sábado, 7 de outubro de 2017

THE RIVER (1928)


Inédito comercialmente em Portugal, 1928 – USA (7 bob.) ● Prod. Fox (William Fox) ● Real. FRANK BORZAGE ● Gui. Philip Klein, Dwight Cummins e John Hopper Booth a p. de uma história de Tristram Tupper ● Fot. Ernest Palmer ● Mús. Maurice Baron e Erno Rapee ● Int. Charles Farrell (Allen John Spender), Mary Duncan (Rosalee), Ivan Linow (Sam Thompson), Margaret Mann (viúva Thompson), Alfred Sabato (Marsdon), Bert Woodruff (o moleiro).

Um campo de obreiros que trabalham numa barragem. O campo fica vazio com a aproximação do Inverno. Vive só uma mulher nas instalações desertas. O amante dela está na prisão por homicídio ; ela jurou-lhe fidelidade e espera por si. Tem como única companhia um corvo, símbolo da sua dependência para com o ausente. Conhece um jovem inexperiente que atrai e repele ao mesmo tempo. Para enfrentar um desafio que ela lhe lançou, ele começa a derrubar árvores à volta das instalações. O esforço e o frio fazem-no perder a consciência. De regresso ao campo, o amante da mulher descobre o corpo inanimado e trá-lo para a cabana. A mulher deita-se sobre ele para o trazer de volta à vida. Na Primavera, partem juntos. 

► No seu filme mais célebre, considerado durante muito tempo como perdido, Borzage expressa o seu tema predilecto : o nascimento de um casal. Deixa aqui de lado os elementos românticos ou espirituais que tantas vezes evocou, para realçar o aspecto erótico da relação entre as duas personagens (daí o lugar particular do filme no interior da obra de Borzage e do cinema americano da época). A mulher encarna a experiência do amor mas também o cansaço e o desgosto do amor. O jovem representa a temeridade, a inocência e a ignorância do amor. Em contacto com ele, a mulher torna-se primeiro o que sempre tinha sido – sedutora, iniciadora e insatisfeita – e depois, superando esta etapa, acede gradualmente a uma relação sem separação possível e sem segundas intenções com o seu companheiro. O isolamento das duas personagens, que os torna semelhantes a aparições, e a reclusão grandiosa dos lugares onde elas se desenvolvem, empurram para a abstracção uma história que Borzage soube, de resto, dotar de um peso carnal pouco comum. Isto contribuiu para dar ao filme um valor mítico na memória de muitos espectadores. Esta observação vale sobretudo para a Europa, porque nos Estados Unidos o choque do sonoro eclipsou parcialmente os méritos da obra. 

N.B. O filme foi lançado em versão muda (de 7 704 pés) e em versão sonora com sequências faladas (6 536 pés). A Cinemateca de Luxemburgo possui uma cópia muda à qual faltam duas bobinas de dez minutos, a primeira e a última.

Jacques Lourcelles, in « Dictionnaire du Cinéma - Les Films », Robert Laffont, Paris, 1992.

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