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sábado, 4 de maio de 2019

WALSH Raoul (1887-1980)



por Jean-Pierre Coursodon e Bertrand Tavernier

Nascido a 11 de Março de 1887 em Nova Iorque, onde se estreia como actor de teatro em 1910. Contratado como actor e assistente pelos estúdios Biograph, trabalha lá com Griffith. Interpreta o papel de John Wilkes Booth, o assassino de Lincoln, em O Nascimento de uma Nação. Também é Griffith que o envia até ao México para rodar cenas documentais de The Life of General Villa (co-realizado por Christy Cabanne), que mistura reconstituição e cenas filmadas no local em que Villa interpreta o seu próprio papel. Na sua auto-biografia (Each Man in His Time), Walsh conta que pediu a Villa para adiar uma série de execuções para que tivesse luz suficiente, dada a sensibilidade da película. Em 1914, Walsh realiza vários filmes de duas bobines para a Mutual. Começos na Fox em 1915 com a sua primeira longa-metragem, Regeneration. Roda todos os seus filmes para a Fox até 1920. 1921-1922: roda dois filmes para a sua própria companhia de produção. 1925-1933: novamente sob contrato com a Fox. 1935-1939: sob contrato para a Paramount. 1940-1950: sob contrato para a Warner, onde roda 21 filmes. Falecido a 31 de Dezembro de 1980 em Simi Valley (Califórnia).

Na sequência de um erro de James Wong Howe, atribuiu-se-lhe a nova rodagem e a re-montagem de Walking Down Broadway de Stroheim. Na verdade, este trabalho foi efectuado por Alfred Werker. Por outro lado, está agora provado que retomou The Enforcer, começado por Bretaigne Windust, cuja realização e visão do mundo dos gangsters foram consideradas muito brandas. Segundo o produtor argumentista Martin Rackin, ele teria rodado a quase totalidade do filme, um pouco menos segundo Zero Mostel e Ted de Corsia. Em Velvet Light Trap, ele declara ter rodado e não assinado um filme com Bette Davis. Contrariamente ao que foi afirmado, não colaborou nos filmes Warner San Antonio (David Butler, 1945), Stallion Road (James V. Kern, 1947) e Montana (Ray Enright, 1950). Mas dirige a última sequência, claramente mais ritmada, de In This Our Life (John Huston, 1942) e, segundo Bezzerides, grande parte de Action in the North Atlantic (Lloyd Bacon, 1943).

*

A obra de Walsh talvez seja vítima, em primeiro lugar, da personalidade cheia de côr do seu autor. As suas qualidades mais profundas estão como que enterradas numa avalanche de aventuras truculentas, de peripécias lendárias que constituem a maior parte da sua auto-biografia, como que desvanecidas a favor da imagem que ele adorava dar de si mesmo. Gregory Peck contou-nos que ao entrar de surpresa no quarto de Walsh durante a rodagem de Captain Horatio Hornblower, o viu esconder o livro que estava a ler: O Vermelho e o Negro. E Peck acrescentou: "Eis uma reacção típica de Walsh: querer tentar esconder uma verdadeira cultura por trás da aparência de corsário, aventureiro obstinado e amante de cozinha."

Não que seja necessário minimizar todo este pitoresco. Tem um papel demasiado importante nos seus filmes. Mas também pode constituir uma máscara que lhes camufla o sentido e a originalidade. Portanto tentemos arrancar esta máscara, não sucumbir ao folclore. Hollywood produziu outros aventureiros igualmente extravagantes - Huston, Fleming - cujas realizações não têm nada que ver com as de Walsh.

Um dos clichês mais persistentes e mais redutores consiste em rotulá-lo de uma vez por todas entre os «mestres do cinema de acção», assimilar o seu estilo à rapidez da sua narração, fazer dele em suma o arquétipo do cineasta da Warner. Uma espécie de super Lloyd Bacon, de Curtiz ao quadrado. Tem ritmo para dar e vender, é certo. A maior parte do tempo impõe e mantém um andamento cuja fundação, pulsação e tom evocam equivalentes apenas no jazz: a secção rítmica de Count Basie, Max Roach e Art Blakey. Impulsiona literalmente os seus actores - como eles os solistas - para o centro da acção, da cena e do conflito, acentuando e decuplicando a rapidez dos seus movimentos com a decupagem e com constantes movimentos de câmara, geralmente ultra-rápidos. Ele não acelera o movimento de forma artificial, contrariamente a um hábito da casa, com grandes planos encadeados, efeitos visuais e elipses. Não abusa nem do diálogo em staccato, nem dos efeitos de montagem. Só que o ataque do mais pequeno plano, o ângulo que inaugura ou encerra uma sequência dão prova de uma concisão incrível, de um espírito de síntese surpreendente. Fica-se com a impressão de que a câmara é colocada de maneira a que o caminho entre a emoção procurada (riso, lágrimas, exaltação) e o espectador seja o mais directo, o mais puro e o menos anedótico. Uma das suas figuras de estilo favoritas é o travelling frontal rápido, a maior parte das vezes em contra-picado, que vai dramatizar um detalhe, uma reacção e dinamizar uma entrada em campo: em They Died With Their Boots On, por exemplo, Olivia de Havilland sai bruscamente de campo durante um dos seus primeiros encontros com Flynn, deixando-o sozinho no enquadramento; Walsh faz então o raccord com um movimento de câmara a aproximar-se da jovem que se dirige para casa, movimento que se inicia antes de Flynn entrar novamente em plano. O efeito restitui simultaneamente a impulsão emocional, traço de carácter dominante de Custer, que o desvia sempre para outra realidade que não a guerreira, a atracção súbita que os dois jovens sentem um pelo outro e a determinação de Olivia de Havilland, que se torna o eixo da cena.

Este domínio sobre o andamento também o permite jogar com as inverosimilhanças e com as extravagâncias do argumento. Assim, em Desperate Journey, a mise en scène consegue dar um verdadeiro brio, transformar num exercício de alta voltagem perfeito no seu género uma história alegremente novelesca à qual Vincent Sherman, primeiro realizador abordado, queria injectar - perguntamo-nos como - realismo e um lado «humano». A estas ambições misteriosas, preferimos largamente o memorando de Walsh a sugerir criar entre as personagens «um sentimento próximo do dos mosqueteiros»; ele vai inventar mesmo uma morte à Porthos para Alan Hale.

É certo que Walsh se sentia muito à vontade na Warner, que assimilava facilmente os princípios dramáticos caros a esta firma (ainda que as suas qualidade mais pessoais atravessem e alimentem um bom número de obras anteriores a 1939 e em particular Regeneration, O Ladrão de Bagdad, Me and My Gal, vários momentos em The Bowery, Wild Girl) para os transcender. Raramente confunde rapidez e tremor. Paradoxalmente, o que caracteriza mesmo algumas das suas obras-primas (The Strawberry Blonde, Gentleman Jim, Pursued, They Died With Their Boots On), apesar da sua extrema vivacidade narrativa, é uma impressão de grandeza, de majestade, de plenitude harmónica. E no entanto os planos gerais com grande figuração evitam todos os enfeites, toda a ostentação (a partida sobre um pontão em Gentleman Jim, o anúncio da guerra civil em They Died). Walsh não exibe os seus meios, não nos convida a fazer turismo pelos seus cenários, não procura contabilizar o que custaram. É o anti-Selznick. Para ele, a arte não se mede em termos de dimensão, de peso ou de magnitude. É uma questão de proporções. Temos vontade de lhe aplicar o belo elogio que Gounod fez de Berlioz exaltando a sua qualidade mais secreta, a mais paradoxal, a que mais lhe invejava: a elegância («essa elegância que se esconde por trás da ebulição, da invenção lírica, o esplendor orquestral com as suas vagas quebrantes»). Walsh insistirá sempre na importância do andamento face à progressão dramática. Numa entrevista publicada na Velvet Light Trap, declarou: «Nunca se deve deixar o público à nossa frente, é preciso tomar sempre a dianteira.» E acrescentou: «É preciso saber acelerar e também quebrar o ritmo... Em White Heat, senti que era necessário um momento lento... É a cena na borda da floresta. Precisávamos de um monólogo ou qualquer coisa semelhante antes de recomeçar... De ver se conseguíamos colher alguma simpatia pelo personagem em vez de carregar, carregar, carregar.» Durante estas paragens, Walsh quebra bruscamente a progressão dramática, muda de registo, de andamento (aí ainda se impõem as comparações com os músicos de jazz). Esses momentos podem ser pausas que permitem passar da comédia à emoção, do riso às lágrimas (a chegada de John Sullivan depois da sua derrota, o seu último e comovente encontro com Jim Corbett em Gentleman Jim) ou apertar e re-centrar a acção: os reencontros muito comoventes num parque, de Olivia de Havilland e James Cagney depois da saída deste da prisão (The Strawberry Blonde); a sequência-relâmpago de They Died durante a qual Custer, na véspera de Little Big Horn, vai saudar o seu mais mortal inimigo, o traficante e especulador Sharp, para o levar na sua missão suicida. O rigor inelutável dessa cena, o seu controlo, a sua tensão dramática, a modernidade das interpretações de Arthur Kennedy e Flynn, este último assombroso pela violência interior e pela concentração trágica, a maneira com que Walsh faz descer o volume das vozes para aumentar a violência do confronto, todas estas qualidades têm pouquíssimos equivalentes nos westerns da época (com a excepção do Ford de Drums Along the Mohawk). Estas rupturas, estes abrandamentos dramáticos como os encontramos em Pursued, The Man I Love, Band of Angels, Os Nus e os Mortos e Colorado Territory põem a nu as tensões e os conflitos. Longe de constituírem instantes de repouso, de descontracção, são prelúdios trágicos como que habitados e assombrados pelo drama que se está prestes a cumprir.

Estes parêntesis também podem ditar o tom de todo um filme, provando definitivamente que Walsh não confunde ritmo e velocidade. Ao longo de toda a sua carreira, ele manifestou uma predilecção pelas crónicas deambulatórias, pela acumulação de esboços, de anotações, de intrigas paralelas, de digressões cómicas ou sentimentais: O Ladrão de Bagdad, O Preço da Glória, Me and My Gal, The Big Trail, Battle Cry. Nos anos 50, esta tendência vai-se tornar cada vez mais importante, a narração será feita de forma cada vez mais livre (The Tall Men, Band of Angels), de forma cada vez mais despreocupada (The King and Four Queens, Marines, Let's Go). Mas mesmo em pleno centro do período Warner, ele vai assinar obras desprovidas de acção (The Strawberry Blonde), com progressão dramática mais tranquila (The Man I Love, They Drive by Night) e que se contam entre as suas melhores.

Esta propensão para o passeio, desde que a dinâmica interna que deve unir estes fragmentos esteja ausente, pode resultar num excesso pleonástico entre material e tratamento. Cada parte torna-se mais importante que o todo e fica-se com uma sensação de atropelamento. Este defeito paralisa por exemplo Barba Negra, o Pirata, filme de piratas muito medíocre com cenários aterradores, e de forma diferente e mais curiosa The King and Four Queens, e anestesia os sucedâneos de What Price Glory : Woman of All Nations, The Cock-Eyed World. Este último dura praticamente duas horas a partir de um tema infinitesimal, continuação de esboços descosidos que animam as mesmas brincadeiras incansáveis, os mesmos confrontos entre Edmund Lowe e Victor MacLaglen, pelos belos olhos de raparigas intercambiáveis. Quando uma situação parece esgotada, uma ordem de missão nova envia-os para um país novo. O resultado é certamente «pessoal» (até à paródia) e totalmente desprovido de interesse, o que não é contraditório. Esta jovialidade gracejadora, este humor macho, grosseiro quando não leva a nada, como é aqui o caso, representa uma das qualidades mais superficiais de Walsh, justamente uma das suas máscaras.

É que, nos seus grandes filmes, a acção nunca se confunde com uma aglomeração de peripécias qualquer. Para as suas crónicas emocionais como para os seus westerns, os seus filmes de género ou de aventuras, pode-se retomar aquilo que Jacques Lourcelles dizia de forma tão justa sobre Objective, Burma! (in "Présence du cinéma" nº 13): «Não conseguiríamos enumerar o que Walsh não quis que o seu filme fosse: cântico de vitória lírico ou cruel, apelo cerimonial pela paz ou pela guerra, conflito simbólico de caracteres. Objective Burma não é nada disso; mas talvez seja isso tudo junto, numa trama tão cerrada que as virtualidades se destroem umas às outras.» E acrescenta: «O seu cinema não detalha as feridas. Vê-as a aproximarem-se devagar. Aliás, o filme na sua totalidade deseja desenhar o movimento dessa cicatrização.»

