domingo, 25 de outubro de 2009

"O Sangue" - 1989







A noite estava escura
e não tinha luar
Ouvimos lá ao longe
o lobo a uivar
aú, aú, aú, aú, aú
aú, aú, aú, aú, aú

Laughton, Tourneur, Ray, Bresson e Murnau. E no fim, é tudo Costa, hora e meia de enigmas, fábulas e mistérios. Primeira obra, e muito poucos as fizeram assim (Ray, Welles), é também obra-prima, e um dos mais fabulosos filmes (portugueses e não só) já feitos.
É construído à volta do número três: três são Nino, Vicente e seu pai, três são os irmãos e Clara, três são os homens e a mulher do passado do Pai e, finalmente, são três as crianças que nos aparecem em grande plano no início do filme. É com o número três e, particularmente, com o trio Clara/Nino/Vicente que Costa se aproxima de Ray e do trio Jim/Judy/Plato de "Rebel Without a Cause". Mas Costa aproxima-se distanciando-se (ou ao contrário), e se podemos falar de uma família estética do realizador para "o Sangue", a verdade é que ele a mata (no fim, é tudo Costa, é tudo de Costa), tal como Vicente mata o seu pai.

"O Sangue" é um sem fim de perguntas sem resposta: Qual é a maior invenção do Homem (o cinema?), quem são Nino, Vicente e Clara. O que é "O SANGUE"?
É um mistério perpétuo como todos os grandes filmes o são... (e é isto que me apetece dizer agora...)

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