sexta-feira, 2 de outubro de 2009

2004, 2004....


Ano de dois prodigiosos argumentos, pelos vistos: "Crash" e "Sideways": e se há coisas que eu goste menos que maus filmes, são filmes pretensiosos, coisas pequenas que se acham capazes de altos voos, filmes ultra-condescendentes... Argumentistas/realizadores, pois... (onde andam os herdeiros de Wilder e de Fuller na América? só há Paul Thomas Anderson?). Têm bons actores? Claro que sim, mas isso não chega, nunca chegou.
Nesse ano saiu "Spider Man 2" de Sam Raimi. É mau, mas gostei mais...

O Scorsese, o Lee (Spike) e o Mann resolveram fazer os seus piores filmes nesse ano: "Collateral", "The Aviator" e "She Hate Me" (não os acho maus, atenção!), o Depp e o Foxx fizeram grandes papéis em péssimos filmes ("Neverland" e "Ray"), o Pitt lutou contra os troianos e o Damon contra todos em Supremacia, o Nichols e o Jeunet brindaram-nos com mais dos seus filmes de autor (o Ed Wood é mais autor que eles juntos), e claro!, veio o filme do "twist" por excelência: "Saw".

Mas nem tudo foi mau, e nos Óscares ganhou (coisa rara) aquele que era, de facto, o melhor dos nomeados: "Million Dollar Baby". Houve "The Terminal" de Steven Spielberg (homenagem a Tati e Lewis, ao mesmo tempo) e "Hotel Rwanda" de Terry George (e preferia que tivesse sido Cheadle a ganhar o Óscar, não Foxx). Adorei "La Demoiselle d`Honneur" de Chabrol, "Before Sunset" de Linklater e gostei do "2046".

Mas, acima de tudo, 2004 é o ano de uma obra nuclear do Cinema Português, "O Quinto Império". O subtítulo é "Ontem Como Hoje" e é o filme onde Paredes, Camões, Pessoa, Régio e Oliveira se encontram, onde o povo português se encontra a si mesmo, através da figura de D. Sebastião... Oliveira, no Presente ("Ontem como HOJE"), pensa, analisa o Passado, com olhos postos no Futuro... Teatro filmado ou Cinema encenado... A confirmação de Oliveira como um verdadeiro cineasta da Palavra (Rivette, Dreyer).
É o melhor filme de 2004, e um dos melhores do seu autor...


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