Ele sabe organizar as cargas, as cavalgadas e as batalhas no espaço menos como estratega que como visionário. A sua mise en scène abre-se constantemente sobre o mundo com uma energia abundante, dramatizando a luta entre a evidência e o caos. Este «cineasta do relâmpago e das forças telúricas» (É assim que o define o comentário do belo filme de Pierre Rissient, 5 et la Peau) impõe desde o início uma abordagem cósmica da natureza e dos dramas que aí se vão desenrolar. Lembremo-nos das suas marchas na selva em Burma e Distant Drums, dos seus surtos de cavaleiros no topo de uma colina de Band of Angels, Battle Cry, Distant Drums, da abertura de White Heat e de Silver River, da batalha de A Distant Trumpet, uma das mais belas da história do cinema. De resto, é apaixonante comparar o tratamento dos exteriores nos seus westerns com o de outros realizadores. As suas paisagens nunca traduzem essa ligação melancólica e poética ao solo cara a John Ford. Não têm a importância estratégica que Mann lhes confere, mesmo nos prolongamentos psicológicos. Não são filmados com o lirismo elegíaco de Daves ou o despojamento de Boetticher. Walsh vincula-se sobretudo à força metafísica que eles emitem, às relações simbólicas que eles mantêm menos com o estado de alma dos protagonistas do que com o movimento interior da cena: A Cidade da Lua, os imensos rochedos no final de Colorado Territory tornam-se um monumento imenso, à medida do amor e da revolta do casal perseguido (aí a realização é mais inspirada do que em High Sierra). As ruínas do começo de Pursued anunciam desde logo o clima de pesadelo e de desolação moral que será o do filme. Os plateaus desertos de A Distant Trumpet transformam as últimas sequências, para além de um argumento balbuciante, numa cantata fúnebre; a praia branca e a cor da água concretizam em alguns planos esse «Paraíso perdido» que é a cabana de Wyatt e que se tornará mais tarde o seu último refúgio (Distant Drums).

Esses rochedos, essas florestas e essas montanhas são apreendidas não só como o quadro e o lugar da acção, mas como o seu contraponto, o seu prolongamento cósmico. Há um panteísmo épico nesta visão que não trata os cenários como locais de passagem, ou um ambiente mais ou menos estético, mas como o centro vital da acção (a decupagem da cena da granada em Objective, Burma!, a este plano, é exemplar). Como nota Alain Masson: «A oposição da execução e da erupção tem uma função capital na maneira com que ele organiza o visível.» ("Dictionnaire du cinéma", Larousse, 1986). Novamente, podem-se citar várias sequências de Burma, They Died ou Sea Devils em que se assiste a um verdadeiro investimento na paisagem, a um corpo a corpo entre homens e a natureza (a travessia do rio em The Tall Men).

Um de nós assistiu a um encontro apaixonante entre Alexandre Astruc e Raoul Walsh. Astruc, que tinha visto mais de dez vezes The Naked and the Dead antes de começar La Longue Marche, queria saber a qualquer preço como é que ele tinha conseguido obter essa relação com a paisagem, essa verdade nas cenas de acção. Sentimos Walsh surpreendido por um realizador ver o filme de outro várias vezes antes de rodar, mas depois de ter agradecido a Astruc respondeu que não fazia repetição alguma. Depois de ter dado as suas indicações aos actores e aos figurantes, rodava imediatamente «para que não houvesse nada de mecânico. Só se recomeçava se se desperdiçasse o plano inteiro. Caso contrário, mantinha o que havia de bom, montava-o na cabeça e partia daí.» Aplicou o mesmo método em White Heat para a sequência prodigiosa do esgotamento nervoso de Cagney quando sabe da morte de sua mãe. Escondeu dos duplos o que Cagney ia fazer e vice-versa, contentando-se a dizer a este último «Tu ganhas a porta a qualquer preço». Com cinco câmaras (admiravelmente colocadas), a totalidade da cena foi rodada num plano e em meia manhã.

A primeira coisa que impressionava em Walsh, quando o encontrávamos, era a sua ausência de preconceitos, a sua largura de visão. De todos os cineastas da sua geração que conhecemos, era um dos mais abertos, um dos menos paralisados pelas tendências ideológicas. Nunca se entregou a piadas racistas como Hawks (que comparava os líderes negros aos macacos do zoo). Pelo contrário, sonhava em visitar a China, até mesmo em rodar um filme sobre a Grande Marcha.

Esta abertura de espírito explica por vezes a sua não-discriminação diante de certos temas que lhe propuseram (especialmente nos anos trinta) e em que aceitava naturalmente o estado de espírito das personagens. E também a sua capacidade de integrar organicamente todas as inovações, fossem elas técnicas, visuais ou dramatúrgicas, sem nunca as «publicitar». Assim, filma com uma evidência inaudita na sua simplicidade os magníficos cenários estilizados e sofisticados de William Cameron Menzies em The Thief of Bagdad, que é preciso ver na sua cópia tintada com nuvens que ganham cor e depois a perdem. Dominou imediatamente os 70 mm a partir de 1930 (o processo chamava-se de facto «Grandeur») assim como foi o primeiro a utilizá-lo para The Big Trail. Segundo o crítico Dave Kehr, o visionamento desta obra numa cópia finalmente restaurada pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e apresentada no seu formato original é uma revelação. Descobre-se um filme totalmente diferente, de tendências rosselinianas: o uso do espaço para fins documentais, do ecrã largo para realçar a simultaneidade dos trabalhos e das tarefas quotidianas, o respeito pelo tempo real, especialmente nos planos muito impressionantes que descrevem a travessia por uma escarpa pelas carroças. Enquanto os heróis escalam uma colina, apaga-se um fogo no fundo, arrumam-se as coisas e toda essa vida relega para segundo plano a intriga simplória e o diálogo desajeitado.

Também não se vai sentir desorientado diante das implicações freudianas muito novas para a época ou o tom negro e gótico de Pursued, que assimila com uma facilidade espantosa e sem nunca os enfatizar. Parece estar no seu elemento natural, orquestra o trágico deste conto de amor e de morte (em que o argumentista Niven Busch se inspirou visivelmente, repitamo-lo, por The Master of Ballantrae de R. L. Stevenson) com um rigor e uma maestria que fazem dele o protótipo paradoxal do filme maldito que nunca conseguiu ser reconhecido como tal (podemos bem manter que é o seu Under Capricorn). Revimo-lo várias vezes e, a cada visionamento, parece-nos sempre tão novo, tão pouco datado. Estas qualidades encontram-se num dos seus primeiros filmes, Regeneration, fantástica descoberta que devemos a William K. Everson: Walsh tinha assimilado perfeitamente a linguagem e o estilo de Griffith e talvez mesmo ultrapassado o seu mestre. Nesta história de gangsters, talvez a primeira da história do cinema, a mise en scène associa montagem e movimentos de câmara - estes últimos de uma rapidez e de um alcance assombrosos - com uma sofisticação que não se encontra em Griffith. Rodado inteiramente em exteriores na Bowery e nas margens do Hudson (a briga num pátio em que estendem lençóis é o testamento de uma invenção visual inaudita), esta obra-prima desconhecida talvez seja, como diz Everson, o primeiro ensaio naturalista cinematográfico. Certos toques anunciam Stroheim, antecipam o film noir dos anos quarenta e prefiguram outros títulos de Walsh, entre os quais The Bowery, claro. Surpreendemo-nos com a gravidade sombria e rigorosa do tom, a leveza da invenção poética, a audácia da fotografia. Na sua auto-biografia, Walsh conta que, antes de filmar uma cena de incêndio a bordo de um barco, encheu-o de verdadeiros vagabundos, destroços humanos (que já tinha usado como figurantes nas sequências que se desenrolavam «nas docas») e mulheres e lançou-os todos para o Hudson. Nas rushes, apercebeu-se que a maior parte das mulheres que tinham saltado à água para escapar às chamas não estavam a usar roupa interior. Para escapar à interdição, teve a ideia de a desenhar sobre a película... Depois desta descoberta gostávamos mesmo muito de ver os seus outros filmes mudos, o que parece difícil. John Ford declarou-nos que um dos filmes dele que o influenciou e impressionou mais foi The Honor System, que infelizmente parece ter desaparecido, tal como The Strongest, em que adaptava um romance de Georges Clemenceau (Les Plus Forts), cujas personagens principais eram um marquês, um jovem americano, uma rapariga e grevistas que a mantinham prisioneira.

Aqueles que conseguimos ver denotam uma energia pouco comum, que nada pode inibir ou pôr freio. Produz-se até uma tensão entre o material e o tratamento, que vai diminuir à medida que a sua carreira progride. Ela aparece mais claramente nos filmes mudos e nos primeiros falados, altura em que não pensava em disciplinar e em conter a sua exuberância formidável. Dava-lhe livre curso, sem se preocupar minimamente com a natureza real do tema que tratava. Carmen torna-se assim uma colecção de efeitos de slapstick típicos de Dolores Del Rio e somos tomados de surpresa quando Walsh muda bruscamente de tom na primeira bobine, passando sem transição da comédia ao melodrama. O final no quarto de Carmen, magistralmente dirigido e estilizado, é o ponto culminante do filme, mas apesar disso destoa com tudo o que o antecede. No entanto, ele renova verdadeiramente esta história um bocado repetida. Em What Price Glory, uma mudança de registo e de cor idêntica reforça e limita as ambições desmistificadoras do filme (Esse gosto pelo duplo - tema, tom - vai persistir em toda a sua filmografia). A intrusão da guerra e das cenas de batalha magistralmente dirigidas parece quase deslocada depois das altercações cómicas da primeira parte. A narrativa quase abstracta até esse momento vira-se para o realismo. Podemos facilmente criticar estas tendências ou defendê-las, dependendo se considerarmos que são extraídas de uma dramaturgia de argumento hábil e fabricada ou que, pelo contrário, se referem metaforicamente ao realismo mais restrito. Um livro tão documentado e tão autobiográfico como La Peur de Gabriel Chevallier afirma que tudo era desculpa para rir quando não se estava na linha da frente, nem que fosse apenas para descomprimir. Acrescentemos que várias cenas não carecem de poder. De movimentos de câmara formidáveis que compensam algumas palhaçadas intempestivas e essa exaltação fatigante da amizade viril. Em contrapartida, é melhor esquecer In Old Arizona, do qual 80% são consagrados a gracejos de gosto discutível, tal como em The Cock-Eyed World. O gosto do cineasta pela exuberância sul-americana não tem limite algum nestes dois filmes e ao lado de Lili Damita, a interpretação de Dolores Del Rio em Carmen parece bressoniana.

Mas Walsh também era capaz de rigor, mesmo que fosse na fantasia, como o prova o admirável The Thief of Bagdad. A influência de Fairbanks é capital, certamente, mas a mise en scène sabe-a transcrever em termos visuais, dar-lhe a sua própria poética. De qualquer forma, é interessante constatar que ele tinha atraído a atenção da crítica no final do mudo pelo começo dos anos trinta tanto por The Thief of Bagdad ou What Price Glory como por Sadie Thompson (já tinha adaptado Maugham em East of Suez). O futuro realizador Jean Sacha, na altura crítico na L'Ami du Film, classificava-o entre os melhores cineastas do seu tempo e elogiava «o seu estilo muito reconhecível, especialmente em The Yellow Ticket cujos travellings magníficos não igualam sempre os de What Price Glory.». Gabava merecidamente «o sentido dos exteriores e o lirismo de Wild Girl», o ritmo de Sailor's Luck e sobretudo de Me and My Gal, «esse outro sucesso do realizador de What Price Glory».

