é mais de Lewton do que de Tourneur, tanto, aliás, que ele (Lewton), em 43 e em 44 produziu a prequela do filme (que, por acaso, acho superior) e a sequela, respectivamente (o já referido "The Seventh Victim" e "The Curse of the Cat People" de Robert Wise), era um mundo seu. "The Leopard Man" é dos dois e, finalmente, "I Walked With a Zombie" é, sobretudo, de Tourneur:

I walked with a zombie.
It does seem an odd thing to say.   
Had anyone said that to me a year ago, 
I'm not at all sure I would 
have known what a Zombie was. 
I  might have had some notion -- 
that they were strange and frightening,       
and perhaps a little funny.  
But I  have walked with a Zombie...

Terror poético, apelando a todos os sentidos. Viagem deambulatória com o zombie (assim o diz o título) pelo desconhecido, por cearas e acampamentos. É, assim, um passeio pelo metafísico e uma reflexão metafísica, ainda, por abarcar em si, e num espaço fechado e inacessível (o ecrã e não só), o significado de TUDO ("Rio Bravo"; "Ne Touchez Pas La Hache"; "The Searchers"; ...), da Família (como instituição) à Morte, passando pelo voodoo...

"Jane Eyre das Índias orientais", ode rítmica e musical ao vivo e ao não-vivo e um dos (pelo menos) 20, 30 melhores filmes de sempre (está na Lista dos 50, lá por baixo das postagens). Arrebatador, avassalador...


"O filme de terror, de verdadeiro terror, mostra que inconscientemente todos vivemos no medo, Muitas pessoas ainda hoje sofrem de um medo sobre o qual não reflectem e que é constante. Quando o público está no escuro e reconhece a sua própria insegurança na das personagens do filme, é possível mostrar situações incríveis e ter a certeza de que o público as seguirá."
Jacques Tourneur


E foi um francês (depois americano) que, antes de Dreyer (no prodigioso "Ordet"), e por duas vezes (aqui e em "Stars In My Crown"), fez o "milagre" acontecer, através de outro milagre - o da mise en scéne. A fé no sobrenatural e em Deus confundem-se com a fé no Cinema. A encenação do Milagre, O milagre da Encenação.

Argumento de "I Walked With a Zombie"
"The Leopard Man" por Chris Fujiwara

sábado, 12 de setembro de 2009

"Quel Maledetto Treno Blindato" - 1978



Puro divertimento... puro entretenimento... So what?! Ao menos é puro... E não quer ser mais do que aquilo que é. Não há estudos sociológicos ou políticos, só um grupo de gajos, de "bastards" a disparar a torto e a direito pela Alemanha Nazi fora. Mais nada, e é por isso que é um óptimo filme. E está muito, mas muito bem filmado...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"4 Copas" - 2006






Filme tocante. Belo e poético....
E se se aproxima, tematicamente, das novelas, é para se afastar delas, ao mesmo tempo, e em todos os sentidos possíveis e imagináveis (direcção de actores, ideologia....). Porque, de resto, e com as novelas, não é o tema o problema (senão Sirk, Ophuls e Minnelli não tinham feito obras-primas).
"4 Copas" é um filme de e sobre personagens, onde a história ocupa um lugar secundário - é essa a sua fraqueza, mas também a sua força:
Manuel Mozos

É pena um filme de 2006, ter tido, só agora, distribuição... e parece que com os filmes de Mozos tem sido sempre assim. Agora tenho que ver o "Xavier".

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Elia Kazan - 100 Anos

1909 - 2009

E, pelo meio, três Prodigiosos Filmes:

"A Streetcar Named Desire" - 1951

"East of Eden" - 1955

"Wild River" - 1960

"The Ladies Man" - 1961







O segundo filme de Jerry Lewis é um jogo de ilusões entre o grande e o pequeno. Seja a casa, que nos parece pequena no princípio, apenas para nos aparecer Enorme, pouco depois, seja o cão, que nos parece grande, mas não o é, ou até, o quarto de Miss Cartilage, no qual Herbert (Lewis), está proibido de entrar.

E é deste jogo imaginativo de Lewis, deste "não saber o que é a realidade", que nasce a comédia do realizador (seja neste The Ladies Man, seja em The Nutty Professor), e é a partir dele, também, que Lewis se aproxima do cerne do mistério da mise en scéne, sim, porque The Ladies Man é um filme sobre a "encenação", sobre o Cinema.
Lewis was so proud of his accomplishment that he posted a sign outside the stage door: “This is NOT a closed set.” He even erected bleachers for visitors to watch the shooting. “This was the film that Francis Ford Coppola visited,” remembers Lewis (Coppola was an intern at Paramount at the time). “He was on the set almost every day of the shoot. He loved the set, he loved the girls, he loved the idea, and he was enamored with what I did with the video assist and the shoot.” The video assist was a pioneering idea and Lewis was the first to make use of the technology on the film set. (Coppola took the video assist into the next generation when he brought video technology into his fledgling Zoetrope Studios decades later.) There was no videotape in 1961 but through the placement of monitors around the set, Lewis could see the camera eye while performing.
Sean Axmaker

