segunda-feira, 25 de setembro de 2017

STREET ANGEL (1928)


1928 – USA (100) ● Prod. Fox (William Fox) ● Real. FRANK BORZAGE ● Gui. Marion Orth, Katherine Hilliker, H.H. Caldwell, Philip Klein e Henry Roberts Seymonds a p. da P. de Monckton Hoffe ● Fot. Ernest Palmer, Paul Ivano ● Int. Janet Gaynor (Angela), Charles Farrell (Gino), Alberto Rabagliati (um polícia), Gino Conti (um polícia), Guido Trento (Neri), Henry Armetta (Mascetto), Louis Liggett (Beppo). 

Em Nápoles, Angela, uma rapariga pobre, não tem outro recurso que não seja o roubo para obter os remédios necessários para a sua mãe moribunda. É detida e vai a julgamento, mas consegue fugir do tribunal e esconder-se no tambor de um circo ambulante. Mais tarde, torna-se a vedeta do circo e conhece Gino, um pintor que se junta ao grupo por amor a ela. Depois de uma queda, ela parte o tornozelo e tem que deixar o circo, acompanhada de Gino. É um tormento para os dois. Ela é reconhecida por um polícia e encarcerada. Uma prostituta, libertada antes de Angela, diz a Gino a « verdade » sobre ela. Ele sai à sua procura pelas docas enevoadas, « Vou procurar, » diz ele, « um rosto de anjo que tenha o coração negro como o inferno ». Encontra-a e estrangulava-a, se na igreja onde ela se refugiou não visse um retrato que pintou dela no passado e que um antiquário com poucos escrúpulos transformou numa nossa senhora do século XVIII. « Pelo menos, consegui pintar-te assim ! », diz-lhe ele num ímpeto de amor que sela a sua reconciliação. 

► Melodrama elegíaco na linha de 7th Heaven, a que se segue imediatamente na filmografia de Borzage. Encontram-se aqui os temas caros ao autor : a sublimação e a redenção dos seres pelo amor ; a inocência deles mais forte do que a maldição social que muitas vezes os atinge. Perdidos no mundo material, as personagens de Borzage só se conseguem re-encontrar na relação de amor – ternura e paixão enredadas – que os une além dos obstáculos e das peripécias da sua vida. Dentro do estilo lírico de Borzage, a plasticidade é o elemento forte de expressão. A luz e a sombra, habilmente destiladas, encerram cruelmente as personagens ou criam um refúgio quase onírico à sua volta. Os cenários, no isolamento do estúdio, são construídos expressamente para que a iluminação lhes adicione um segundo nível de artifício (no sentido nobre do termo) e de beleza. Este universo plástico é só expressionista na aparência porque, inferno e paraíso ao mesmo tempo, possui uma ambivalência profundamente estranha a esse movimento e que só tem sentido na temática de Borzage.

Jacques Lourcelles, in « Dictionnaire du Cinéma - Les Films », Robert Laffont, Paris, 1992.

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