segunda-feira, 21 de março de 2011

2ª série dos Planos (VI)


I / II / III / IV / V

Uma ou duas vezes por semana, convido bloggers a escolher um plano e a falar, também, sobre ele. O sexto convidado é o hg, do INSTORM, que escolheu o último plano de Les 400 Coups, de François Truffaut (cheguei a falar dele aqui):


Se escolher um filme é já tarefa complicada, escolher um plano abeira-se do impossível. Mais ainda para alguém, como eu, cuja principal admiração e fascínio é quase sempre o terceiro plano que surge da junção de outros dois. Raramente me enamorando de um plano per se.

Mas, não querendo recusar o convite do João, esforcei-me por vasculhar a memória em busca de um qualquer plano que me tivesse marcado. Algo especial e distinto. Um momento cinematográfico que, sem interrupções, se destacasse de todos os outros. Nomes como Hitchcock, Kubrick, Godard, Buñuel, Kieslowski ou Carax foram os primeiros que me assaltaram de imediato a memória. Todos eles com muito por onde escolher. Muito para dizer. Mas, entretanto, um outro momento me veio à memória. E sobre esse, de tão especial, pouco ou nada tenho a acrescentar. Foi até pelo seu aspecto enigmático e mágico, ainda hoje para mim incompreensível na sua totalidade, assim transformado num daqueles planos que para sempre me irá acompanhar, que a minha escolha nele recaiu.

Tudo isto para dizer que me acabei por decidir pelo plano que fecha Les Quatre Cents Coups. O tão conhecido plano do pequeno grande Antoine Doinel que, chegado à praia, em fuga, Truffaut imortalizou num freeze do preciso momento em que Doinel parece olhar na nossa direcção. Ainda hoje, tantos anos passados do primeiro arrepio, e várias visitas ao filme depois, continuo sem conseguir descortinar o (verdadeiro) significado daquele último olhar (se é que uma verdade existe em casos como este). Racionalmente parece fácil encontrar explicações e significados. Mas, ali chegado, acabo sempre surpreendido. Desarmado. Todo eu emoção. E aí, assim, nesse estado, tudo muda a cada visionamento. E por isso, culpa desse enigma, o plano por mim escolhido só poderia ser este. Mesmo que nada consiga dizer sobre ele sem deixar de achar que, a cada palavra, me estarei a afastar cada vez mais da magia e mistério que ele encerra. (hg)

O próximo convidado é o Luís A.

Um comentário:

DiogoF. disse...

Um final magnifico, óptima escolha.