Sendo Lewis completamente adverso ao uso de perches num filme, o cenário tinha por ele espalhados, microfones (das paredes ao tecto), de forma a facilitar o trabalho e o filme é, de resto, reflexo das suas ideogias, da sua noção de Cinema, e é mais isso do que apenas uma comédia com gags mais ou menos bem feitos. O ambiente que se viveu na rodagem, foi de festa, como todas as filmagens de Lewis, que fazia de tudo para contar a história destas nos seus filmes, relatar o trabalho, de alguma maneira. Já Jacques Rivette dizia que "um filme é qualquer coisa que existe no espaço e no tempo, no ecran, perante os nossos olhos, mas também é película impressa, sensibilizada por procedimentos ópticos e químicos que é necessário ter em conta."

A dualidade que se torna numa Unidade, num filme: Hawks fazia-o, Rivette também, Tati idem, Lewis fê-lo algumas vezes (aqui, em The Bellboy e The Nutty Professor)

Não é o melhor filme de Jerry Lewis (esse é, para mim, e será sempre The Bellboy), mas é uma peça de Mestre...

sábado, 5 de setembro de 2009

Tashlin, Mansfield - Mansfield, Tashlin


The Girl Can't Help It (1956)

Will Success Spoil Rock Hunter? (1957)

Francis Fredrick von Taschlein, melhor conhecido por Frank Tashlin, nasceu a 19 de Fevereiro de 1913, em Weehawken, New Jersey. Fez várias curtas de animação durante os anos 30, escrevendo, também, diálogos ("gags") para os irmãos Marx. Nos anos 40, trabalhou para a Warner e foi um dos grandes nomes da animação da década, suplantado, só, por Tex Avery e Chuck Jones (que são os maiores, para todos os efeitos).

E nos anos 50, depois de ter trabalhado várias vezes com Bob Hope, realiza o seu primeiro "live action feature": Son of Paleface (1952), remake de The Paleface, de 1948. E desse filme em diante, participou sempre na escrita dos guiões para os seus filmes (salvo raras excepções: The Man from the Diner`s Club, por exemplo).

Private SNAFU's girlfriend, Sally Lou, reads his letter in Censored (1944). Warners' animators, especially Tashlin, took full advantage of the servicemen-only audience: there was never such blatant pulchritude in a standard Looney Tunes film.
Censored (1944)

Vera Jayne Palmer (depois Jayne Mansfield), nasceu a 19 de Abril de 1933, em Bryn Mawr, Pennsylvania. Estudou Drama na UCLA. Começou a carreira cinematográfica em 1954, num papel secundário em "Female Jungle", de Bruno VeSota. Interpretou Rita Marlowe no espectáculo Will Success Spoil Rock Hunter, na Broadway (papel que voltaria a interpretar no Cinema). Trabalhou, depois, com Raoul Walsh, em The Sheriff of Fractured Jaw (1958), e com Stanley Donen, em Kiss Them For Me (1957).

Kiss Them For Me (1957)

The Sheriff of Fractured Jaw (1958)

E quando 'Francis' e 'Vera' se juntaram para filmar The Girl Can't Help It, começou um dos capítulos essenciais da comédia norte-americana. The Girl Can't Help It é tão bom comoArtists and Models. Obras-primas da comédia, mas que precisam, claramente, da expressão "da comédia" para subsistirem como "obras-primas". São, ainda assim, grandes filmes. Sem dúvida alguma.

Obra-prima, com ou sem "da comédia" à frente, é Will Success Spoil Rock Hunter?. Filme onde conflui toda, ou quase toda, a Comédia norte-americana. Do humor mordaz dos irmãos Marx (como já disse, Tashlin escreveu para eles), às críticas sociais de Cukor (ainda assim, Adam's Rib é, para mim, qualquer coisa de insuperável). Crítica vincada à televisão, é quase um filme-protesto, e também à sociedade americana. E acho, com grande certeza, que a parceria Tashlin/Mansfield é superior à Wilder/Monroe. Adoro Wilder (acho-o, até, superior a Tashlin) e adoro Monroe (e acho-a, claro, superior a Mansfield), só não os adoro juntos.

E se Tashlin não é, como Lewis, um "autor", a verdade é que fez com Will Success Spoil Rock Hunter?, um filme comparável a qualquer de Lewis.

Jayne Mansfield na Wikipedia / Jayne Mansfield no site da Playboy / Frank Tashlin em Senses of Cinema / Entrevista a Frank Tashlin

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 6



Nos anos 60, deixámos Hollywood para ver as prodigiosas propostas francesas no que ao Musical dizem respeito. Regressando à América nos anos 70, a coisa está diferente, muito diferente. O declínio dos estúdios americanos que começou no final dos anos 40 e acabou no princípio dos anos 60, mudou por completo o sistema de trabalho em Hollywood. Começou por "cortes" na distribuição, para permitir a estreia de filmes estrangeiros, passou pela completa banalidade dos argumentos duma forma geral, e claro, nos anos 50 e 60, o CINEMA passou a ter a televisão como adversário - a televisão ganhou.