É preciso dizer que, desde o mudo, a sua estética manifesta um espírito de síntese excepcional, recusa sacrificar o efeito pictórico, privilegiando uma verdadeira dinâmica visual. Desde Regeneration, impõe as suas figuras de estilo favoritas: câmara no chão ou muito baixa, comprimento focal curto, importância primordial das linhas de fuga e das diagonais na composição de um plano, a relação desse plano com o seguinte, os deslocamentos das personagens e dos figurantes no interior do enquadramento. As entradas e saídas de campo raramente são frontais (ou então uma panorâmica rápida «rompe» o ângulo de visão), preferindo jogar a mise en scène com a profundidade e com as linhas de força perpendiculares em vez das laterais: o primeiro encontro de Custer e Elizabeth (They Died), Mitchum a deixar o mercado passando por trás dos recrutas que se acabam de voluntariar (Pursued), a progressão dos soldados em Objective, Burma! e The Naked and the Dead que passam o tempo a afastar-se e a aproximar-se da câmara. Sempre que pode, Walsh quebra a simetria, a distância durante um travelling, entre a câmara e o actor que segue ou antecipa (a corrida de Cagney no final de The Roaring Twenties). Quando o tema o força a usar vários movimentos de acompanhamento, ele perturba de seguida a perspectiva dando uma grande importância aos primeiros planos e aos amorces. Assim, em Objective, Burma! os soldados são frequentemente mascarados pelas folhas, pelos ramos de árvores, trepadeiras e plantas exóticas. Estas perspectivas traduzem fisicamente a solidão, a claustrofobia e a sensação do perigo, façanha visual assombrosa (quando se considera que o filme foi rodado num rancho da Califórnia, na Nova Jérsia e em estúdio), pela qual é preciso creditar de igual forma o director de fotografia, James Wong Howe. (Assinalemos de passagem que o vídeo da Warner é mais longo perto de 20 minutos do que todas as cópias exploradas na França.)

Esta maestria do espaço (da qual nos é dado um exemplo espectacular lá para o fim de The Enforcer) permite a Walsh investir o cenário de tal forma que já parece conter e anunciar o destino dos seus heróis, e intensificar os seus impulsos, que os empurram a ir perpetuamente para a frente. Sempre em movimento (viagens, missões), percorrem distâncias imensas, passam do Montana coberto de neve ao Texas deserto (The Tall Men), do Este ao Oeste (They Died, A Distant Trumpet), atravessam paisagens completamente diferentes (Colorado Territory, High Sierra) e enfrentam os pântanos (Distant Drums) e a selva (Objective, Burma!). São precipitados para estas deambulações, para estas corridas fatídicas, por decisões instintivas ou irracionais tomadas extremamente rápido - pode-se tratar de endireitar uma situação, reparar um erro, alistar-se para uma nova aventura -, um sonho de heroísmo, uma ambição generosa (aos quais se mistura às vezes uma irresponsabilidade imatura, infantil), uma assombração obsessiva: a de Jeb Rand em Pursued leva-o a atravessar desfiladeiros e colinas na direcção de uma casa em ruínas. Esta relação com o mundo exterior, essencialmente épica, traduz uma ambivalência que tem por efeito sublinhar em vez de atenuar a desproporção entre as personagens e a natureza, como nota Roger McNiven na Velvet Light Trap nº15. Elas são engrandecidas e esmagadas por esta, que, longe de simbolizar o Paraíso Perdido como em tantos filmes americanos, é entendida simultaneamente como um refúgio e uma armadilha, como um quadro sumptuoso propício às acções heróicas e como um túmulo que vai acolher Wes McQueen (Colorado Territory), Custer (They Died) e os índios de A Distant Trumpet, um local de sonho e de meditação (Band of Angels). Os heróis de westerns de Walsh não procuram colonizar esta natureza para fundar lá uma dessas comunidades caras a John Ford; também não a ignoram como esses pequenos grupos de profissionais hawksianos que vivem em isolamento. Erram por lá, sulcam-na até que tenham saciado a sua paixão e a sua ambição, levado a bom porto a sua missão. Encontramos praticamente o mesmo esquema nos seus filmes de guerra ou de aventuras (Battle Cry, The Naked and the Dead, The World in His Arms). Durante os anos cinquenta, a partir de Pursued, essa ambição torna-se mais negra, mais agitada. Lidamos com «uma pintura de excessos do herói, do impasse a que esses excessos o levam e que, removendo-lhe toda a humanidade, o fazem voltar a encontrar no fim da viagem o mal-estar de que queria sair» (Lourcelles).

No entanto, é inútil procurá-la na maior parte dos filmes dos anos trinta, década particularmente calamitosa que constitui o nadir da sua carreira. Passa de um melodrama moralizador (The Man Who Came Back, que encadeia inversões estúpidas com peripécias idiotas de forma imperturbável) a comédias musicais (género que nunca o irá inspirar, como o provam mais tarde One Sunday Afternoon, remake medíocre do magnífico The Strawberry Blonde e The Horn Blows at Midnight) de particular mau gosto: Going Hollywood, Artists and Models, Every Night at Eight, em que se ouve no entanto I'm in the Mood for Love e em que se assiste a um número assombroso que, à falta de outro adjectivo, qualificamos de «galináceo» (trata-se de uma imitação cantada deste volátil por Florence Gill). Vai igualmente assinar um western frouxo, Dark Command, a partir de um romance de W. R. Burnett, adaptado por quatro argumentistas entre os quais o talentoso Grover Jones, é verdade. De resto, gostávamos de conhecer as maquinações obscuras que contribuíram para aniquilar todas as possibilidades do argumento em prol de um «super pacote-surpresa» em que a Republic amontoa o melhor que pode todas as suas estrelas do momento: o casal de Stagecoach (John Wayne e Claire Trevor), o cómico (com tudo o que sugere gags repetidos de forma desajeitada), Gabby Hayes, Roy Rogers e o seu cavalo Trigger (mal se imaginam estes dois na obra de Burnett).

Durante este período, ele trabalha essencialmente na Paramount, onde nem a estética nem os géneros de predilecção lhe convêm. Manifesta de resto uma suprema indiferença pelos produtos e pelas vedetas da casa, contentando-se em registar de modo plácido as brincadeiras irreverentes e de auto-satisfação de Mae West (Klondike Annie). Associar-se a Walter Wanger, apesar de tudo um produtor criativo e inspirador, não o estimula o que quer que seja, mesmo que Big Brown Eyes, o melhor dos três que fizeram juntos, continue um dos filmes que se conseguem ver desta época. Mudar de companhia (o penoso Hitting a New High com a cantora Lily Pons foi produzido pela RKO) ou de país não resolve o que quer que seja: as duas obras que ele dirige na Grã-Bretanha, O.H.M.S. e Jump for Glory, são tristemente anódinas. Na Velvet Light Trap ele declara nunca se ter interessado por filmes musicais[1] («Queria apenas ter a oportunidade de ouvir um bocado de música no plateau.»), mas essa explicação não satisfaz. Parece-nos mais convincente a de Pierre Rissient, que avança a hipótese de, durante esses anos, e depois do seu novo casamento, Walsh ter posto a vida social e mundana à frente das suas exigências cinematográficas. Tem-se a impressão de que tinha a cabeça noutro lugar. Sentimo-lo ausente e sem se preocupar com aquilo que roda. Ao longo da sua carreira ele teve de fazer face a encomendas insolúveis, que se limitou a mostrar serem-no. Mas eram acidentes de percurso, enquanto que ali se está a lidar com uma série impressionante de falhanços. A sua recuperação coincide com a entrada na Warner e, ainda segundo Rissient, com o seu divórcio. Mas mesmo durante Roaring Twenties, filme por vezes brilhante mas terrivelmente desigual e sobrecarregado de cenas sentimentais pedidas de empréstimo, que foram cortadas aquando da reposição na França, ele é repreendido em vários planos por Hal Wallis, que exige mais planos largos, censurando-o de decupar demais em grandes planos (crítica sem sentido quando se pensa em What Price Glory, Me and My Gal, a última bobine de Loves of Carmen) e forçando-o a voltar a rodar uma parte da morte de Cagney (cf. Inside Warner Bros.).

No entanto, a década tinha começado muito bem. Entre 1930 e 1933, ele dirige um número bem grande de obras pessoais, por vezes inspiradas. Elogiámos a beleza visual de The Big Trail, mas a de Wild Girl - pensamos nas sequências que se desenrolam na floresta de sequoias - não lhe fica nada atrás. Me and My Gal, Sailor's Luck e The Bowery transbordam de energia e vitalidade. The Bowery funde com alguma dificuldade dois temas, às vezes quase demasiado, a vida de Steve Brodie, reservatório infindável de anedotas e peripécias, e uma nova versão de The Champ de Vidor com os mesmos actores, Wallace Beery e Jackie Cooper. Nem o argumento nem a mise en scène os conseguem fazer fundir, apesar do dinamismo visual que se afasta das convenções em várias sequências: as bebedeiras colectivas, as rixas que degeneram em combates homéricos e os movimentos das multidões. É preciso ter visto Beery a livrar-se de um intrometido esmagando-lhe uma garrafa na cabeça, praticamente sem olhar para ele nem interromper o que estava prestes a fazer. Sailor's Luck vai mais longe no que diz respeito à trepidação, mas a sua alegria divertida não está isenta de vulgaridade: piadas penosas que tomam por alvo todas as minorias e que se organizam para os ofender a todos, dos italianos aos judeus, passando pelos homossexuais. Vendo vários Walsh deste período fica claro que as leis não são destinadas a proteger estas minorias. Tudo o que se lhes faz (roubar bananas a um comerciante italiano, queimar uma barraca cheia de chineses) não tem consequências. Em The Bowery, Beery ralha com o pequeno Jackie Cooper, que tinha atirado uma pedra para a janela de um «chinoca». Perante as suas lágrimas, ele amolece e autoriza-lhe «uma última pedra antes de se ir deitar». Mais tarde, dois grupos disputam a honra de apagar um incêndio em Chinatown. A disputa transforma-se em luta enquanto os ocupantes da casa em chamas gritam, o que é suposto tornar a cena ainda mais cómica.

Com algum recuo, podemos defender a atitude de Walsh, que já dissemos ser totalmente o oposto de um racista, mostrando que correspondia a uma verdade sociológica. Esses momentos reproduzem, com uma ausência de condescendência rara, um estado de espírito corrente sem mascarar nem os preconceitos, nem o chauvinismo nem o estreitamento de espírito. Poucos filmes capturaram a vulgaridade dos marinheiros em licença com tanta vivacidade como Sailor's Luck. A grande força de Walsh, e já aí voltaremos, é a de estar imediatamente ao mesmo nível que as suas personagens, sejam quais forem as suas origens ou o seu meio. Diverte-se com elas, vibra com elas, aceita-as pelo que são, procurando sempre desculpá-las... Pode-se discutir essa adequação entre a forma e o tema, lamentar que não dê provas de um pouco mais de discriminação na escolha das brincadeiras (voltamos ao eterno problema: pode um filme sobre a vulgaridade não ser vulgar?) e reconhecer o peso ocasional desde que se admita que essa atitude também dá resultados maravilhosos. Em vários momentos de The Bowery e na totalidade de Me and My Gal, ele consegue capturar com um à vontade incrível um lirismo plebeu, uma exuberância picaresca e uma invenção poética que pertencem verdadeiramente a um meio popular, à classe trabalhadora. O comportamento de Spencer Tracy e de Joan Bennett em Me and My Gal assenta em toda uma série de desafios e confrontos expressos não só por réplicas sardónicas, mas por atitudes - gestos, olhares, formas de vestir, de usar um chapéu - de que o filme desenha um catálogo rico e delicioso, e cuja verve e entusiasmo não dizem só respeito a uma tradição de representação cinematográfica mas a todo um sistema de valores - e aí, milagrosamente, a invenção exclui toda a vulgaridade. Há uma cumplicidade fraternal no olhar pousado pelo cineasta nas suas personagens que lhe permite escapar aos clichés do populismo e antecipar alegremente o Becker de Antoine et Antoinette.

Passado para a Warner, Walsh aprendeu indubitavelmente a disciplinar o seu talento e a sua energia com o contacto com produtores talentosos (Hal Wallis, Jerry Wald) e argumentistas estimulantes: E. R. Burnett, John Huston, Philip e Julius Epstein, Niven Busch, Robert Rossen. Claro que teve de enfrentar o habitual lote de projectos condenados à partida por razões de argumento ou de elenco (Cheyenne combina os dois, como mais tarde Saskatchewan na Universal), exigências estúpidas por parte das vedetas: assim, Raft, que já se tinha enganado ao recusar High Sierra e The Maltese Falcon faz de Background to Danger um falhanço ao conseguir que reescrevessem a sua personagem que, de simples cidadão apanhado por acaso numa história de espionagem, se transforma num polícia encarregado pela investigação, distorcendo assim totalmente a perspectiva, a progressão dramática e a originalidade da narrativa de Eric Ambler. Vários filmes sofreram com a censura (Walsh afirma que lhe cortaram sempre 3 ou 4 minutos e em White Heat falava de 10 minutos), The Naked and the Dead e A Lion Is in the Streets com certeza. No primeiro, eliminaram não só a maior parte do striptease de Lili St. Cyr, como vários momentos análogos consagrados às relações entre os soldados e as raparigas («cortaram os nus e deixaram os mortos», disse Walsh); com o segundo ainda foi mais grave: o argumento foi completamente castrado antes da rodagem por medo de um processo com a família de Huey Long, a tal ponto que o realizador suplicou a Cagney que abandonasse o filme, que não tinha mais sentido, e é de pouco interesse[2]. Apesar das suas metamorfoses, é difícil estar de acordo com Rivette quando opõe a liberdade de Buñuel, Eisenstein (!) e Antonioni às «amarras de Dwan, Walsh, Tourneur e Minnelli», sendo os exemplos escolhidos demasiado diferentes (podemos ainda lembrar que Buñuel teve o seu lote de filmes alimentares e que Antonioni, certamente mais «livre» que um cineasta sob contrato, já não filma). Não há aí uma confusão tipicamente francesa entre amarras e limitações?

