Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Mann. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Michael Mann. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

2015



American Sniper, Eastwood;
Inherent Vice, Anderson;
Creed, Coogler;
Pasolini, Ferrara;
João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Eu Amei, Mozos;
Mia Madre, Moretti;
Blackhat, Mann;
Phoenix, Petzold;
The Homesman, Jones;
Mad Max: Fury Road, Miller;

*

quinta-feira, 25 de julho de 2013

APACHE DRUMS (1951)


É claro que Hugo Fregonese iria acabar por chegar aos olhos e às graças de Val Lewton. Prova-o a sequência nocturna de Saddle Tramp - como diz o Drew McIntosh aqui -, se não o provavam já as experiências estonteantes ainda na Argentina, Pampa bárbara e Apenas un delincuente, este último "peça tão poética, tocante e dinâmica como um mudo de Hitchcock ou de Walsh". Pois bem, não se anda nada longe disso, como não se anda longe das habilidades e minúcias de um Carpenter, dessa economia e desse saber raros de fazer tanto com tão pouco.

Posso martelar no óbvio e falar já do que Fregonese, Lewton e Charles P. Boyle fazem com a luz na sequência-final, na igreja cujas portas são a primeira coisa que vemos no filme, quando as forças exteriores e interiores se batem desigualmente e desalmadamente. Vinte ou menos minutos que são tempo bastante para um desenlace impossível de tão económico, para coreografias com velas, pistolas e cadeiras, para canções e percussões de guerra, para o breu e para os vermelhos de sangue a invadir as janelas altas tão altas que impedem qualquer defesa e para os terríveis tambores que fecham o espaço e matam aos poucos a esperança. Quando ela já não existe, Sally (Coleen Gray) pede a Sam Leeds (Stephen McNally) para dizer isso mesmo aos restantes e chegam ambos à conclusão que todos os outros hão-de querer "the truth", não há final feliz que desfaça esse desespero ou faça esquecer o ter-se ido tão longe. Que estejam índios do outro lado, não interessa, que este cerco é mais que universal. Receptáculo de todas as metáforas e de todos os medos...

É lá dentro também que se batem e resolvem conflitos antigos e que se fazem provas de valor merecedoras das quatro palavras, "This was a man", do reverendo irlandês do Arthur Shields de vários filmes de Ford. É de espaços tão pequenos, lotados e cercados como este, que nasce uma cidade e é daí que se lançam as sementes de uma sociedade. Depois de muito desespero, suor e sacrifício. Há as personagens serem estereótipos e há as personagens serem arquétipos, como aqui o são.

Já no anterior Saddle Tramp havia um desenlace ambíguo em relação ao destino do seu protagonista (nesse, Joel McCrea; neste, Stephen McNally), livre ou condenado a percorrer paisagens e talvez pensando sempre na frase que assombra o Neil McCauley/Robert de Niro do Heat de Michael Mann (revisto há pouquíssimo tempo e por isso, claro, aqui citado, que Mann não é estranho nenhum a estas andanças): "Don't let yourself get attached to anything you are not willing to walk out in 30 seconds flat if you feel the heat around the corner". Essa ambiguidade talvez seja resolvida em Harry Black, fabuloso filme com um Stewart Granger nos becos mais aguçados da angústia, em que também por uns momentos parece avistar-se porto seguro para lançar amarras. Mas aí tão depressa se avistam como se perdem de vista. Sobram outras coisas. Não tão seguras mas que chegam para passar os dias...

E diz-se "venham os próximos perigos e as próximas aventuras"...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

2004, 2004....


Ano de dois prodigiosos argumentos, pelos vistos: "Crash" e "Sideways": e se há coisas que eu goste menos que maus filmes, são filmes pretensiosos, coisas pequenas que se acham capazes de altos voos, filmes ultra-condescendentes... Argumentistas/realizadores, pois... (onde andam os herdeiros de Wilder e de Fuller na América? só há Paul Thomas Anderson?). Têm bons actores? Claro que sim, mas isso não chega, nunca chegou.
Nesse ano saiu "Spider Man 2" de Sam Raimi. É mau, mas gostei mais...

O Scorsese, o Lee (Spike) e o Mann resolveram fazer os seus piores filmes nesse ano: "Collateral", "The Aviator" e "She Hate Me" (não os acho maus, atenção!), o Depp e o Foxx fizeram grandes papéis em péssimos filmes ("Neverland" e "Ray"), o Pitt lutou contra os troianos e o Damon contra todos em Supremacia, o Nichols e o Jeunet brindaram-nos com mais dos seus filmes de autor (o Ed Wood é mais autor que eles juntos), e claro!, veio o filme do "twist" por excelência: "Saw".

Mas nem tudo foi mau, e nos Óscares ganhou (coisa rara) aquele que era, de facto, o melhor dos nomeados: "Million Dollar Baby". Houve "The Terminal" de Steven Spielberg (homenagem a Tati e Lewis, ao mesmo tempo) e "Hotel Rwanda" de Terry George (e preferia que tivesse sido Cheadle a ganhar o Óscar, não Foxx). Adorei "La Demoiselle d`Honneur" de Chabrol, "Before Sunset" de Linklater e gostei do "2046".

Mas, acima de tudo, 2004 é o ano de uma obra nuclear do Cinema Português, "O Quinto Império". O subtítulo é "Ontem Como Hoje" e é o filme onde Paredes, Camões, Pessoa, Régio e Oliveira se encontram, onde o povo português se encontra a si mesmo, através da figura de D. Sebastião... Oliveira, no Presente ("Ontem como HOJE"), pensa, analisa o Passado, com olhos postos no Futuro... Teatro filmado ou Cinema encenado... A confirmação de Oliveira como um verdadeiro cineasta da Palavra (Rivette, Dreyer).
É o melhor filme de 2004, e um dos melhores do seu autor...


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"Public Enemies" - 2009



Melhor filme de 2009, junto com Singularidades de Uma Rapariga Loura, de Manoel de Oliveira.

É verdade que está um pouco abaixo de outros filmes do realizador (Heat, Miami Vice), mas ele é dos poucos que consegue dar credibilidade ao "blockbuster" hoje em dia. E ninguém mais em Hollywood consegue filmar tiroteios assim. Johnny Depp, Christian Bale e Marion Cotillard com interpretações magníficas.

Os dois lados da lei numa batalha complexa em termos morais como já tínhamos visto em Heat. Os momentos de reflexão, os dilemas, as preocupações. Todos no filme são pessoas, não há condescendências, nada é a preto e branco.

Mann filmou em digital e em vários dos locais em que Dillinger esteve, para a impressão de realismo e de facto resultou, estamos nos anos 30 e não num filme sobre os anos 30. Há várias referências a filmes do mesmo género: Dillinger vê Manhattan Melodrama com Clark Gable (naquela que é uma cena perfeitamente inadjectivável) e há referências a White Heat de Raoul Walsh, Scarface de Howard Hawks e claro, The Public Enemy de William A. Wellman.

A Academia aumentou o número de nomeados este ano. Esperemos que o tenha feito para assim nomear este filme e outros que não estreiam na "temporada óscar".

Grande filme de Michael Mann.

E aquele final é qualquer coisa....