Com o anúncio da contratação dos cinco da meia-noite para a RTP1, o segundo canal programa cinco filmes de 2 a 6 de Abril, voltando portanto o "Cinco Noites, Cinco Filmes". Junto-me assim ao Luís e ao Miguel nas celebrações, com a esperança que os ciclos continuem e a acreditar que é a desenvolver, promover e apoiar causas destas que as coisas mudam.
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domingo, 25 de março de 2012
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Petição (VI)*
Os homens pequenos
Quando são demais
Não fazem por menos
Tornam-se fatais
José Mário Branco
Quando são demais
Não fazem por menos
Tornam-se fatais
José Mário Branco
Como é que é possível ver cinema em Portugal, como é que é possível cimentar um "gosto", seja ele qual for, a ver televisão e a ir ao cinema em Portugal? Como é que é possível fazer cinema em Portugal, assim? É ver o director da RTP2, e perceber que se calhar não é possível, quando defende a programação pelo público infantil, sem lhe passar pela cabeça de que há mil e uma maneiras mais interessantes de o educar e entreter que não aquela; a defender a exibição de séries pelo tempo que têm, ou seja, pela economia temporal, sem lhe passar pela cabeça que há filmes tão ou menos curtos que um episódio dessas séries, é só procurar um bocadinho.
Não é um problema só da RTP, obviamente. É uma mentalidade conjunta, (os tais homem pequenos que se tornam fatais) a nossa, a de que nenhuma acção ou palavra conta, é o deixar correr, que descamba nisto, não se sabe bem como. Porque
"Nenhuma organização, instituição privada ou pública nos ajudou ou quis colaborar de forma expressa e substancial nesta causa"
Vamos ver o Doctor Zhivago e o Ryan's Daughter mil e uma vezes na RTP (penso que entre os vários canais da RTP, passaram perto de dez vezes em 2 anos, cada um) e em 4 por 3, vamos pensar que há uma oferta cultural naquele canal, vamos pensar que este país dá um pentelho pela sua cultura. Pensar que está tudo bem, que tudo se resolve por si, eventualmente. Que o dinheiro vai chegar, que os empregos vão chegar. Como é que fala de classes e de gerações, neste país, se não se tem a mais pequena noção de cidadania e comunidade? Não é possível ter sonhos, ambições, numa sociedade que não os alimente nem os tente incentivar, que nos diz que basta algum conforto e dinheiro para dar sentido à vida. Em tempos de crises várias, de chacota, de desprezo, de desdém, é preciso mais que debates e futebol, é preciso mais que isto. É preciso pensar que com os meios que temos ao nosso dispôr, através dos nossos cargos, "tempo de antena", podemos dar alguma esperança às pessoas, podemos dar-lhes as armas mais poderosas do mundo, a de ver e pensar as coisas de outra maneira, de várias maneiras, a de ser assertivo, compreensivo, em relação ao mundo, a de perceber, precisamente, que há um MUNDO fora deste microíssimo-cosmos de novelas políticas e futebolísticas. É possível ver o caos da vida passar-nos harmoniosamente ordenado à frente dos nossos olhos, a assistir a filmes do Mizoguchi, a ouvir canções dos Beatles, a assistir a interpretações da Nona, dos concertos de Rachmaninoff, e fazer passar algo disso para a forma como vivemos as nossas vidas...
Não é um problema só da RTP, obviamente. É uma mentalidade conjunta, (os tais homem pequenos que se tornam fatais) a nossa, a de que nenhuma acção ou palavra conta, é o deixar correr, que descamba nisto, não se sabe bem como. Porque
"Nenhuma organização, instituição privada ou pública nos ajudou ou quis colaborar de forma expressa e substancial nesta causa"
Vamos ver o Doctor Zhivago e o Ryan's Daughter mil e uma vezes na RTP (penso que entre os vários canais da RTP, passaram perto de dez vezes em 2 anos, cada um) e em 4 por 3, vamos pensar que há uma oferta cultural naquele canal, vamos pensar que este país dá um pentelho pela sua cultura. Pensar que está tudo bem, que tudo se resolve por si, eventualmente. Que o dinheiro vai chegar, que os empregos vão chegar. Como é que fala de classes e de gerações, neste país, se não se tem a mais pequena noção de cidadania e comunidade? Não é possível ter sonhos, ambições, numa sociedade que não os alimente nem os tente incentivar, que nos diz que basta algum conforto e dinheiro para dar sentido à vida. Em tempos de crises várias, de chacota, de desprezo, de desdém, é preciso mais que debates e futebol, é preciso mais que isto. É preciso pensar que com os meios que temos ao nosso dispôr, através dos nossos cargos, "tempo de antena", podemos dar alguma esperança às pessoas, podemos dar-lhes as armas mais poderosas do mundo, a de ver e pensar as coisas de outra maneira, de várias maneiras, a de ser assertivo, compreensivo, em relação ao mundo, a de perceber, precisamente, que há um MUNDO fora deste microíssimo-cosmos de novelas políticas e futebolísticas. É possível ver o caos da vida passar-nos harmoniosamente ordenado à frente dos nossos olhos, a assistir a filmes do Mizoguchi, a ouvir canções dos Beatles, a assistir a interpretações da Nona, dos concertos de Rachmaninoff, e fazer passar algo disso para a forma como vivemos as nossas vidas...
Grande parte dos maiores intérpretes, dos talentos, deste país ou estão nas ruas ou são silenciados, de uma forma ou outra. Criticam e ficam porque amam o testamento cultural lusitano, querem mudar isto. E quem ama o cinema e não tem como o ver como deve ser, está fadado a vê-lo em portáteis, nem sempre nas condições que devia, e a falar sobre ele em blogs, a partilhá-lo assim na esperança de que alguém o veja, nesse processo.
Por fim, e até ver (espero que não seja verdade), é triste que a vontade de 3000 pessoas e o esforço do Luís, do Miguel, do Ricardo, do Carlos e do resto do grupo (eu incluído) não consiga abalar minimamente a direcção da RTP2.
terça-feira, 5 de julho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
2ª série dos Planos (VIII)
Uma vez por semana, convido bloggers a escolher um plano e a falar, também, sobre ele. O oitavo convidado é o Luís Mendonça, do CINEdrio, que escolheu o fabuloso plano de abertura de Halloween, de John Carpenter.
"Não vou ser subtil na minha escolha. Se há filme que sabe converter em performance o perverso jogo entre a objectividade vs. a subjectividade cinematográficas então esse filme é "Halloween", magistral exercício de câmara de Carpenter. Cá está um filme "pensado em planos", que vive de uma estrutura ("conceptualizante") assente no que é mostrado dentro e fora da perspectiva de Myers, até ao ponto crítico em que o dentro (subjectivo) e o fora (objectivo) se anulam mutuamente perante a ausência da imagem estável do corpo do vilão ou de um rosto que "humanize" o mal - é isso que procuramos ao longo de todo o filme, como, desde logo, durante este enorme plano-sequência. Esta tensão - entre o eu de Myers, o eu da objectiva e o eu-eu espectador - é a primeira e a última agressão fenomenal da obra-prima de Carpenter." (Luís Mendonça)
O próximo convidado é o Filipe Coutinho.
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