quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

2ª série dos Planos (III)


I / II

Uma ou duas vezes por semana, convido bloggers a escolher um plano e a falar também sobre ele. O terceiro convidado é o João Gonçalves, do Modern Times, que escolheu o primeiro plano de Boogie Nights (1997), de Paul Thomas Anderson.



"É verdade que fui pelo mais acessível e pelo mais fácil de nos impressionar. O plano sequência é aquele que mais fascina a maioria. Poderia escolher um plano do Monument Valley filmado pelo John Ford, ou simplesmente, um plano de um personagem de um filme do Ozu. Pensei nos belos planos que Tarkovsky criou em Offret, A Infância de Ivan ou em Stalker, por exemplo.

Mas como todos os dias são diferentes, hoje fiquei-me por um dos mais influentes cineastas americanos da actualidade, Paul Thomas Anderson. Influenciado por Scorsese neste plano, mais concretamente por Goodfellas. Do exterior para o interior, somos convidados a conhecer o espaço, o ambiente, e os personagens que vamos acompanhar ao longo do filme. No plano, a recriação dos anos 70, o bar, as roupas, a música. Boogie Nights é um dos melhores filmes dos ano 90, sem dúvida alguma". (João Gonçalves)

O próximo convidado é o José Bértolo.

7 comentários:

Álvaro Martins disse...

Acho que o plano fala por si só, como o João diz, o plano-sequência é aquele que mais fascina a maioria das pessoas, e isso não implica nenhuma inferiorização ou detrimento relativamente aos outros planos, muito bem pelo contrário. Bem referida a influência do Goodfellas e concordo em absoluto com o João quando diz que é um dos melhores filmes dos anos 90. Ando um bocado desactualizado quanto à filmografia do Paul Thomas Anderson, coisa que quero remendar brevemente ;)
Grande plano sem dúvida.

Loot disse...

Também só venho concordar e salientar o quanto é um excelente momento e um excelente filme também.

Foi o 1º que vi de PT Anderson e foi amor à primeira vista, um dos melhores dos anos 90 sem dúvida.

João Gonçalves disse...

Obrigado pela oportunidade João. Já te tinha dito que é uma grande iniciativa!

Álvaro, se ainda não viste o There Will Be Blood, aconselho. É só, para mim, o melhor filme americano dos últimos 10 anos. É um filme enorme, que deves ver o quanto antes.

Álvaro Martins disse...

João, já vi o There Will Be Blood, vi-o logo quando saiu, e embora tenha gostado e ache um bom filme não partilho assim tanto desse entusiasmo. Mas digo que estou desactualizado porque só vi mesmo estes dois e o Magnolia.

João Palhares disse...

Eu gosto muito do Boogie Nights, mas vejo-o mais como uma preparação para o que veio a seguir, um enormíssimo filme americano, o Magnolia. Acho o Anderson um grande talento.

Quanto ao plano, vejo Scorsese também, sim. Este, aliás, na Viagem pelo Cinema americano cita um filme qualquer dos anos 30 (altura em que havia poucos movimentos de câmara) e Minnelli como influências.

http://templeofschlock.blogspot.com/2009/06/jerry-lewis-retrospective-in-la-starts.html

Neste link, estabelece-se uma relação muito curiosa entre esse plano e outro do Nutty Professor do Jerry Lewis. (é daquelas coisas que gostava de ter sido eu a lembrar-me, eheh).

E é interessante ver estes planos como um perpétuo passar de testamento. Minnelli - Lewis - Scorsese - Thomas Anderson...

O There Will Be Blood é um filme extraordinário. Aqueles primeiros 10 minutos deixaram-me perplexo..

Obrigado a todos pelos comentários

João Raposão disse...

Hoje descobri esta rubrica e o primeiro "plano" que me veio à cabeça foi este. Acabei por encontrá-lo já falado por alguém. É, de facto, um grande início e, sobretudo, um grande filme. Não o vejo como "preparação" para o que viria a seguir.. este já era o que vinha a seguir, PTA fiel a si mesmo e ao seu estilo. Nem diria tanto um herdeiro de Scorsese mas mais de Robert Altman.

João Palhares disse...

Olá João,

O Altman é o maior mentor do Anderson, concordo, e se calhar fazia mais sentido citar o primeiro plano do Jogador como influência, ou alguns do DePalma, também.

Eu disse que isto era uma preparação para o Magnolia, porque além de se passar na mesma cidade, acho o segundo mais denso e, entre outras coisas, este aqui tem uma cena colectiva ao som de "God Only Knows" que me parece um esboço daquela cena que já é icónica no "Magnolia", ao som de Aimme Mann.