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domingo, 12 de dezembro de 2010

É preciso deitar abaixo os "autores"


Dancer in the Dark (2000), de lars von trier
(orçamento de 13 milhões de dólares)

Total Lifetime Grosses

Domestic: $4,184,036 10.5%
+ Foreign: $35,847,843 89.5%

= Worldwide: $40,031,879

Caché
(2005), de Michael Haneke
(orçamento de 8 milhões de dólares)

Total Lifetime Grosses
Domestic: $3,647,381 22.5%
+ Foreign: $12,550,443 77.5%

= Worldwide: $16,197,824

*Para que não haja confusões, o Dogville e o Funny Games são por cá muito prezados..

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Simplesmente Lars



Lars von Trier nasceu a 30 de Abril de 1956, em Copenhaga. Fosse esse o pior dos seus pecados, mas não, resolveu tornar-se realizador (Ah, o horror, o horror...), resolveu transbordar os ecrãs e os festivais com as saladas saloias disfarçadas de arte que são os seus filmes. Ele nasceu, aliás, para provar que nem tudo o que é recebido e aplaudido em festivais é Cinema e que nem todo o realizador é autor - ele não é só a meta, é a partida e o caminho da decadência artística, é símbolo máximo da podridão cinematográfica e da pobreza mental. Se Trier é Cinema, eu não gosto de Cinema, se Trier é Arte, eu vou ali e já venho.
E tudo começou com a trilogia da Europa, depois veio a "Golden Heart" e a "USA", tudo catalogadinho e explicadinho pelo Trier em pessoa. Estas trilogias temáticas aproximam-no, aliás, de um Rossellini, não tenho dúvidas. Anticristo seria o primeiro filme da "trilogia do olho do cú" - perdão, perdão, do olho do ânus - profundíssima e extenuante viagem ao centro (ao cerne, diria até) de todo o ser humano, a viagem é árdua, sim, mas o deleite e o prazer são sem fim. Começar um filme com uma PIÇA a ir e a dar, em SLOW MOTION e ao som de, não, não, Handel (HANDEL, a audácia, a audácia!!) e acabá-lo no cimo do monte de forma perfeitamente apoteótica, em sintonia com tudo, faz-nos pensar que talvez Trier tenha razão, talvez. Talvez a Mulher não seja tão boa rês como se pinta, senão não calçava os filhos ao contrário, é que quer dizer isso não se faz, não é? E, cereja no topo do bolo, a tesourada ao CLÍTORIS, não fosse Lars von Trier o cineasta da ruptura (ZUC, já está!). Artística, metafórica e literal. FENOMENAL! O artista tem nome: LARS VON TRIER...

Mas eu sou muito esquisito, não liguem..

"Por amor de Deus, o artista é um bom artista, não havia necessidade.." (Diácono Remédios, provedor da Herman Enciclopédia)

"Longa sessão terapêutica de um casal - refugiado no "Éden", claro - para tentar distinguir a sexualidade da culpabilidade que no prólogo lhe foi associada (por negligência "orgástica", digamos), "Anticristo" vive de psicoterapia sobre-explicada, diálogos cheios de retórica (profundamente maçadores) e cenas de sexo agressivo. Começa como Bergman, aproxima-se de Cassavetes, rouba ideias (a bruxaria ligada ao desejo feminino) a um velho filme dinamarquês (o sublime "A Feitiçaria Através dos Tempos", de Benjamin Christensen, que von Trier obviamente conhece), acaba à tesourada tipo Oshima. Pena já não estarmos em 1975. "Anticristo" não é um filme feito para se ver, é um filme feito para se falar sobre ele. Oferece a cana, o anzol e o isco: tem imenso para "interpretar", fará furor em sessões com "debate".." (Luís Miguel Oliveira)

Leitura recomendada: "O mau gosto reina" / "o pior realizador do mundo", ou, "prontos", críticas positivas ao filme: Anti-cristo / "Anticristo": o último reduto / Anticristo (2009)

