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domingo, 14 de novembro de 2010

Noites na TCM (3)



Bad Day at Black Rock, visto no canal há coisa de dois anos em versão 4/3. A revisão, permitiu-me constatar que é dos melhores usos do CinemaScope, vilões enquadrados à direita e heróis à esquerda, os heróis movem-se sempre para a direita e os vilões para a esquerda (a metáfora política - esquerda e direita, democratas e republicanos, etc, etc), Tracy de preto como elemento distabilizador e estabilizador, todo um pensamento por trás do uso do scope. Se é intencional ou não, é outra história.

Na TCM, quando o vi, dizia, não pude ver isto, mas se bem que seja importante, não é o mais importante. Não, o mais importante é aquela atmosfera, a abstracção narrativa que colmata naquela estranheza toda - os interesses do herói só se revelam passado mais de uma hora de filme. Lição de estilo, de dureza e crueza e que fez família estética, Siegel, Eastwood, Carpenter. Cargas cortantes de porrada, Marvin, Ryan e Borgnine. A cena em cima apanha qualquer um de surpresa e é de soltar "foda-se" a torto e a direito. É o filme com mais estilo que já se fez, coisa que passa por poses, movimentos, sim, e por ter aquele pessoal todo no elenco.

Obra-prima. Assim, sem qualquer dúvida.. nunca o Sturges fez outro igual..

Coisas que a RTP2 nunca me conseguiu mostrar


domingo, 25 de julho de 2010

Noites na TCM (2)



O zapping é uma coisa maravilhosa, não me queiram fazer pensar o contrário. Foi ele que me fez descobrir a sequência final do filme de Antonioni, antes de saber sequer quem era Antonioni e enquanto via Cronenbergs e Carpenters, na Sic Radical.

Anos depois então, veio Zabriskie Point, o monumento anti-establishment de Michelangelo Antonioni com o despojamento material e social que sugere, à superfície, a sua última sequência. Rebelião juvenil, pergunto. É Zabriskie Point um simples apontar o dedo às hipocrisias da sociedade de consumo e um abraço à causa estudantil, ou também se aponta o dedo a esta última? Perceba-se, então, que anti-establishment é, não em relação a um, mas a todo e qualquer establishment, a toda e qualquer ordem, a toda e qualquer resposta. É a revolução artística, é a circundante - cíclica - questão da existência e é por isso que rebenta connosco, como disse aqui o João nos comentários. É, dentro da filmografia de Antonioni, o filme que mais segredos persiste em não revelar, o mais enigmático.

Depois das explosões, de vários ângulos, a panorâmica impossível e as mais belas imagens em slow motion que o Cinema produziu não mais se olham as coisas da mesma maneira. Começa com os soares e ressoares da percussão de Nick Mason, do orgão de Richard Wright e do baixo de Roger Waters (pode não ser este o alinhamento, não faço ideia) e progride numa calmia impossível por acabar numa agitação sem concessões. É uma gestão rítmica do plano, da sequência, que não tem nome nem se ensina por ser irreproduzível, pois claro, e por se construir na base do segredo e do enigma - a encenação invisível. Quando a sucessão dos planos e das sequências não se dá nos domínios do lógico nem do ilógico, dá-se em que domínios? Hoje, deu-se me como certo que Antonioni (como Bresson) trabalhavam a um nível superior da Montagem...

O primeiro Antonioni nunca se esquece...

Zabriskie Point é o mais belo e sublime filme do Mundo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Noites na TCM (1)




Soylent Green não é uma obra-prima, nem sequer um grande filme. Tem é esta introdução maravilhosa - conheci-a antes de conhecer o filme em zappings pela TV e perseguiu-me por uns tempos - com a música espantosa de Fred Myrow e a sucessão trepidante de imagens apocalípticas, talvez com alguns maniqueísmos desnecessários, mas não me importo. É demagógico demais, politicamente, e é um filme de twist, como o "Planet of the Apes", mas é-me impossível não gostar dele, essencialmente pela introdução, como já disse, e a encenação (comovente) da morte de Edward G. Robinson - foram sentimentos genuínos os que a câmara de Fleischer captou - o soylent green do título pouco importa...