Em todo o caso, Walsh sentia-se em casa na Warner - «Era o estúdio ideal para um cineasta», escreve ele na sua autobiografia. Acrescenta: «Jack Warner nunca interveio nos meus filmes.» - e bastou tê-lo encontrado para sentir que se devia fazer respeitar para além dos contratos e do sistema: «Assim que um produtor se quisesse intrometer no meu trabalho, deixava cair o meu olho de vidro na minha sopa ou no meu café, e procurava-o com uma colher... Normalmente desaparecia bem rápido.» Para além da anedota, todos os testemunhos fazem o relato de um cineasta preciso, que montava durante a rodagem, gastando muito pouca película para que não pudessem manipular a sua montagem e, segundo vários argumentistas - Burnett, Epstein, Daniel Fuchs - muito preciso e muito articulado em relação ao trabalho no argumento.

Agora, e por «correntes», pode-se perceber o peso mais insidioso das convenções, dos hábitos, uma submissão mais ou menos grande aos códigos narrativos ditados pelos géneros. Walsh não está isento destes defeitos: efeitos cómicos realçados, supostamente para aliviar a tensão dramática, contraponto pitoresco complacente. Numa obra-prima como Gentleman Jim, os planos de recurso que mostram os irmãos Corbett a imitar o combate que se desenrola diante deles fazem figura de pleonasmos. Em Colorado Territory, o argumento que por vezes melhora o original perde-se igualmente em peripécias banais e inúteis (o ataque da diligência, de resto bem filmado, não ficaria deslocado num western Republic em série), em atalhos dramáticos discutíveis que pretendem introduzir um pouco mais de acção: depois do assalto ao comboio, o marshall e os seus homens, cuja carroça foi desengatada, juntam-se a pé de forma extremamente rápida à locomotiva que já percorreu um longo caminho. Walsh, de resto, mostrou sempre uma indulgência culpada pelo argumentista deste filme, John Twist, grande fornecedor de clichés, de diálogos convencionais (ele participou, e é o seu título de glória, em Band of Angels mas assinou os argumentos medíocres de Marines, Let's Go e de A Distant Trumpet, nestes dois casos a pedido do realizador).

A maior parte das vezes, estes defeitos mínimos são varridos pelo fôlego e pela vitalidade da mise en scène, que concede à obra a sua verdadeira estrutura. E para além disso, às vezes é difícil delimitar a fronteira entre o respeito pelos códigos e pelas convenções que fazem parte integrante de uma cultura, de uma visão do mundo, e uma fidelidade a regras e ditames narrativos (que com os cineastas «modernos» se podem chamar de moda, ar dos tempos, snobismo). Confrontado com o mesmo problema, Borges enfatizou o lugar primordial de Kipling e Stevenson, segundo ele dois dos escritores e estilistas mais importantes da língua inglesa e cujo génio tinha sido ocultado durante muito tempo, não parecendo «ambicioso» o suficiente o género em que se destacavam. O mesmo Borges declarou a propósito de Shakespeare: «Não creio que ele pensasse em fazer obras-primas. Pensava sobretudo nos seus actores, no seu público, na história que tinha lido, não sei... em Plutarco ou onde fosse. Fazia obras-primas sem o querer, e também sem se interessar muito; não creio que a imortalidade o incomodasse.» Resolução que se podia aplicar a Walsh quase palavra por palavra.

Na Warner, a partir de '41 e depois de duas primeiras tentativas das quais uma, They Drive by Night, é quase um sucesso (pode-se lamentar apenas a suavização do romance de Bezzerides, que será adaptado por Dassin em Thieves Highway, preferindo os argumentistas Jerry Wald e Richard Macaulay anexar-lhe uma segunda intriga saída de Bordertown de Archie Mayo), dirige quatro filmes importantes num ano, dois dos quais obras-primas: The Strawberry Blonde, verdadeiro clássico da comédia romântica de época, com diálogos cintilantes, em que James Cagney está deslumbrante como dentista ingénuo apaixonado pela «gold digger» Rita Hayworth, e They Died With Their Boots On, biografia muito romanceada de Custer, primeiro encontro com Flynn e um dos mais entusiasmantes. Os outros dois, tão pessoais como os outros, traduzem preocupações bem próximas: como aprender a envelhecer (a morrer) com graciosidade, como se adaptar a uma existência mais quotidiana depois de uma vida de aventuras ou de sonhos. As interpretações de Manpower (Robinson, Raft, Dietrich) são espectaculares, mas o verdadeiro êxito do filme reside na dosagem brilhante entre a tensão eléctrica (sem jogo de palavras) das relações pessoais e uma sucessão incessante de contrapontos que vêm aliviar essa tensão. Mais lírico, mais abertamente individualista, High Sierra sofre de algum peso no argumento, de um sentimentalismo explicativo (o cão pequeno) imposto aos autores pelo produtor Mark Hellinger, segundo Burnett. O argumento mais fiel ao espírito de Burnett é o do remake oficial, I Died a Thousand Times de Stuart Heisler, que ele conseguiu limpar dessas escórias: «Conseguiu eliminar certos diálogos, cortar, comprimir. Em termos de argumento é um filme melhor. Em termos de cinema não, porque Walsh fez um trabalho fantástico.»

Apesar desta sucessão de êxitos, o que deixa sempre perplexos os exegetas é a aparente ausência de constantes temáticas no seu autor, como se a personalidade se pudesse reduzir à fidelidade a um ou vários temas e como se esta mesma fidelidade engendrasse obrigatoriamente uma visão do mundo (poder-se-ia sustentar sem paradoxo que ela a restringe com frequência).

Voltamos a encontrar esta visão na abordagem e no tratamento dos personagens principais que pertencem à mesma família: ambiciosos, mas não materialistas (é todo o tema de The Tall Men), conquistadores e conscientes das suas fraquezas, ferozmente individualistas e preocupados com o colectivo: em Pursued, Mitchum vai-se alistar na guerra contra a Espanha depois de ter perdido ao jogo de cara ou coroa. Não o faz por patriotismo (pelo contrário, quando volta, arranca imediatamente as suas insígnias declarando: «Não tenho de esquecer. Não penso nisso», atitude de espírito muito walshiano) mas «porque tem de ser». Em The Tall Men, Gable abandona Ryan e o saque para salvar pioneiros atacados pelos Sioux. Walsh nunca esconde os limites dos seus heróis: a coragem deles impulsiona-os a acções em que se debatem até à cegueira com a bravura cavalheiresca, tornando-se o gosto deles pelo risco às vezes temeridade irresponsável. Custer, no final de They Died, cai verdadeiramente na cilada armada pelos índios, coisa que Walsh sublinha visualmente filmando-o em picado, esmagado e varrido pelos seus inimigos, enquanto que durante as cargas da guerra de Secessão ele era sistematicamente enquadrado em contra-picado. Estamos longe da convicção dos personagens hawksianos...

Outro traço característico, a maneira como ele nos apresenta os seus protagonistas. Em poucos segundos, em poucas frases crípticas ou proféticas: um grande plano de uma chave que abre uma fechadura, um aperto de mão, um travelling semi-circular enquadrando Bogart de costas, eis a nossa introdução a Roy Earle (High Sierra); quatro planos que mostram Cooper a andar na direcção da câmara impõem Quincey Wyatt mesmo antes dele atirar os seus peixes às suas duas águias (Distant Drums). O choque de movimentos e de raccords plano a plano, longe de contrariar, decuplica a impressão de poder e de grandeza (Boorman vai conseguir o mesmo efeito, em tom mais negro, em Point Blank). Um travelling febril para a frente segue Teresa Wright e aumenta sobre o rosto de Mitchum, que acaba de sair da sombra (Pursued). A primeira frase que Gable pronuncia em The Tall Men é a célebre «Estamo-nos a aproximar da civilização» com o avistamento de um homem enforcado.

Peter Brook dizia sobre Shakespeare que assim que uma das personagens se exprimia, ele escrevia a peça do seu ponto de vista, dando-lhe razão pelo menos durante o tempo do seu discurso. Atitude próxima da de Walsh. Assim que ele filma alguém, tem vontade senão de o amar (ele encenou alguns canalhas temíveis), pelo menos de expor as suas razões, de o encenar como que para nos fazer compreender o que ele (ou ela) é incapaz de formular. Citemos ao acaso o sargento Croft (The Naked and the Dead), Cody Jarrett (White Heat) e Grant Callum, o vingador implacável que persegue Jeb Rand em Pursued e que é interpretado com uma força trágica e uma contenção interior extremamente moderna por Dean Jagger. Como Raft, acaba-se sempre por ter pena de Ida Lupino em They Drive by Night, pela quantidade de fragilidade neurótica que ela introduz ao que só podia ser uma personagem arquétipo de cabra, como a Warner gostava. Sabe-se que Walsh lutou para impor Lupino, que chegou ao ponto de apostar com Jack Warner que o teste dela ia ser rodado numa tomada e incorporado na montagem, que foi o que aconteceu: trata-se da sequência em que ela confessa o seu crime a Raft. Em They Died, a escolha e a direcção de Arthur Kennedy restauram a dignidade ao que devia ser um cliché ambulante na fase escrita (pode-se dizer a mesma coisa de Dorothy Malone em Colorado Territory). Esta ausência de preconceitos e esta abertura de espírito explicam a maneira como são filmados os índios em They Died, o chefe seminole de Distant Drums e os mexicanos de The Tall Men. Sem condescendência nem afectação, com um respeito isento de falsos liberalismos. Roger McNiven nota de resto que as personagens são frequentemente filmadas por relação à Natureza, com um olhar panteísta próximo do dos índios.

Rever um bom número dos seus filmes evidencia de resto uma qualidade que raramente se associa a Walsh: a direcção de actores. A dinâmica que ele consegue criar resulta num estilo de interpretação denso, económico e acomodando todos os efeitos ou pelo contrário, extravagante e picaresco, mas ainda essencial. Anthony Quinn disse-nos que Walsh lhe tinha dado uma das indicações mais concisas e perspicazes durante The World in His Arms. Ele estava um bocado atrapalhado à procura do seu personagem; Walsh aproximou-se dele depois de duas tomadas medíocres e murmurou-lhe apenas: «Põe mais um bocado de alho.» Joel McCrea coloca-o entre os seus cineastas favoritos: «Ele fez-me fazer coisas que não faria com mais nenhum realizador... Nunca deixava morrer o que quer que fosse... Era tudo tão fluido.» (Focus on Film nº30). E Alexis Smith: «Ele às vezes dirigia sem olhar, por ouvido. Quando dizia: "este está bom", tinha sempre razão.» Obras como Pursued, White Heat e They Died são admiravelmente interpretadas de fio a pavio e ele consegue efeitos inesperados de certos papéis secundários: assim, Alan Hale, tão colorido em Gentleman Jim ou They Drive by Night, muda completamente de registo em Pursued.

Director de actores que se distinguiu de forma tão brilhante com Flynn, Gable, Cooper, que consegue o plano incrivelmente audacioso em que Cagney se refugia aos joelhos de sua mãe, mas também director de actrizes, impondo-lhes uma actuação moderna, liberta de qualquer sorriso afectado, de qualquer fingimento, dotando-as pelo contrário de um carisma, de uma reacção e de uma força que não cedem no que quer que seja aos seus heróis... Mesmo na nossa adolescência, as sequências sentimentais destes westerns, destes policiais e destes filmes de aventuras nunca nos pareceram paragens sobrepostas e regulamentares, parênteses de fazer baixar a tensão dramática. Pelo contrário, elas surpreendiam-nos pelo seu tom, o seu vigor e a sua franqueza sexual. Ao revê-los hoje apercebemo-nos que elas não só reanimam e expandem a história, como constituem um dos seus eixos fundamentais. As suas heroínas partilham a mesma intransigência, a mesma vontade, o mesmo orgulho e até a mesma ambição que os seus personagens masculinos. Nunca ficam sem resposta: quando perguntam a Ann Sheridan porque é que ela deixou o patrão, em They Drive by Night, ela responde: «Ele tinha doze ajudantes e eu não gostava de nenhum»; Jane Russell para Robert Ryan em The Tall Men: «Gosto muito que olhem para mim, não gosto que me pesem.» É preciso ver uma empregada a pôr Aldo Ray nos eixos em Battle Cry e Joan Bennett a provocar constantemente Spencer Tracy em Me and My Gal.