sábado, 6 de março de 2010

"Shutter Island" - 2010



Adorei o "Shutter Island", estudo da verdade e da insanidade. Scorsese desenhou aqui (como em "New York, New York" mas de diferente maneira) um diálogo entre o "real" e o "artifício". Em "New York, New York", Scorsese propunha estudar a artificialidade do Musical, querendo fazer ressaltar dela e através dos actores, a veracidade das emoções (Donen encontra Cassavetes). Aqui, faz o mesmo, mas com o "film-noir" - "Out of the Past", "Detour" - o filme até parece uma batalha entre a fantasia e a realidade (os arrastamentos fantasiosos das árvores e dos edifícios vs. a demanda de DiCaprio - mais do espectador), a técnica serve os propósitos do argumento e da realização, sempre. Aqui nenhum efeito é deixado ao acaso nem está deslocado. O filme, como demanda pela verdade, diz-nos que Verdade há só uma, como "Rashomon" nos dizia mas de maneira diferente, e não me parece, como já ouvi dizer e como já li, também, que haja um final em aberto. Mais fechado, é impossível: "is it better to live like a monster, or die a good man?" Arrisco dizer que é o melhor Scorsese desta década (que para mim, ainda não acabou: o ano zero, como se sabe, existiu)...
Aproveito para dizer que os meus Scorseses favoritos são o "Casino" e o "Raging Bull" - dois "filmes do caralho" (é a única expressão que lhes faz justiça) - e como o "Shutter" foi o melhor filme que vi estreado este ano, em Portugal, falo, ainda, de estreias anteriores:
Vi o "Un Prophète" e gostei, também, bem como do "The Road" (distanciam-se o mais que podem de facilidades e de mainstream, mesmo que isso se note neles ainda muito - seja na música, seja nos cortes...). Indiferente ao "Up in the Air" (tinha boas interpretações e um bom guião, estava tudo muito direitinho, tudo no sítio, sim, mais não podia estar), indiferente ao "Anticristo" (tinha uma boa fotografia e gostei da raposa e da fauna variada ali aos saltos e aos vôos - bem sei que podemos gozar com tudo e, por isso, peço desculpa a quem gostou do filme, tem virtudes e reconheço-as). Ódio do ano: "Das weisse band" do Michael Haneke - ele e o Trier são considerados autores, mas eu não os acho autores alguns (ao Haneke, ainda assim, vou dar mais uma oportunidade). O "Nine" é o "excremento disfarçado de filme" do ano e se o "Otto e Mezzo" era uma carta de amor à Mulher, este aqui é uma conta de electricidade com 12 meses ou mais em atraso - e ninguém gosta disso...
Fora desta década e noutra liga competitiva, vi o "Planète Sauvage" de René Laloux - uma obra-prima absoluta - e o "Dersu Uzala" do Kurosawa - um grande filme ("Dersu!! - Capitan!!) - vi o "City Girl" do Murnau - tão bom ou melhor que o "Sunrise" (e eu achava-o insuperável) - hei de arranjar tempo para falar dele melhor, aqui, e como deve ser, um dia.
Por fim, vi o "Onde é a Casa do Amigo" do Kiarostami que, com muita esperança da minha parte, será analisado aqui...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 7




O Musical, na década de 80, atravessava a maior crise de sempre. E daí em diante, nunca mais foi o mesmo: durante os quase 30 anos que este "post" aborda, os Musicais "andavam" entre o medíocre e o meramente interessante - da nulidade da obra de Alan Parker (sejam musicais ou não, se bem que não tenhaa visto "Evita") ao mais que péssimo "Mamma Mia", passando pelas interessantes (re)visões que são "Chicago" e "Moulin Rouge" (mas a anos luz de "New York, New York", por exemplo). Para grande infelicidade minha, não vi os últimos Musicais de Jacques Demy, nem a única incursão de Jacques Rivette pelo Musical: "Haut Bas Fragile", de 1995.


Se bem que o legado do Musical se fizesse sentir em muitos filmes fora do género (bons e maus) - da obra de Fernando Lopes à de Moretti, passando pelos videoclips e as filiações que alguns artistas pretendiam marcar com stars dos "fifties": "Material Girl" de Madonna (Monroe e "Gentleman Prefer Blondes") e "Smooth Criminal" de Michael Jackson (Astaire e "The Band Wagon"). 
No panorama de mediocridade e mero interesse destes anos, 4 obras se destacaram. Grandes Musicais? Não, se bem que para um me restem ainda dúvidas, por ter sido feito por um génio.
1. "School Daze" de Spike Lee, de 1988. É o segundo filme de um realizador que, acredite-se ou não, está bastante ligado ao Musical - "She`s Gotta Have It" (o primeiro de Lee) tinha já um número musical e "Malcolm X", na sua imensa confluência de géneros, tinha alguns, também. "School Daze" é o anti-Fame (estreou agora o remake) e o anti-Grease, o anti-praxe. É o anti-simplicidade (seja das emoções ou da sociedade), mas não é, infelizmente, mais que isso. Não é o pior filme de Lee, mas está abaixo dos grandes momentos do talentosíssimo cineasta de Nova Iorque ("She`s Gotta Have It", "Do The Right Thing", "Jungle Fever", "Malcolm X" e "The 25th Hour").


2. "Everyone Says I Love You" de Woody Allen, de 1996. O título referencia uma canção dos irmãos Marx e o filme é, todo ele, uma homenagem ao Género sem, ainda assim, deixar de ser eminentemente "alleniano".


3. "Dancer In The Dark" de Lars Von Trier, de 2000. Chama-se assim para referenciar o número "Dancing in the Dark" (com Astaire e Charise), em "The Band Wagon". Ganhou a Palma de Ouro em Cannes, e encerrou o Milénio em onda de tristeza e fatalismo.

