sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um desabafo...


Mas o que é que se passa, caralho? Desde quando é que criticar um filme se tornou insultar alguém? O post é um desabafo, não é um ataque nem, penso eu, um resumo da verdade do que é ser um cinéfilo.. E aquilo só parece um debate porque se tornou uma troca de insultos entre pessoas que, julgo eu, não se conhecem, nem sequer se querem dar a conhecer (anónimos, nicks).

Depois confunde-se liberdade com estupidez, ou seja, o comentador é livre, tem de ser livre, repete-se inúmeras vezes (o post tem mais de 60 comentários), de insultar o autor de um blogue, no seu blogue. O autor tem de publicar esse insulto, senão voltamos aos tempos do Salazar (que coisa tão batida e idiota, por amor de deus - até desperta o católico que há em mim). O autor de um blogue, no seu blogue, faz o que bem lhe apetecer e por sua conta e risco..

Que não se use a blogoesfera (que para mim ainda é um óptimo contexto ou local para trocar ideias, debater e argumentar), para curar frustrações a um nível de impessoalidade tremendo e nojento. Que se discorde e se discuta, sim, mas que se compreenda, escrevendo e lendo, de acordo..

O que é ser cinéfilo? É ver e adorar ver Cinema.. É Visconti à noite com um copo de vinho branco, Hawks à tarde com amigos, uma tarde no cinema do shopping com alguém especial, que nunca é inútil, nem sequer em termos de Cinema, Carpenter, Russ Meyer (eheh) e Cronenberg de madrugada, Tati e Ozu em família, Ford e Ray como quem olha para um altar, César Monteiro para um refúgio intelectual, social, político, o tal pensar em porque pensamos como pensamos, mas é tudo pouco, é tudo pouco e redutor.

Mais do que tudo, e porque há muito egoísmo naquela caixa de comentários, ser cinéfilo é avaliar filmes não só por nós, mas por todos, o gosto universal de que um certo filósofo falava, pensar que preenchemos ou atingimos um certo patamar ético, por simplesmente gostar de um filme. Adorar um filme pode, e deve, ser uma coisa iminentemente altruísta. Complexa, também...


7 comentários:

Álvaro Martins disse...

Se queres que te diga João, já me estou a cagar para toda esta nojice. Quem quiser falar de cinema comigo está à vontade, agora aquela conversa a que chamam de debate onde só fica patente a falta de cultura e de civismo de todos aqueles personagens não obrigado. Aliás, o post (o do meu blog) não tem comentários por alguma razão. O post é forte (injusto para alguns mas justo relativamente a outros), e é isso mesmo, um desabafo ao qual tem de se dar a importância relativa dum desabafo, mais nada. Não é nenhuma verdade absoluta, é uma opinião minha que vem do seguimento do que bem se sabe. O resto, aquela caixa de comentários, nem sei como a classificar.

João Palhares disse...

Desculpa lá, pensei que tinham sido várias pessoas a escrever e a voltar atrás. Já o apaguei. Mas chegou-se a um limite, quer dizer, as pessoas acham que discutir é insultar e tentar "despir" o outro, seja ele quem for, de dignidade. Antagonismo sem razão aparente. Diz-se Ozu, Tarkovsky e Tati e respondem-te "para o caralho", protegidos pela barreira do computador. Porque se não fosse pelo computador, não diziam estas barbaridades...

Álvaro Martins disse...

Não faz mal João, não és adivinho ;)

É isso mesmo João. Mas a culpa é minha que ainda penso que se pode conversar com certas pessoas. Que brutinho sou!

João Gonçalves disse...

Acho que isto foi longe demais. Por mim é para esquecer e não comento nem mais uma palavra naquele local.

Gostei do teu texto João. Concordo a 100% com ele.

Ricardo Martins disse...

Eu dei o nome de debate no meu blog, mesmo sabendo que aquilo que estava a suceder no cinemanotebook era mais um lavar de roupa suja do que um debate.

Chamei ironicamente aquilo de debate, pois está ali cristalizada de forma marcante a rivalidade entre os bloggers portugueses, e a sua pura e simples incapacidade de união.

Aposto que, a esta hora, os críticos dos jornais se devem estar a rir à pala daquele post e daquelas guerras infantis.

Abraço

Luís Mendonça disse...

Olha que ver Russ Meyer em família é que tinha a sua graça! ehehhe

João Palhares disse...

Aquelas guerras são, de facto, infantis, e é pena que na blogoesfera aconteçam coisas assim.

Russ Meyer em família tinha realmente piada, eheh. Curiosamente, vi três filmes do Russ Meyer no canal ARTE. Os três únicos que vi, aliás. Depois revi o Faster Pussycat, Kill, Kill!

Abraços