Ao lado destes retratos truculentos, plenos de vivacidade, Walsh foca-se em figuras mais trágicas, mulheres feridas marcadas pela vida, que o herói aprende a apreciar pelo seu justo valor e que se vão ligar ao seu destino (High Sierra, Colorado Territory), mais complexas como Thorley Callum em Pursued. A sua violência interior e a sua ebulição devem certamente muito ao argumento de Niven Busch, mas Walsh consegue obter de Teresa Wright toda uma gama de emoções, de ímpetos líricos, tumultuosos, contraditórios e de uma riqueza que vai bem para além da sua justeza habitual. Citemos, pelo prazer, duas imagens sublimes: o raccord em grande plano sobre o seu rosto quando pega na moeda e o admirável enquadramento durante o funeral do seu irmão, fotografado com uma audácia louca por James Wong Howe, que em desafio ao realismo põe as outras personagens a contra-luz, na sombra, e só a ilumina a ela. É apaixonante estudar, em They Drive by Night, a maneira como Walsh dirige Ann Sheridan e Lupino, como as opõe na sua única cena de confronto, sem procurar nem as diminuir, nem as denegrir. Pelo contrário, despoja-as das suas máscaras, torna-as mais vulneráveis, mais próximas. Sente-se que Lupino foi como que emparedada na sua solidão pelo amor cego do marido, que já não a ouve (quando ela o chama, ele responde de forma automática: «O que é e quanto é que custa?») e Sheridan esconde uma ternura sentimental por trás do seu atrevimento. Ele ainda será mais inspirado por Lupino no notável The Man I Love, retrato feminino muito pouco convencional em que ela interpreta uma cantora de clube nocturno e que se diz ter inspirado o Scorsese de New York, New York (em todo o caso, ele apadrinhou a apresentação no Festival de Nova Iorque de 1990). O que impressiona neste melodrama é a virtuosidade com que Walsh aperfeiçoa a acção, corta as «cenas a fazer» e descobre um trajecto duplo, o da heroína e o do filme que «se desfaz e refaz sob os nossos olhos» (Gérard Legrand). O tom anuncia as obras dos anos 50, girando muitas à volta do combate que as mulheres «oprimidas» levam a cabo para aceder a uma dignidade ou uma independência, trate-se de uma escrava antes da guerra de Secessão (Band of Angels), de uma empregada de bar no Havai da Segunda Guerra mundial (The Revolt of Mamie Stover), ou da mulher judia de Assuero que vem suplicar pelo seu povo (Esther and the King). Podia-se acrescentar The King and Four Queens, procurando as quatro "rainhas" em questão escapar também à sua condição social, ao estado de subjugação em que são mantidas. Nestes filmes, as mulheres constituem geralmente um grupo pequeno, as recepcionistas de Mamie Stover, o harém de Esther and the King, dominado por uma mulher mais velha, rigorosa e autoritária (e portanto assexuada): Agnes Moorehead em Mamie Stover, Jo Van Fleet em The King and Four Queens, cuja presença, segundo Walsh, explica o fracasso deste projecto pessoal e bizarro. Fosse qual fosse a montagem, ela roubava sempre o protagonismo a Gable. Em desespero, Walsh decidiu-se a cortar o seu papel e várias cenas, tornando a intriga e a progressão mais caótica (tratava-se da única produção de Gable). Grande parte do humor deste filme vem da inversão sistemática do equilíbrio do poder sexual (Barbara Nichols até vem ver Gable a banhar-se nu, revertendo um dos clichés dos westerns). O tesouro escondido, MacGuffin da história (e um dos vários elementos que nos referem ao conto de fadas), pode ser interpretado como uma metáfora ou um substituto (ou os dois ao mesmo tempo) do acto sexual. O dinheiro é tão tabu como o amor e a sogra olha por ele com a mesma vigilância que a castidade das quatro "viúvas". O charme modesto deste pseudo-western reside no desprezo que ele exibe pelo realismo, com uma forma muito lúdica de jogar com os arquétipos, o que em retrospectiva ilumina outros filmes de Walsh e explica o seu gosto pelo aperfeiçoamento. Durante a cena da dança entre Gable e as quatro raparigas, ele encontra mesmo a graciosidade que transfigurava The Strawberry Blonde.

O seu grau de sucesso em relação às personagens femininas ainda é mais evidente quando é confrontado com actrizes tão limitadas como Virginia Mayo e Yvonne De Carlo: ele vai dar à primeira os seus dois melhores papéis (Colorado Territory; em que ela impõe uma heroína de westerns muito pouco convencional e cuja morte inspira a Walsh planos admiráveis, e White Heat), pegando nela contra o tipo, dirigindo-a com a voz como num filme mudo, segundo Joel McCrea, e tirando dela efeitos que ninguém lhe teria sonhado em pedir. «Ele sentia que ela escondia possibilidades não exploradas», disse ainda McCrea e compreende-se que ela o cite (em Focus on Film) como o seu cineasta favorito: é preciso vê-la tirar uma pastilha elástica da boca e fixá-la a seu lado antes de se deixar beijar em White Heat. Walsh não queria Yvonne De Carlo em Band of Angels, preferindo muito mais Natalie Wood. Mas consegue integrar os limites da actriz no seu projecto e fazer da sua beleza inexpressiva uma das linhas de força do filme.

Portanto é preciso levá-lo a sério quando declarou durante a rodagem de A Distant Trumpet: «Em todos os meus filmes, o momento primordial é uma cena de amor.» Mesmo que não se deva levar essa afirmação à letra (a sequência em questão, entre Troy Donahue e Susanne Pleshette, é uma das mais fracas deste western), ela merece atenção especial já que Walsh volta ao tema em Velvet Light Trap: quando lhe fazem notar que as mulheres são muitas vezes o motor das suas histórias, ele acrescenta que às vezes era preciso enganar os actores que se apercebiam disso, «ser mais esperto que eles e dar o melhor papel à rapariga, mesmo assim». Basta pensar em High Sierra, They Drive by Night, Manpower, até mesmo The Tall Men. Em They Died, é a personagem de Olivia de Havilland que salva Custer por duas vezes, que lhe arranja um emprego e no final vai testemunhar por ele. Também é ela que «regenera» Cagney em Strawberry Blonde. Em Battle Cry, as cenas de acção não só são relegadas para o último quarto da narrativa, como Walsh introduz sempre que pode uma nova intriga sentimental, um novo personagem feminino e o que normalmente funciona como interlúdio torna-se aqui a razão de ser do filme. Daí resulta um grande número de momentos engraçados, truculentos e tocantes: a relação entre um Aldo Ray vulnerável e infantil e Nancy Olson, descrita com leveza e discrição; o verdadeiro primeiro encontro, lidado com um longo travelling, entre Dorothy Malone e Tab Hunter. Este último está de tal forma perturbado que lhe dá lume com um fósforo apagado[3], revelando-lhe inconscientemente os seus sentimentos, o que a transtorna. Admiravelmente fotografada, a mesma Dorothy Malone executa atrás do encosto de uma cadeira um striptease que não perdeu nada do seu poder de sugestão, enquanto que Mona Freeman se estende ao comprido ao mostrar as cuecas.

Essa franqueza erótica não o impede de investir a maior parte dos papéis de Battle Cry - particularmente Malone e Anne Francis - de uma dignidade de que são excluídos todos os julgamentos e todos os olhares moralistas. Se as mulheres têm o melhor papel - veja-se como Alexis Smith é colocada em pé de igualdade com Flynn em Gentleman Jim, como se vê dotada da mesma presença, do mesmo orgulho - não é, como em Walsh, para substituírem os homens. É enquanto mulheres que elas os podem ajudar (que eles se podem ajudar mutuamente), e ir mesmo mais longe que eles. Porque elas são iguais e diferentes. Ele não prega a favor ou contra o matriarcado. Sentimo-lo apenas alérgico ao puritanismo (cf. o capítulo sobre a rodagem de Sadie Thompson na sua autobiografia), como a toda a forma de pressão organizada.

Se quiséssemos resumir esta imensa obra apenas com um qualitativo, escolheríamos o de romântico. No final de The Tall Men, Robert Ryan, a falar de Gable, dá a melhor definição do herói (ou da heroína) walshiano: «ele é o que todos os meninos pequenos sonham ser quando forem homens e o que todos os homens envelhecidos gostariam de ter sido.» Esta classe, este espírito cavalheiresco e este romantismo extravagante[4] tornam os seus melhores filmes imediatamente reconhecíveis. Prevalece aqui esse estado de espírito que Stevenson elogiava em Dumas: «Essa mistura de bravura, heroísmo e serenidade que atravessa a sua obra como duas avenidas imensas revestidas de árvores seculares, dirigindo-se suave e levemente para a morte.» É o adeus de Flynn à sua mulher em They Died: «Passar a vida a teu lado foi uma coisa bem doce[5].» Treze anos depois, Gable dirá a Jane Russell: «Quando uma mulher é bela ao amanhecer, é porque é mesmo muito bela.» Estado de espírito que nos toca em várias obras dos anos 50 (esqueçamos Gun Fury, por não o termos revisto em 3-D, o que parece que muda a perspectiva, Glory Alley e The Sheriff of Fractured Jaw, que não têm qualquer interesse), frequentemente menos perfeitas, mais desconexas, mais intensamente pessoais. Pensamos em Mamie Stover, que infelizmente não revimos, em Band of Angels, em The Tall Men e em Esther and the King. O tom tornou-se mais meditativo, mais sombrio, às vezes de forma acidental, como no excelente The World in His Arms, em The Sea Devils, cujo diálogo e cujo comentário citam várias passagens dos Homens do Mar de Hugo (Rock Hudson é denominado por Gilliatt e Maxwell Reed por Rantaine), às vezes na totalidade da narrativa, em que Walsh mede bem os parêntesis e os encontros. A personagem principal evoca aqui o seu passado com um velho cúmplice (em Band of Angels essa discussão/farra desenrola-se durante uma tempestade qualificada pelos dois comparsas como uma pequena brisa e dá lugar a uma das melhores sequências) como que para saber onde é que ele está, o que lhe falta percorrer, «como se quisesse retomar ou corrigir o seu destino. O herói já não é um ser em marcha... Só continua a ser ele próprio por alguns traços indeléveis do seu passado ou da sua raça: a extrema distinção do porte e dos traços, o cepticismo e sobretudo a memória, a inalterável memória do herói que gera a melodia de Band of Angels, canto da lembrança e forma de testamento ao mesmo tempo.» (Jacques Lourcelles).

Também é por aí que uma realização tão desigual como Esther and the King (cuja temática é próxima da do filme anterior: a evolução das relações entre uma cativa e o seu «dono») nos toca. Walsh ignora de forma deliberada os clichés mais aparentes, não se importa com o elenco duvidoso. Trabalha não sobre o exterior, mas sobre o interior das cenas e com tal delicadeza, com tal pureza que a vaga impressão de desorientação (do projecto no seu conjunto e de momentos precisos ao mesmo tempo) que se sente durante toda a projecção é incessantemente questionada pela nudez inquietante da escrita cinematográfica. Podemos portanto partilhar a opinião dos Cahiers du Cinéma, que viram neste filme «o exemplo mais puro do génio de Walsh», especificando apenas que o génio em questão teve de lutar com um material e circunstâncias que, na melhor das hipóteses, só podiam levar a um resultado parcialmente satisfatório.

Se se pode manifestar um lamento diante da carreira de Walsh, é que não lhe tivessem dado mais filmes sociais pequenos, crónicas intimistas como The Man I Love ou a primeira parte de They Drive by Night. Gostávamos de o ter visto a colaborar com argumentistas como Bezzerides ou Hugo Butler. Também se pode lamentar que três dos seus projectos nunca tenham encontrado financiamento: Jack Barleycorn, um romance de Jack London com John Barrymore, Belle de Jour de Kessel, que tinha transposto para o Japão, e um filme de aventuras com Mitchum que também se desenrolaria no Japão. Que ainda nos deixe com apetite, depois de nos ter enchido as medidas tantas vezes, diz muito sobre o alcance e a variedade do seu génio.