* e no que toca a Trier já estou como diz Jacques Rivette, o gajo sabe que tem talento, mas vive (e há de viver sempre) à sombra de Dreyer. O que não quer dizer que não tenha feito pelo menos uma obra-prima, Dogville.


4. "Pas Sur La Bouche" de Alain Resnais, de 2003. Resnais é um génio, e é por isso que me custa não gostar deste filme como gostei (adorei!) de "Hiroshima Mon Amour" ou "Providence". Adapta um livreto dos anos 20 e é moderníssimo. Filme de público sem deixar de ser de autor (a distinção não faz aqui sentido), e na melhor tradição do Cinema de Lubitsch - Resnais passou, até, um filme do alemão durante as rodagens. Comédia de costumes, divertimento ou momento de lazer de um dos maiores cineastas de sempre? Genial? Agora não consigo responder, mas sei que é melhor que os outros três filmes deste sétimo "post".


Fim da 7ª Parte

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 1

ou

Como um Filme me fez (re)pensar todo um Género:

O filme foi "Les Demoiselles de Rochefort" e este é o meu maior post de sempre:


Quando chegou o som ao Cinema, o primeiro filme sonoro (por assim dizer) foi um Musical -"The Jazz Singer". 2 anos depois, outro musical ("The Broadway Melody") ganhava os Óscares apenas na sua segunda edição e no que aos Óscares diz respeito foram 10 os Musicais que receberam a estatueta de Melhor Filme,e com 82 anos de existência isso significa que mais de 10 % dos laureados são Musicais (se bem que nem sempre da melhor qualidade, é verdade).
Já se faziam curtas musicais durante os anos 20, cortesia de Lee deForest e antes de "The Jazz Singer", a Warner e a First Nacional usando o processo Vitaphone, produziram centenas de curtas sonoras, entre as quais interpretações de bandas e pianistas, mas ninguém estava ainda preparado para a explosão do Musical.
Em 1933 estreia "Gold Diggers of 1933" de Mervyn Leroy e encenado pelo grande Busby Berkeley (hoje em dia não se sabe qual deles é o maior responsável pelo resultado do filme):o Musical da Broadway abordava as feridas da 1ª Guerra Mundial mas o filme, feito na altura da Grande Depressão, pode ser visto como uma metáfora para os acontecimentos de finais de 20, senão veja-se que o filme começa com uma alegria imensa através do número festivo "We`re in the Money" e acaba naquele que é provavelmente o número musical mais terrivelmente pungente de todos os tempos (sim, mais que os de "Dancer in the Dark"), Remember my Forgotten Man:
I don't know if he deserves a bit of sympathy
Forget your sympathy, that's all right with me
I was satisfied to drift along from day to day
Till they came and took my man away

Remember my forgotten man
You put a rifle in his hand
You sent him far away
You shouted: "Hip-hooray!"
But look at him today

Remember my forgotten man
You had him cultivate the land
He walked behind the plow
The sweat fell from his brow
But look at him right now

And once, he used to love me
I was happy then
He used to take care of me
Won't you bring him back again?

'Cause ever since the world began
A woman's got to have a man
Forgetting him, you see
Means you're forgetting me
Like my forgotten man
Não vi vários dos musicais de Fred Astaire e Ginger Rogers. Vi apenas "The Gay Divorcee", mas acredito sinceramente que foram sucessos mais pelo estatuto de estrelas do par do que pela qualidade dos filmes. Não vi "Love Me Tonight" (1932) de Rouben Mamoulian nem "Hallelujah, I´m a Bum" (1933) de Lewis Milestone. Mas destaco os esforços dos irmãos Marx e da Disney, ainda que não possam bem ser considerados Musicais, não no verdadeiro sentido da palavra.



FINALMENTE e a fechar os grandes Musicais antes da equipa de Arthur Freed tomar de assalto o género, 1939 é o ano de "The Wizard of Oz" de Victor Fleming. Toda a magia do filme, o sublimar das cores e a mensagem mais deliciosamente dúbia da história do Cinema através do uso das próprias cores - o Kansas a preto e branco e as cores de Oz. Dir-me ão que o Kansas e Oz são uma e a mesma coisa e que a imaginação de uma criança é a mais explêndida das coisas, mas naquele final há (penso eu) um enorme sentido de perda. "The Wizard of Oz" é o filme com mais poder na cultura popular: as filmagens caóticas, a enorme infelicidade da "child actress" Judy Garland, a "Yellow Brick Road", a "Wicked Witch of the west", as leituras sexuais, as mensagens escondidas. É um filme mágico, sublime e tem já nele toda a fantasia e beleza do Musical, a capacidade de nos levar para um lugar melhor, para escaparmos à realidade enfadonha do dia a dia.