quarta-feira, 8 de abril de 2015

"It's bollocks!"


“What I resent is people who say, “Film is old, who cares about film, now we’ve got digital.” Well, that’s fine. You can go shoot your movie on digital, that’s great. But there are other people who want to use a different medium. The problem is when you get rid of film you can’t choose that anymore. It’s not that digital objectively sucks, although it’s not my taste. Fine, you wanna shoot digital, that’s great! But the thing… I read somewhere, I think it was Mike Leigh who criticized what Tarantino was saying about film was “bollocks” or something, and I felt that what Mike Leigh said was bollocks. Because he’s basically saying that what the artist wants to use doesn’t matter. And how can that be the case? Would he walk up to a painter and say, “That tube of cadmium red light, you can’t use that anymore, and if you wanna use cadmium red light, bollocks!” [HTN laughs] You know what I’m saying? Well fuck that guy! Whaddya mean “bollocks?” I found that pretty awful, I have to say. I mean, maybe I didn’t read it in context, maybe he was meaning something else. Then I read something else, I think it was Mike Leigh but I’m not sure who it was now, but he was saying also in connection to Tarantino’s comments like, “Oh, now there are all these amazing movies on video.” I don’t know what the fuck he’s watching because maybe there are all these incredible films I’m missing that are on YouTube, but everything I see on YouTube sucks. [HTN laughs] So this digital revolution, which was supposed to bring all this “amazing” new cinema. Guess what? You watch Virgin Spring, which was made, what, 50 years ago, and that’s better than any YouTube video I’ve seen recently. So I don’t know what he thinks technology has brought to us.”

A Conversation With James Gray (THE IMMIGRANT)

via Cinephilia & Beyond

5 comentários:

Sabrina D. Marques disse...

bah, o gray não viu o costa.

João Palhares disse...

Eu acho que fazem falta pessoas dizerem o que diz o Gray aqui: Ser péssimo a película começar a deixar de ser opção e por toda a gente achar que o digital tem melhor resolução do que a película, o que não é verdade. E acho que ele aqui só fala da resolução, não dos filmes serem melhores ou piores, até porque o Virgin Spring é capaz de se encontrar no Youtube.

Isto para não falar das projecções em digital, a que por exemplo, todos os cine-clubes aderiram e que (posso ter tido muito azar nas sessões a que fui; e falo das de cá no norte que, em Lisboa, acho que a coisa é muito diferente) são de baixa qualidade. Incluindo o filme do Pedro Costa. Anda-se a elogiar demais o digital e a falar pouco do que tem oferecido em termos práticos. Ao ponto, se calhar, de se pensar que faz tudo sozinho. E, sei lá, é importante falar disso também, não só sobre o que passa, mas sobre como se passa.

Eu até acho que se pode perceber que um filme é um bom filme numa má projecção mas uma pessoa começa a pensar duas vezes antes de pagar quatro euros para os ir ver. Começa a ser preferível pagar cinco ou seis e ir aos centros comerciais. (A projecção do Cavalo Dinheiro no UCI Arrábida foi espectacular.) Ou gastar o dinheiro noutras coisas e ver os filmes em casa.

E, pronto, é isso.

João Palhares disse...

É que o bom digital também é muito caro. Não sei se tão caro como a película, mas para a maior parte das pessoas que querem passar filmes para um certo público é como se fosse. Percebo que um cineclube não tenha forma nem meios de passar os filmes sem que de vez em quando a imagem se arraste, ou a projecção vá abaixo, ou sem que as cores correspondam às cores originais. O que não percebo é porque é que o discurso do digital ser maravilhoso se mantém.

As projecções em película também tinham problemas, às vezes, mas não eram uma coisa tão recorrente, acho eu.

Eu, sinceramente, gostava de falar sobre isto sem que alguém rematasse a questão com a coisa do saudosismo, que agora parece que é resposta para tudo que uma pessoa diga. Até porque é uma questão que me interessa.

E se mais alguém quiser falar sobre o assunto, a caixa de comentários é toda vossa.

O Narrador Subjectivo disse...

Apoiado! \m/

Ele é que devia fazer um filme a preto-e-branco. podia chamar-lhe "50 Shades of Gray"

Sabrina D. Marques disse...

Não é uma questão de resolução, porque a resolução não é tudo. Há um lado ''afectivo'' na pelicula que transporta em si uma espécie de marca do início do cinema - e isto é tão saudoso e bolorento como verdadeiro.
Há pontos em que se trata de ser prático, e democrático, na produção e na exibição, e é por isso que eu sou pelo digital. Mas não me cobrem 6 euros para ir ver um dvd, mais vale comprá-lo por duas vezes isso : e talvez por ter havido um grande investimento súbito na modificação de todas as salas, que ainda não se pagou a si próprio, ainda não houve o decréscimo esperado do preço dos bilhetes que corresponde À redução dos custos implicados com a circulação de cópias digitais em vez de película.