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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Ó 2012, é a acabar que já se faz tarde
Para um 2012 de comer e chorar por mais:
- Cave of Forgotten Dreams
- Le Havre
- Holy Motors
- os ecrãs de 4:44 Last Day on Earth
- o DiCaprio como J. Edgar
- o Eastwood ao som de Ray Charles em Trouble With the Curve
- o Stallone a dizer "Rest in pieces" em The Expendables 2
(escolhas acima podem também ser vistas aqui, junto com sete outras listas individuais e uma geral)
(escolhas em baixo só não são de filmes estreados em 2012, porque 2012 veio tarde demais)
- muitos Walshes
- muitos Vidors
- muitos Kaurismakis
- alguns Boettichers
- alguns Resnaises
- alguns Flynns
- alguns Fulcis
- alguns McCareys
- alguns Wellmans
- alguns Rohmers
- alguns H. Lewises
- alguns Dwans
- alguns De Toths
- alguns Cottafavis
(há também que rever, que às vezes é como ver pela primeira vez):
- Chaplin
- Tati
- Rivette
- Jerry Lewis
- Oliveira
- Carpenter
(e...)
a Twilight Zone, o Matt Johnson e os The The, o Melville, o Conrad, o Musil e o Joyce, o Huston e o The Dead em película, a Filmoteca, a Cinemateca, a árvore dos abismos do Monteiro no Jardim do Príncipe Real, a Centésima Página, a FOCO, o KG, o Transmission, o disco rígido cá de casa, o Beijo de Judas do Caravaggio, a Billie Holiday, o Isaac Hayes, o VLC, o Simple Comic, as músicas dos giallos e dos spaguettis, o Screamin' Jay, o Mahler, o Zipeg. As moelas, os cafés e os cigarros deste ano.
Não houve cá concertos no vinte-doze. Agora só saio para romarias.
vídeo de TuCanudo do ano
Mais listas listas: 1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6
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Werner Herzog
domingo, 16 de dezembro de 2012
ENCOUNTERS AT THE END OF THE WORLD (2007)

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There is a beautiful saying by an American philosopher, Alan Watts. He used to say that through our eyes the universe is perceiving itself, and through our ears the universe is listening to its cosmic harmonies. And we are the witness to which the universe becomes conscious of its glory. Of its magnificence.
Stefan Pashov, no filme
Se as ficções recentes de Herzog não me tinham convencido totalmente (há que revê-las urgentemente), agora levo na cara outra vez com o "ficção e documentário são uma e a mesma coisa". A questão nem se põe. Filmam-se medusas e seres-humanos num bailado cósmico sem saber que mais segredos nos estão reservados, um pinguim a aventurar-se doido pelo gelo mortal da Antárctica e os travellings como se caminhos para as descobertas profundas fossem. E é destas incertezas e hesitações que nasce a ficção, como vislumbres para odisseias épicas a que só timidamente nos aventuramos.
É preciso saber, é preciso lembrar que para se fazer narrativa, há-que descrever um arco em que se suporta e engloba todas as coisas. Tudo tem o seu lugar. Retenho, portanto, o olhar abismado de Stefan Pashov - filósofo e empilhador - e que é esboçado pelos contornos do mar mais profundo e da montanha mais íngreme. Um ser de corpo inteiro.
"Filme montanhas, meu querido amigo. Quando tiver aprendido a filmar a natureza, saberá filmar os homens." (Lubitsch dixit)
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Werner Herzog
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
"Bad Lieutenant" - 1992

Construído em torno da interpretação de Harvey Keitel como o bad lieutenant do título, muito cedo no filme se transcende a noção de guião e interpretação. É a obsessão de Ferrara por um polícia corrupto e suas acções em sociedade e filme que não pretende (nunca) denunciar condutas ou comportamentos (pelo menos não mais que os expôr, à distância - a câmara não fabrica emoções, tenta captá-las ).
Cedo, também, no filme, nos apercebemos que não podemos julgar o lieutenant, não só por ser uma alma em suplício e em conflito constante consigo mesma mas também por tal personagem nos fazer entender que nas circunstâncias propícias, o ser humano é capaz de tudo. Há aqui uma moral languiana, por assim dizer, e não deixei de ver semelhanças entre o Beckert atormentado de M e este tenente do filme de Ferrara, por exemplo.
Não sei se Ferrara acredita em Deus ou não, mas como dizia já Rivette sobre Dreyer, os filmes acreditam por ele, há uma espécie de ligação com o divino por parte dos personagens (e quando digo os filmes, falo só deste e de The Funeral, que bem vistas as coisas se podia chamar O Sangue) que os acaba por redimir, ainda que violentamente, drasticamente, em relação aos outros e a eles mesmos (penso em Keitel e Chris Penn), as suas últimas acções anulam as primeiras, ou assim nos faz pensar Ferrara...
Outra maneira de ver as coisas, e aqui só no que a Bad Lieutenant diz respeito, é ligando o destino de Keitel às apostas que constantemente fazia (e se calhar nem é preciso ligá-las, elas estão "visceralmente" ligadas). Gozando (jogando) com o perigo e a morte de forma infantil e inconsciente, o jogador tem inevitavelmente de perder e a sorte, quando acaba, acaba da pior das maneiras. Quando Keitel apostava naqueles jogos, fazia-o automaticamente como se disso dependesse a sua existência. Apostava a vida. Tudo ou nada...
PS: O remake do Herzog é um revirar de todas estas questões, um olhar cínico e divertidíssimo (coisa que, a ler críticas, não estava à espera) à corrupção e ao sistema com um Cage que parece uma fusão entre um Dude e um Nosferatu - coisa indescritível, porque é que não houve Óscar nem nomeação, pergunto. É o exacto negativo do Ferrara, é o que um remake pode e deve ser...
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