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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Simplesmente Lars



Lars von Trier nasceu a 30 de Abril de 1956, em Copenhaga. Fosse esse o pior dos seus pecados, mas não, resolveu tornar-se realizador (Ah, o horror, o horror...), resolveu transbordar os ecrãs e os festivais com as saladas saloias disfarçadas de arte que são os seus filmes. Ele nasceu, aliás, para provar que nem tudo o que é recebido e aplaudido em festivais é Cinema e que nem todo o realizador é autor - ele não é só a meta, é a partida e o caminho da decadência artística, é símbolo máximo da podridão cinematográfica e da pobreza mental. Se Trier é Cinema, eu não gosto de Cinema, se Trier é Arte, eu vou ali e já venho.
E tudo começou com a trilogia da Europa, depois veio a "Golden Heart" e a "USA", tudo catalogadinho e explicadinho pelo Trier em pessoa. Estas trilogias temáticas aproximam-no, aliás, de um Rossellini, não tenho dúvidas. Anticristo seria o primeiro filme da "trilogia do olho do cú" - perdão, perdão, do olho do ânus - profundíssima e extenuante viagem ao centro (ao cerne, diria até) de todo o ser humano, a viagem é árdua, sim, mas o deleite e o prazer são sem fim. Começar um filme com uma PIÇA a ir e a dar, em SLOW MOTION e ao som de, não, não, Handel (HANDEL, a audácia, a audácia!!) e acabá-lo no cimo do monte de forma perfeitamente apoteótica, em sintonia com tudo, faz-nos pensar que talvez Trier tenha razão, talvez. Talvez a Mulher não seja tão boa rês como se pinta, senão não calçava os filhos ao contrário, é que quer dizer isso não se faz, não é? E, cereja no topo do bolo, a tesourada ao CLÍTORIS, não fosse Lars von Trier o cineasta da ruptura (ZUC, já está!). Artística, metafórica e literal. FENOMENAL! O artista tem nome: LARS VON TRIER...

Mas eu sou muito esquisito, não liguem..

"Por amor de Deus, o artista é um bom artista, não havia necessidade.." (Diácono Remédios, provedor da Herman Enciclopédia)

"Longa sessão terapêutica de um casal - refugiado no "Éden", claro - para tentar distinguir a sexualidade da culpabilidade que no prólogo lhe foi associada (por negligência "orgástica", digamos), "Anticristo" vive de psicoterapia sobre-explicada, diálogos cheios de retórica (profundamente maçadores) e cenas de sexo agressivo. Começa como Bergman, aproxima-se de Cassavetes, rouba ideias (a bruxaria ligada ao desejo feminino) a um velho filme dinamarquês (o sublime "A Feitiçaria Através dos Tempos", de Benjamin Christensen, que von Trier obviamente conhece), acaba à tesourada tipo Oshima. Pena já não estarmos em 1975. "Anticristo" não é um filme feito para se ver, é um filme feito para se falar sobre ele. Oferece a cana, o anzol e o isco: tem imenso para "interpretar", fará furor em sessões com "debate".." (Luís Miguel Oliveira)

Leitura recomendada: "O mau gosto reina" / "o pior realizador do mundo", ou, "prontos", críticas positivas ao filme: Anti-cristo / "Anticristo": o último reduto / Anticristo (2009)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

"Feliz Natal Mr. Lawrence"-1983

Numa primeira impressão, posso dizer que a psicologia humana tem um grande papel neste filme, bem como todos os valores, que como pessoas (de diferentes culturas e países) defendemos. A noção de dever, compromisso e honra que cada um tem, e eventualmente, a colisão dessas noções quando destoam de pessoa para pessoa. O colidir das civilizações e aprendizagem com pessoas que supostamente são o inimigo, e por fim, o respeito mútuo, respeito esse, que atinge proporções e sentimentos indesejados no caso de alguns personagens. Depois há os actores, que, sem excepção suam e vivem as personagens remetendo o espectador para todos os conflitos interiores adjaccentes à história e às suas personagens, como todo o actor deve fazer. Os quatro actores que interpretam as personagens principais estão brilhantes, mais não se poderia pedir. Takeshi Kitano (creditado como Takeshi), Ryuchi Sakamoto (também brilhante na banda-sonora, que é hipnótica e absorvente, o tema principal é um clássico), David Bowie ( o homem dá sinais de vida também no cinema) e Tom Conti (personagem do título) participam. O filme é de Nagisa Oshima ("O Império dos Sentidos","O Império da Paixão") e é escrito por ele e Paul Mayersberg, adaptando "The Seed And the Sower" de Laurens Van der Post. Na fotografia Tom Conti e Takeshi Kitano (é ele que diz a enigmática frase/título). Fica-me como um filme de guerra peculiar, original também, sem cair em clichés e convenções. É um filme a ver e depois rever, um portal para uma teia de relações que nada tem de convencional nem de desinteressante.