terça-feira, 8 de setembro de 2009

"The Ladies Man" - 1961







O segundo filme de Jerry Lewis é um jogo de ilusões entre o grande e o pequeno. Seja a casa, que nos parece pequena no princípio, apenas para nos aparecer Enorme, pouco depois, seja o cão, que nos parece grande, mas não o é, ou até, o quarto de Miss Cartilage, no qual Herbert (Lewis), está proibido de entrar.

E é deste jogo imaginativo de Lewis, deste "não saber o que é a realidade", que nasce a comédia do realizador (seja neste The Ladies Man, seja em The Nutty Professor), e é a partir dele, também, que Lewis se aproxima do cerne do mistério da mise en scéne, sim, porque The Ladies Man é um filme sobre a "encenação", sobre o Cinema.
Lewis was so proud of his accomplishment that he posted a sign outside the stage door: “This is NOT a closed set.” He even erected bleachers for visitors to watch the shooting. “This was the film that Francis Ford Coppola visited,” remembers Lewis (Coppola was an intern at Paramount at the time). “He was on the set almost every day of the shoot. He loved the set, he loved the girls, he loved the idea, and he was enamored with what I did with the video assist and the shoot.” The video assist was a pioneering idea and Lewis was the first to make use of the technology on the film set. (Coppola took the video assist into the next generation when he brought video technology into his fledgling Zoetrope Studios decades later.) There was no videotape in 1961 but through the placement of monitors around the set, Lewis could see the camera eye while performing.
Sean Axmaker

Sendo Lewis completamente adverso ao uso de perches num filme, o cenário tinha por ele espalhados, microfones (das paredes ao tecto), de forma a facilitar o trabalho e o filme é, de resto, reflexo das suas ideogias, da sua noção de Cinema, e é mais isso do que apenas uma comédia com gags mais ou menos bem feitos. O ambiente que se viveu na rodagem, foi de festa, como todas as filmagens de Lewis, que fazia de tudo para contar a história destas nos seus filmes, relatar o trabalho, de alguma maneira. Já Jacques Rivette dizia que "um filme é qualquer coisa que existe no espaço e no tempo, no ecran, perante os nossos olhos, mas também é película impressa, sensibilizada por procedimentos ópticos e químicos que é necessário ter em conta."

A dualidade que se torna numa Unidade, num filme: Hawks fazia-o, Rivette também, Tati idem, Lewis fê-lo algumas vezes (aqui, em The Bellboy e The Nutty Professor)

Não é o melhor filme de Jerry Lewis (esse é, para mim, e será sempre The Bellboy), mas é uma peça de Mestre...

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