[1] De qualquer forma, vai ignorar vários géneros maiores do cinema americano, como o film noir, com que só lidará verdadeiramente uma vez (The Enforcer), e por acidente ou refracção (Pursued), ligando-se White Heat mais ao filme de gangsters.

[2] Outra acha para a fogueira: o argumentista Luther Davis alega que Walsh não sabia quem era Huey Long e que foi ele próprio a cortar a segunda parte do argumento porque não se interessava no filme.

[3] De resto, também se deviam listar as inumeráveis variações elaboradas por Walsh sobre o princípio da combustão de um fósforo: num sapato, na bota de um enforcado, numa porta, numa cabeça, nas costas, no balcão de um bar, num transeunte; e veja-se também Pursued, em que Mitchum oferece lume a Dean Jagger, que o ignora e usa o seu fósforo.

[4] Estes qualificativos aplicam-se de forma admirável a Pursued, que é bem sucedido onde falha Duel in the Sun, outra adaptação de Niven Busch, de que Selznick fez o primeiro filme "colorizado" por força de disparidade.

[5] Estas cenas íntimas foram escritas por Lenore Coffee.

in «50 ans de cinéma américain», Éditions Nathan, Paris, França, Setembro de 1995.

segunda-feira, 6 de abril de 2015


INTERVIEWS WITH ANTHONY MANN

by Christopher Wicking and Barrie Pattison


BP: Was Dr. Broadway the first time you became involved with a film production unit? 

AM: Well I had made a lot of film tests for David Selznick. I made all the tests for Gone With the Wind, Young in Heart, Tom Sawyer and so on, and I was able to cut them as well. When I went to the Coast, I had some knowledge of method and technique. 

Then I watched Preston Sturges work on Sullivan's Travels. He let me go through the entire production, watching him direct - and I directed a little. I'd stage a scene and he'd tell me how lousy it was. Then I watched the editing and I was able gradually to build up knowledge. Preston insisted I make a film as soon as possible. He said a lot of guys stall, and hesitate and falter, and you may never become a director. And I think he was right. They'll say 'What have you done?'… He said it's better to have done something bad than to have done nothing, and this was very sound advice. This was his advice; so the first picture, good or bad, that came along, I decided to do. And this was Dr. Broadway

I think it had some good things in it. I remember very warmly the cameraman, an oldtimer name of Sparkuhl, who had done many films for UFA and Lubitsch, and he was a great help. Nobody else cared a damn about the picture. They said: 'Don't build sets; don't do anything. You have to get finished in 18 days and, if you don't, the cameras are taken from you and OUT.' 

BP: You never worked with Theodor Sparkuhl again, did you? 

AM: No. I'm sorry to say I didn't. He's dead now of course, but he was really a very fine cameraman and was doing nothing at that time so the studio let me have him. He didn't care how many hours I spent at night with him, discussing how to shoot the scene next morning. This was Macdonald Carey's first film too, and you see the problem of a young director? They give you every obstacle in the book. They say: 'Give him fifteen days, give him no actors at all, only people who've never been in front of a camera before; God help him, and let's see what happens.' And that's the way you generally start. 

I'll never forget one experience - I was in the middle of shooting a scene out on the backlot of Paramount. This was the first sequence in the picture and I was supposed to have three days out there. And about the middle of the very first day, one of Paramount's head production guys came out and said, 'You're through here by tonight. Cecil B. DeMille wants to come out. You got to clear the set.' 

So that's how it was, thrown around, pushed around by Mr. Sol Siegel, whom I do not respect. Anyhow, he since became a big executive and maybe I became a fair director. 

BP: Of your early films we've only been able to see Great Flamarion and Railroaded. Are any of the others of any particular interest? 

AM: No. I don't think so. I think it's just lucky that they got made. They cost nothing so there were no losses. They were made as second features, but in terms of skill and ability I don't think they have much. In terms of experience, I learned a lot. People can't learn the easy way. 

CW: Do you feel you had any greater freedom on these smaller budget films, did they leave you alone more? 

AM: It wasn't a question of leaving me alone - they just said 'get through with it' 'hurry up, don't go over budget'. This was the freedom. If someone said 'Now Mr. Mann, I...' that would take up too much time, and we had no time. 

CW: What was the atmosphere at Republic when you were there? 

AM: I wouldn't want to say any of my happiest days were spent there, I would say they were fairly grim! Grim, grim days. But I did have quite a fascinating experience there with Erich von Stroheim with Great Flamarion. Von Stroheim, to say the least, was difficult. He was a personality, not really an actor. He looked well on film. But he was a great director. I'll never forget one thing he said: 'Tony, do you want to be a great director? Photograph the whole of Great Flamarion through my monocle!' I said: 'That's a helluvan idea, but I only have $50,000 and fourteen days.' I said: 'It might be a fascinating idea, but I'll let you do it.'

I'll tell you one funny story about him. He had no hair, and always used to put pommade on his bald pate to make it shine. He was very dapper, and always wore gold capes. This is the sort of guy the great Flamarion was and he fitted it well. So there was a very simple scene which should have taken me five minutes to shoot - because of Mr. von Stroheim it took five hours. All it was - he had murdered Dan Dureya and he had a rendezvous with a girl in a park, and all he had to do was sit down for a moment and say: 'Where are you going to be? Give me your phone number and I will get in touch with you in a month when the police are no longer watching.' That's all it was. We had no money: couldn't do it outside or even inside. We didn't even have a park, so we decided to do it in a fog. We filled the studio with fog and had a bench and a light, and it looked like a park. And he was supposed to go through this scene. Well, he was always a man who liked gadgets - he liked gold watches, pens and pencils and so on, and he asked me if he could use them. This was all part of the man, so I said: 'Sure go ahead. The camera is here, stationary position; the girl is in the foreground; we see you coming out of the fog; you ask for her address; then look at her for a moment; and then leave.' Should have taken two minutes!

Well, the fog was covering the stage. He came down through it, sat down, said: 'Darling, where are you going to be?' She said suchandsuch - and then he started to search around for his pen and notebook, fumbling through his pockets. I yelled: 'Cut - what's happening?' and he said: 'I'm looking for my pen.' Well he came down again, through the fog; sat down; went into the line again; pulled out the pen - then he took the cap off; put it on the other end, and then started searching for his address book. So I yelled: 'Cut' again and he said: 'Well, I'm looking for my address book' I said: 'Forgodsake, it's in your pocket; it doesn't have to take so long. We haven't got so much time in the film just for this little scene. You know where your pen is; you know where your address book is; take 'em out and just write the address down.'

Third time. He came down out of the fog; went through the routine with the girl; took out his pen; took out the gold book, and then he started to fumble with that because he couldn't open it. So I cut again. By this time, the fog had vanished, and it took another hour to fill up our bare stage with fog again. Down he came; sat down at the bench; asked the question; pulled out the pen; pulled out the book; started to write in it - then he stopped - I said: 'What's the matter Erich?' And he said: 'There's no ink in the pen.'And these are the kind of machinations I had to go through with him for every scene. He drove me mad. He was a genius. I'm not a genius: I'm a worker. Geniuses sometimes end up very unhappy, without a penny. That's what happened to Erich and Preston Sturges, too.

Railroaded was made in ten days. T-Men was the first big one. I worked on the script from scratch, and it was the first film on which I was able to do this. The others were given to me. One takes anything and tries to make some sort of mark.

T-Men was originally only an idea, and I was able to work with William Eirie from the Treasury Department. He brought all the files, so that we could devise and create a story with John Higgins that at least had some potency and value. This is what I really call my first film. I was responsible for its story, for its structure, its characters and for actually making it. This was my first real break towards being able to make films the way I wanted.

BP: This was also the first film that gave John Alton any kind of big break, wasn't it?

AM: Well, it was certainly one of his first big ones. John started working with me on that one. He was a very talented and imaginative cameraman. He could get all sorts of effects with very limited budgets. And this is what we were working on. And actually we shot this one all outdoors, in the shops, and so on: like they do now, and everybody says is a new move. But T-Men was twenty years ago.

BP: In a TV interview here in England on 'Violence in Art,' you said that people first started to take notice of your films when you injected a lot of violence into them - is this T-Men again?

AM: Critics are violent people anyway. They like to praise you to the skies or tear you, cut you from ear to ear. Violence is always pictorially shocking. You can achieve fantastic effects of violence just by implication and design. And it is one of the good parts of our medium - it tends to shock and tends to excite the imagination and to rouse feelings in the audience that they've seen something and experienced something.

BP: Something I always remember from Reign of Terror, is the man jumping on to a coach and having a pistol going off in his face, which is also done in a couple of other films Cameron Menzies worked on - I was wondering who thought this trick up? You have the shot of his powder-burned face which is quite shocking.

AM: Well I can't remember really, but Mr. Cameron Menzies is probably one of the really great men of the film industry. I think him the most creative designer, the most creative art director I ever worked with.

BP: You first ran into him on the Selznick films?

AM: Yes, he also did Sam Wood's films and then Selznick's. We made Reign of Terror for about $750,000 which is practically nothing. It was shot in twenty to twenty-five days, and it was only through his ability that we were able to achieve any style, feeling or period. For instance, we were faced with the problem of recreating the commune, which was supposed to be packed with thousands and thousands of people. And the money we had could only get us 100 people for one day. So Menzies devised a scheme whereby for that day we put all these people on a platform like at a football or baseball field, but straight up so it would be square. And we sat the 100 people, crowded into this small space, put the camera so they would just fill the frame, and John Alton lit it with some shafts of light at different angles, so we'd have light and shadow, and so some of the people would be seen and some would be shadowed. And then for a day, I shot all the reactions to all the speeches of Robespierre and Danton and so forth.

Then, we took it, and multiplied it twenty times, projecting it on a rear-projecting machine so that we no longer had 100 people; we had 2,000. It was on a rear projector, and all we had in the foreground was a big, big door, with the guards standing on duty. As the door opened Robespierre walked in, and the people rose, the 2,000 people against this background. And then for all the speeches, we just went into big close up of Robespierre against this background of people who were screaming and yelling. We were able to achieve this tremendous effect with only 100 people. And this was conceived completely by Cameron Menzies, who was a great, creative designer, a man who could do Gone With the Wind which was completely realistic, but a man who also had the imagination to take something which was essentially very small.

BP: Did he also do Raw Deal with you?

AM: No. Alton did but not Menzies.

BP: You did the three independent productions - T-Men, Raw Deal and Reign of Terror and then what - did Metro take over the whole unit, you, Alton, John Higgins and Charles McGraw?

AM: Yes. Metro said: 'Make whatever picture you want.' John and I had thought of doing Border Incident, because the guys there were also involved with the Federal agents and T Men. Through the research we had made with T-Men we found the fantastic story of the Border Incident boys. We made it on location, but it was really not Metro's cup of tea. When it came out, they were flabbergasted. It wasn't anything they thought a motion picture should be!

BP: Who thought of the scene where the guy escapes from the agents by driving the motor cycle along the furrow of a ploughed field?

AM: That was me. I was down there in the lettuce fields and it looked like a wonderful way to do it.

CW: How was Winchester 73 conceived. It's very formal. Did it take its structure from the novel?

AM: Well it did come from a novel, one of Stuart Lake's, I think, and it had the formality as the gun was used as a calling card for many of the characters. Every one of the characters wanted it; it was a prize. Thus you were able to meet a great many more characters, because it changed hands so much. Therefore, it gave it a unity: the gun itself almost becoming a character. The gun became the thing that brought everyone together; and the thing that finally killed what it was in pursuit of.

BP: The Furies for me is your first really outstanding film, the first I remember really vividly.

AM: That was made for Hal Wallis and Paramount and I actually think it was the first Western I did. Of all the men I've ever worked with, Wallis is the best producer. He knows about film making, and has his own opinions. If he doesn't agree with you, you have a helluva fight, but at least he knows what he's trying for, and in this sense he's very good. He's an expert film maker. We had Walter Huston on it. He was a man who adored his profession. He was everything that one hopes an actor will be. He actually did the roping of the bulls, rode his horse, and he was sixty-odd.

CW: What about Thunder Bay and Strategic Air Command?