E é curioso constatar que os três próximos Musicais são , de uma maneira ou outra, uma ode ao sistema de estúdios e à época de ouro do Musical (da escolha de filmar em estúdios, ao ecrã 4/3 do cinema clássico, passando pelo amor pela coreografia), sem por isso deixarem de ser eminentemente modernos (e cada um o é à sua maneira). Nostálgicos e utópicos.

1977. Martin Scorsese faz o seu primeiro e único Musical. Tendo Liza Minnelli como vedeta, Scorsese marca já uma filiação com o Musical da Golden Age (Vincente Minnelli, Judy Garland são pais de Liza), e Robert de Niro acrescenta um realismo demolidor ao filme. E é precisamente esta dualidade que interessa a Scorsese:
"I was trying to deal with what I knew to be the underlying emotional truth (...) I was experiencing in the theatres as a child from the screen into the reality I knew in the foreground of the picture, which was a style that I felt more confortable with, that was coming right out of Elia Kazan working with actors, and John Cassavetes (...) I wanted to put the two styles together: the artifice and the truth."
Martin Scorsese

E "New York, New York" é isso mesmo, uma tentativa de conjugar duas ideologias de trabalho e de concepção fílmica, à partida, incompatíveis, mas que faz ,para o filme, todo o sentido. O artificialismo dos décors vs. a vericidade das emoções, a artificialidade da técnica (iluminação, som) vs. o uso da improvisação. Minnelli vs. Kazan.
Uma carta de amor ao Cinema de Vincente Minnelli, principalmente, mas também (e através do filme dentro do filme - "Happy Endings") a todo o cinema Musical ("Singin In The Rain", "A Star is Born"), quanto mais não seja, por ser praticamente todo filmado em estúdio.
O filme acabou por marcar a vida profissional de Scorsese. O facto de não ter um "happy ending" e outras coisas, fizeram com que o filme fosse um fracasso. Deixou Scorsese profundamente deprimido (artística e emocionalmente), antes do regresso, 3 anos depois, com a sua OBRA-PRIMA, "Raging Bull".
Mas o Musical na Nova Hollywood está sempre associado à desgraça (seja fora ou dentro dos filmes).


Em 1979, há um novo Musical. "All That Jazz" de Bob Fosse. Venceu a Palma de Ouro em Cannes, e é o melhor filme do seu realizador (obra-prima? - talvez). É também o melhor dos Musicais da Nova Hollywood (se bem que Fosse não faça parte da "trupe"). Filme testamento, reflexo do mundo do Espectáculo, auto-retrato. A vida e a morte de Fosse em filme.

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1982 é o ano de "One From The Heart", que por grande lapso, me esqueci de incluir aqui. Visão utópica do Amor e também do Cinema. Filme que marca Coppola como um verdadeiro visionário. Porque o método de trabalho é , quase, o que se pratica hoje em dia. Blue screens e ideologia digital, em 1982. Só que demorou mais de 15 anos a vingar na Indústria e este filme é um verdadeiro "ovni" do Cinema Americano. Fez menos de um milhão de dólares, e custou mais de 20. Coppola passou 7 anos a pagar dívidas com filmes (7 também).
Filmado inteiramente em estúdio (como "Brigadoon"), na sede da Zoetrope, o filme foi feito em ambiente familiar, e teve como consultor (não creditado) Gene Kelly. Coppola como grande experimentalista, e sobretudo, como grande teórico do processo fílmico:
"A minha sensação era que o meu trabalho, iria centrar-se mais numa zona em que pudesse controlar os elementos do drama, para que, em vez de nos sentarmos numa esquina, durante horas à espera que a luz fosse certa, trabalhássemos num novo tipo de Cinema, mais teatral, sendo capazes de controlar todos os elementos do filme."
Francis ford Coppola

Planeado ao pormenor por Coppola, o filme é encenado meticulosamente. É, também, objecto de estudo, inserido na ideologia do Cinema Digital: o plano deixa de ser a unidade mínima do filme, é a cena; e o trabalho de pós-produção não existe, ou melhor, é inserido no da produção: montagem e realização são uma e a mesma coisa.



Little Boy Blue, come blow your horn
The dish ran away with the spoon
Home again, home again Saturday morn
He never gets up before noon

Well, she used to render you legal and tender
When you used to send her your promises, boy
A diller, a dollar, unbutton your collar
And come out and holler out all of your noise


Hinos à ideologia do sistema de estúdios, estes Musicais foram os últimos dos seus realizadores, anunciando a morte lenta do género (sim, porque vai haver mais dois posts), e deixando neles marcas profundas...

Fim da 6ª Parte