AM: Thunder Bay was made in the Florida bayous and the Gulf of Mexico. Its story was weak and we never were really able to lick it. I think it was a little too commercial and it fell down on its basic plot. Some of the things we showed were effective and beautiful I think, but I don't think it was a very good script. Borden worked on it, John Michael Hayes worked on it who was a good writer and has developed into a very good one. There were too many writers, and it became too fabricated. They wanted a picture with Jimmy Stewart and we concocted one. Strategic Air Command was an entirely different kind of thing, because that was to promote the Air Force and the idea of SAC which in itself had its own restrictions, just being a military subject. Therefore, the co-operation of the Air Force was vital, and we were held within the bounds of what they wanted. The story itself was restricted and the whole concept of its shooting was confined to what they would let me show, which is perfectly all right. I went into it purely as a service to the Air Force, and as Jimmy Stewart was of the Force, we accepted this handicap and just tried to make an exciting film, not out of the characters which were papier-mâché, but out of the B36 and B47 - we tried to dramatize them as our two great characters.
 
CW: Men in War had 'Show me the foot soldier and I'll show you the story of all war' as its theme.

AM: That's right - I just had an idea. I wanted to tell a story of the detail of war. The detail of war is what all the soldiers went through: that they had sand in their boots; that their gun jammed; that they took off their helmets at the wrong time; that they had to walk through forests of mines; or walk through bombardments. I was interested only in the foot soldier. Nobody knows why they have to take such and such a hill. They just are told to take it. So I lived with the guys, and I wanted to tell the story through tiny personal incidents.

I used simple people - and did it all in twenty-four days. Actually, we had two units working side by side. I think it did come off.

BP: How do you feel about the Tin Star? I believe George Seaton was originally scheduled to direct it.

AM: I don't remember if George was ever going to work on it. It's a fair film. Again, there was too much supervision. I really believe that in order to create a good film one has to do it completely on one's own. The picture may not be a success even then, but it stands a greater chance if you leave the artistic endeavour to the director. God's Little Acre on the other hand was a different sort of challenge. Everyone said it wasn't possible to make a film from this Caldwell book - and if you read it, it's about the kookiest book you've ever seen. It was a challenge to try and find the spirit behind the book and behind these miserable characters. It became another experiment and was entirely another kind of picture, I rehearsed with the actors, for the first time, for about three weeks before we started shooting, so that they would all know the characters and would all know each other and become a family, react properly. This became more of a group sort of thing, more theatre than I usually do.

CW: This was all done out in Georgia?

AM: No - they threw us out of Georgia because they didn't want us to make the film, but I found in a place called Stockton, California, all the vine-covered factories, the old, old buildings and houses that were Augustus, Georgia, so I was able to duplicate the Old South there.

CW: Do you think your early days as an actor influenced your attitude to films - you were talking about films springing from their characters. Now suppose you had been an editor first and not an actor, do you think your attitudes would be different?

AM: No, I don't think being an editor gives you the same background at all. Because editing is just using film; you're just taking film, putting it together and doing what the director wants. I think acting and having lived in the theatre is a much greater education in learning how to make films, learning how to delve into character and learning how to understand the actor's problem and understand the staging problem and understanding the writer's problem. Now I know there have been several directors who have come from editing - Wise, Robson and so forth - but I still don't think being an editor alone gives the full knowledge and the full meaning of what it is to create a character on film, and to make it live on film.

CW: Do you have any ideas formulated about the Western?

AM: Well, I think the reason why it's the most popular arid long-lasting genre is that it gives you more freedom of action, in landscape, in passion. It's a primitive form. It's not governed by rule; you can do anything with it. It has the essential pictorial qualities; has the guts of any character you want; the violence of anything you need; the sweep of anything you feel; the joy of sheer exercise, of outdoorness. It is legend - and legend makes the very best cinema. It excites the imagination more - it's something audiences love. They don't have to say: 'Oh I know about that'; they just need to feel it and be with it, because legend is a concept of characters greater than life. It releases you from inhibitions, rules. Because - how does an Indian act? How does he ride over the plains? How does a man come into a bar and shoot somebody? This doesn't happen any more. It isn't going on now, but it is a spirit, a kind of freedom of action and movement which instils itself into the minds of the audience. They say: 'Oh, I wish I were in that time - isn't it fantastic what they accomplished in those days, what their dreams were, what their actions were?'

There are of course many other types of movie to be made. There are the new schools of motion pictures being made, but they limit you - for instance, Joe Losey's very good. The Servant is very effective, very well done - for its subject, extraordinarily well done - and it broke new ground and many new barriers in terms of morals and so on; but it left you small and mean and petty; it didn't release you from anything; it drove home the oppression and weight of its theme rather than bursting you out of it. And this is what the Western does - it releases you, you can ride on the plains; you can capture the windswept skies; you can release your audiences and take them out to places which they never would have dreamt of.

And, more important - it releases the characters. They can be more primitive; they can be more Greek, like Oedipus Rex or Antigone, you see, because you are dealing again in a sweeping legend. This is what I love in picture making, and really what I stand for. Because El Cid is really a Spanish Western, and it's legend again. Roman Empire is even more than that. I spent a great deal of time in the snow-country, shot a whole funeral in the snow, and it's all tremendously pictorial. But it's bound by history and certain rules, because certain things have to happen. It wasn't completely a legend though it has a legendary quality.

BP: As you mentioned Oedipus, there's this element which starts with Furies: this business of the father-killer. It's in Winchester 73, Man of the West, Man from Laramie and Borden Chase uses it in Backlash. This is a thread that runs through the fifties' Westerns - tough, grim subjects. Can you tell us why this should be?

AM: Well - it's also in Roman Empire. There he tries to kill his father's image, because this image is greater than his own. This is the story underneath the Oedipus drama. I don't know of any great man who ever had a great son. This must have been a terrible thing for the son - to live with the image of his father, for although this is a love-image, it can also be a hate-image. This theme is recurrent, because it is a very strong one and, consequently, I like it - it reaches to heights and depths beyond more mundane stories.

BP: It seems that through the fifties you, John Sturges and Delmer Daves have a sort of unity of thought - set-ups, ideas, actors, cameramen crop up in each of your films - was there any kind of community where you all got together and talked over ideas and so on?

AM: No - actually I know them both. But we haven't spent any time together, even in a discussion of ideas. No, they are similar, but they came out very unconsciously.

CW: Back to your Westerns - from the very pure Bend of the River, they seem to get tougher, more cynical until in Cimarron the Hero, Glenn Ford, disappears and the film concentrates on Maria Schell. This is a little bit like the death of the West. If you had had your way, would you have concentrated more on the Ford character?

AM: Well, actually that whole picture was a mistake. Originally I had a wonderful idea for it, and the Metro executives agreed with me. After I had been shooting for twelve days, they decided to take the whole company indoors, so it became an economic disaster and a fiasco and the whole project was destroyed.

I wanted to show a huge plain out in the West with nothing on it, and how a group of men and women gathered at a line, and tore out across this plain and set up their stakes as claim for the land. And how a town, a city and finally a metropolis grew, all on this one piece of land. It would have been, I think, a tremendous experience for the world to see. This is how America was built. But the executives panicked. We had a couple of storms - which I shot in anyway - but they thought we'd have floods and so on, so they dragged us in and everything had to be duplicated on the set. The story had to be changed, because we couldn't do the things we wanted to. So I don't consider it a film. I just consider it a disaster.

CW: How can you have Glenn Ford die the most ignoble death of all - dying offscreen?

AM: Well, it wasn't shot that way, I promise you - there was a huge oil sequence and oil wells were blowing up and he was saving people and being very heroic. Why they ever changed it I'll never know - this was Mr. Sol Siegel, he did it behind my back, I didn't ever see it. If I'd screamed they wouldn't have bothered anyway; so I just let them destroy it at will.

CW: Do you think going out and shooting on location, doing it all physically, is the only way you can work?

AM: Yes, I think it's the only way to work anyway with films.

I find by going out on location - like on Heroes of Telemark - that having gone up there and seen the ice lakes and the snow and so on, I can do things that I would not have done otherwise. I thought about it all, and utilized the very things that are indigenous to a country. Locations give you all sorts of ideas, if you look for them.

BP: In Bend of the River, Man from Laramie and El Cid again, you have scenes staged on the snowline — was this just another way of getting more interesting shots?

AM: No, no - it shows a battling of the elements which I think is always good. You push actors and the whole company into something that is tough - if it really is tough, it can show itself on the screen much better. Certainly snow and so on is very pictorial, and you can produce all sorts of effects by it - horses breathing, the actors breathing, the difficulty of the terrain, the actual struggle one has to put forth in just doing the physical things, like climbing a mountain, say. It all adds a reality that is difficult to achieve in a studio. Things become so much more phoney indoors.

The studio isn't on your neck, nobody can control you, so you are at least able to do what you want to do - and this is wonderful, because it does give you a much greater freedom of movement and expression. They don't dare come up and see you because it would be too much hardship for them. In that sense, the more you can be left alone, the better you can make a picture.

CW: The Winchester 73 climax is staged in the rocks, and turns up at least twice more in your films - is this adding to the drama, the idea of the elements again?

AM: Well, again there, I went out hunting for locations and, in looking over the terrain, this area excited me, because I saw all these rocks and caverns, holes and whatnot. I thought it would make a wonderful battleground between the two guys. You couldn't have a battle between two experts out in the open - they could both shoot each other like that (snaps fingers). So you have to make it almost impossible for either of them to shoot the other, so that their expertness is doubly in use - now they also have to flush each other out, by manoeuvring and cunning.

CW: You mentioned that you were able to achieve a sense of period here. Now, obviously, this is important for this kind of subject, and, in thrillers, period is inherent, because they are contemporary. But it's interesting that in your Westerns, again, one senses a period; they are set in time - towns change and grow up - although it is never any explicit time. Why is this so?

AM: Well, of course, you always do try to get a feel of the period, if only because it enhances the characters and enhances the picture - in fact period can work for you. The very nature of the period can be the thing that gives you the key to the very things that you do and use to make it different. The huge six-foot blades I use in El Cid were of that period. So these weapons became great things for me to use. They hadn't been used before; I don't know why - maybe because once you start swinging you can't stop, and the actors have to be very careful and need to be rehearsed like in a ballet. But because you are using such a weapon, it becomes much more honest in terms of that period.

CW: Suppose somebody came to you with a script - what would be the factors to make you want or not want to do it?

AM: Well, first of all it would depend on its theme and its content. I would have to be interested in its subject matter. Now, of course, as I feel I don't have to make them, I want as much freedom as I can have and as much time to work on the script with the writers as I can. I want as much freedom of creativity as possible - it's not that I want it because I feel I'm the only guy that can do it, but because it's the only way to work. Every time I've had 'supervision' the film has suffered. Therefore, no longer do I want it; no longer would I tolerate it; no longer would I accept it. But one has to learn the hard way.

CW: On which of your films did you have the greatest freedom?

AM: Well, let's see - I had a great deal of freedom with Men in War and God's Little Acre, Winchester 73 and Bend of the River. I would say I had no freedom with Cimarron and less freedom (because Metro started to impose its will) with films like Devil's Doorway and Tall Target. The first one I had more freedom with was Border Incident, because they didn't even know what kind of animal I was.

CW: Was Fritz Lang in any way involved with Winchester 73?

AM: Absolutely not! At one time Fritz Lang was interested in a project written by Stuart Lake which was an historical compilation of the story of the Winchester rifle. This was at Universal, and two or three years afterwards he had not one foot of film shot, not one idea. In fact I threw everything out that he had even remotely thought about. It wasn't the kind of film I wanted to make anyway.

CW: So there's nothing of Lang's in it at all?

AM: No. Nothing. I absolutely, positively guarantee it.

CW: Right. Well, we were going through your films in order and I think we had got as far as Serenade.

AM: … Oh, that's a wild and Hollywoodien story. My agents, MCA, were handling Mario Lanza, and they introduced me to him. I got to know him and I really liked the guy, even though everyone was kicking him down, saying he'd never make another film. And I guess it was really more out of a stupid sentimentality, but I felt sorry for the guy. And I got to know him, got to know his children, and wife and family. The more I got to know him, the better I liked him. I knew it was going to be a terrible, terrible problem, because he was a compulsive eater and a compulsive drinker, but he was a marvellous, warm-hearted guy and I don't think all the horrible things they said about him were true. He really was a man who was pushed into something that he should never have been pushed into. Because, you know, he had two chances, two great chances at nineteen or twenty, when he was in the Army. One was that Toscanini came to see him and said: 'Look, boy, you work with me for two years and you'll be a great Othello.' The other was that Louis B. Mayer came to him and said: 'I can make you a star overnight.' Well, he made a bad choice, the wrong choice. He'd be alive today, if he'd gone with Toscanini. But anyhow, I got to know him well, and everybody said: 'Oh, Tony, don't make a film with him.' It was probably sentiment, but I decided I would. Terrible things happened, it was all very, very difficult, and the fact that I was able to finish it was a miracle. That's the only miracle about it, because the film's not good. I thought he did a couple of scenes quite well: his singing of Othello was very beautiful. After all, he has to sing something like twelve arias, or more. You know, it was one of those things for which I should never have approached, but I'm glad I did it in a way. At least it got him a couple more pictures before he died.

But we tried very hard to make something of it pictorially and went to some magnificent places in Mexico. And we did a big firework scene when the whole town comes out, and Indians come from all over Mexico and swarm into the town. There were some fascinating pictorial things like that. But its story was weak. How can you tell a story anyway when you're singing arias all the time.

CW: Did you have any worries about similar, musical aspects of Glenn Miller Story?

AM: No, that was an entirely different thing. The reason I became interested in it was that I wanted to dramatize a sound. And it's the story of finding a new sound. Jimmy Stewart is a great professional. Our great thing was to try and pictorialize all Miller's great songs. To tell the story of a man who is hunting something new and finally finds it, and who, during the war years, became one of the great heroes. We tried to make the narrative a little different too. When he proposes to June Allyson, it's very humorous, because she has curlers in, and so forth. At the end when he's dead, instead of very sentimental music, we played 'Little Brown Jug,' so that it gave it a different feeling from just sentimentality. Of course the film was fraught with sentimentality. But we had those revolving lights, went to Denver and did all sorts of things to get the ballrooms right, and all the things that were part and parcel of an era, the band era, of Glenn and Tommy Dorsey and all the others. It was certainly the most successful of this type of movie.

CW: I wonder if you regretted leaving Universal?

AM: No I didn't regret it. I never regret leaving anywhere. But I was never under contract to them; I just worked picture to picture. In those days people used to say: 'If you've got a contract you're safe.' Well, there's no such thing as being safe: particularly in this business. That's the time when you're unsafe, when you're safe. You think you can lean back, rest, say: 'I'm OK, I've got a job.' But the next film you do, if it's a flop nobody's going to hire you again anyway. So you gamble on your life every time you make a film, and that's the excitement. So I don't regret leaving, though I had a lot of fun there and I think I saved them, because I made them a lot of very successful pictures and, up to that time, they were in bad shape.

CW: Last Frontier is a fascinating picture and has Victor Mature playing exactly what he is…

AM: … an animal, yeah. Well, the French think this is the great film, remarkable and so forth. Now I had a terrible time with Victor; he was very ill in Mexico. But it was a terrific idea, helluvan idea, the story of a savage who wants to earn a uniform and who finds out all the bad things about a uniform along with the good, and struggles, and finally wins it. But I had a terrible time with it. But Anne Bancroft was in it, and Bob Preston, and James Whitmore. Bill Mellor did the camerawork. It had a very interesting theme: that was fascinating to develop. It was an historical fact that we took from, with the actual battle in the dust when all the Indians come down into the valley and the dust filled the valley and you couldn't see any bluecoats. The dust was so fine in Mexico, you just had to walk and the air was permeated with it. We finally had to wear gas masks to keep our lungs free.

CW: Did you choose that one?

AM: Yes, I not only chose it, I worked very closely with the writer. I worked with Philip Yordan on that. I worked with Philip on two or three pictures: God's Little Acre, Men in War. I've hired him and he's hired me; we've done about five pictures.

CW: So you took the film to Columbia?

AM: No. By the way, the title Last Frontier was a Howard Fast story, a wonderful story on the Indian that John Ford tried to use in Cheyenne Autumn and didn't do correctly. But I had made Man from Laramie and Harry Cohn said: 'You've got to make another Western for me.' So I said: 'Let me read some properties; let me see what's around.' And this story that we titled Last Frontier kind of appealed to me.

Harry thought the idea was good so we went ahead. So it was hunting for something and then finding the particular idea which I liked. Again everybody said; 'You're mad to use Victor,' but he was the rightest person I knew. And he loved it.

CW: You presumably prefer to work with a film 'actor' like James Stewart, for instance, as opposed to the film 'personality' like Mature?

AM: Well, Stewart is a man who's devoted his whole life to acting and who's quite brilliant in what he does. He's very skilful and, once you start going with him, he's marvellous to work with, because he's always there; he's always anxious; he wants to be great; and this is not true of the other gentleman in question.

CW: Stewart's great moments of wild and desperate emotion in your films - being dragged through the fire in Laramie; shot to pieces and thrown in the river in Far Country; the blind anger in the saloon fight in Winchester '73 - is this deep passion completely natural to him or do you have to dig for it?

AM: Natural to him? Within himself he has something much more burning and exciting than when you meet him personally. And he'll say: 'Look, Tony, if you want me to be pulled through the fire, then I'll do it. If you want me to fight under the horses' hooves, I'll do it.' This is the kind of guy he is; he likes to have to do these things. And a lot of actors don't. Mature can't get near a horse. It's a curse when they don't learn; when they're not adept at the art of riding, fencing, swimming and the other things that are necessary, which they must learn, if they don't know.

CW: How do you mould an actor to fit your requirements. How do you get Stewart to do it the first time, or Mature, or Cooper?

AM: Well, Jimmy Stewart was in a summer company I had at the Red Barn theatre in Locust Valley when he'd just come out of college, so I had known him and had directed him in a couple of plays. He had seen The Furies and had asked for me, actually, and that's how the relationship got going again. I didn't like the property; I didn't like Winchester at all. This was Lang's version. I was working at Metro and everybody was pressuring me to make the film and I said: 'I'd like to make the film, if you let me rewrite it completely. I want a new writer, new everything; I don't want the property the way it is.' Finally, after a lot of haranguing, they agreed that I could do that and I brought in Borden Chase and we started from scratch on the script and it developed day by day. This is how all films are made, at least as far as I'm concerned.

But about actors. Naturally you have to utilize their greatest abilities and qualities, and you strengthen them if you can. You push them against something that's maybe foreign to them, but which, therefore, becomes more exciting, because you still have the same guy, but now you have him doing something that's more against his nature, so already you have a conflict of character against personality. This is good. So you have two dimensions to start with. Now, if you take him outdoors and put him into locations, you have three dimensions, because now you have all the elements fighting him. Then you pit him against some very violent pieces of action and you have a fourth dimension. Thus you build the character and situation.

CW: As you made so many films with Stewart, can it be assumed that he is your archetypal 'hero'?

AM: Well no, because each film is an entirely different entity. I'd love to use him again, but I haven't had a script. I couldn't use him in El Cid; I couldn't use him in God's Little Acre, Roman Empire; couldn't have used him in lots of films. It has nothing to do with him; it's just the films are entirely out of his element.

CW: But regarding the Westerns…

AM: Well, with the Westerns, he had a great quality. Cooper certainly did, too. He is magnificent walking down a street with a Winchester rifle cradled in his arm, and so is Jimmy firing the Winchester. He studied hard at it, you know? He worked so hard his knuckles were raw with practising, so that he could be right. And we had an expert from the Winchester Arms Company who taught him how to really uniquely use the gun. These are the things that give it a sense of tremendous reality.

CW: With Man of the West, presumably you started from scratch again?

AM: Well, that was written by Reginald Rose, who did 12 Angry Men. And he was a little more difficult, because they had bought his script and they wanted to stick with it, and I didn't really want to.

CW: Was it originally a TV play?

AM: No it wasn't. It was an original screenplay. And I had to try and break it from its rigidity, which was mostly talk. I would have changed the girl completely, if I'd only driven hard enough. But I wasn't able to convince the guys who were producing. I eventually convinced Cooper, but by then it was too late.

CW: What would she have been?

AM: She'd have been his wife. It would have been much more moving. The other girl was stupid, and I hated it, and wanted to change it, and they wouldn't let me. Just imagine if the wife had to do what she has to do. Then it becomes much more poignant; then he would fight to the death.

CW: And give greater power to the scene when he strips Jack Lord.

AM: Sure, if it had been his wife he was getting even for, it would have been terrifying! It would have been a great film. It was almost, but it could have had that difference. There was this evil, and a man trying to destroy his own evil. And this is why, if it had been the wife, it would have been much greater. But it was a man who looked at his past and said: 'I must at all cost destroy what I have been.' He tries to run away from it; he gets away, but now it comes back. He is confronted again with his own evil. He knows he was that kind of a person - could he withstand it? Or would he degenerate back into it?

CW: Not only the characters, but that ugly shack on the miserable plain, the ghost town and everything, are manifestations of the hate, evil, waste, and so on. How do you arrive at this 'pictorialization' when you embark on the actual work? How do you arrive at these tangible evocations of the mood and theme?

AM: Well, you do many things. You dramatize it by the juxtaposition of characters, putting them into situations that can drive them into that kind of a place. You know, you look for these places; you look for these things. Take Man From Lamarie. Out in the middle of a plain, a man is grabbed and his two arms are held and the gunmen are going to shoot his hand off. Well, it could have been done in many places, but, in the middle of this plain, it was frightening, because there was this beautiful expanse of country with all this evil going on in it. It's the juxtaposition of the very nature of the land, the very mountains, the very rivers, the very dust. All these you use to heighten the drama.

CW: You were saying about Telemark that you'd gone on location and found things and knew what was there, and implied that you might change things in the script to fit or at least enhance or clarify…

AM: Sure, there are many things that you come across - for instance, in the back of my mind, I had always thought for Roman Empire, I would love to do the death of Marcus Aurelius in the snow. One morning I woke up and it was really snowing. So I called everybody early and I got them up there and I said: 'I know it's freezing to death here, but we'll put you in warm tents and we're going to do this sequence all in the snow.' It was marvellous! Because it had a silence about it, a kind of majesty it wouldn't have had if it had been done on a sunny day or any other kind of a day.

CW: I really thought that was a marvellous film. You've revealed the madness of the world, the decline of the spirit

AM: Of course! (He pounds the table vehemently). That's all I wanted to dramatize. Now I guarantee you there is not one person that had read Gibbon. I guarantee you! From Bosley Crowther on down or up. And for them to start to say: 'This isn't Gibbon' - well this is a lot of crap! Because all we were trying to do was dramatize how an empire fell. Incest, buying an army, destroying the will of the people to speak through the senate, all these things, I can name 'em all, were in the film. And these were the seeds that led us to say at the end: 'This is the beginning'; we didn't say: 'This was the fall.' And they pounced on that and said that that was pompous for me to have said — well, it would've been pompous of me, if I hadn't said it. But you can't argue with these bums. They think they know it all. They said things weren't true. Well, it was historically exactly true. From the material that we got, Faustina had been playing around with all sorts of guys and, even though Marcus Aurelius loved her and built temples to her to protect her name, it was known throughout Rome that she had been having affairs with gladiators and so forth. So everybody starts to criticize us, because this isn't in the encyclopaedia. But this is all they do; they go to their source material, which is the encyclopaedia: no further.

CW: So how do you relate these facts to the process of making a narrative?

AM: Well, for instance, there was actually a man named Pertinax. And I didn't want to make the history so close that it would impair the film - you see, if you say everything is historical, then you don't have the liberty - but there was a man called Pertinax who was the next in line. We were originally going to call Livius, Pertinax, but we decided against it, because we didn't want to tie it down so closely. Marcus Aurelius was one of the students of Hadrian. There was a law that no emperor could accede through a succession. The emperor must chose and train three or four men to succeed him. Marcus Aurelius himself was trained and Antonius and quite a few others, during Hadrian's time. That Marcus Aurelius decreed that his empire was to be left to Carmodus has always been very doubtful history, because, knowing the emperor as well as everyone knew him, for him to have left it to his son was not possible. So there was always this mystery about whether he had been poisoned or not. So we used it. These were all part of the things I had read. Then they scream and claim it is not historically accurate. It had more truth in it than untruth. And we tried to make it all as modern as possible so that it could be related to any society; so that people would understand.

CW: And that lovely scene when Guinness is trying to fend off the voices of death…

AM: The guy in Newsweek asked what right I had to do that scene. I said: 'Are you kidding me? I have the right to do anything I please! That you don't like, it is something else again. I'm sorry for you; you don't know what I was trying to do. It's about a man who's preparing for death and isn't ready for death. A man who was preparing an empire and it isn't ready for him to leave it yet. This was the story. There was a real idea behind that scene. Not something just tossed away.

CW: And the same device is repeated with Sophia Loren, the only other character to understand.

AM: Right, she feels it and sees what is happening in the world and tries to scream it out. Well, it took a lot of guts to do it this way.

This interview originally appeared in a slightly different form in Positif.

in Screen - Volume 10, issue 4-5, pp. 32-54