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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

LES GIRLS (1957)


por João Bénard da Costa

Como se disse que The Wrong Man de Hitchcock (aliás, um filme do mesmo glorioso ano de 57) parecia uma obra feita expressamente para comprovar as teorias críticas que a geração dos Cahiers tinha utilizado como chave da sua obra, pode dizer-se que Les Girls parece um filme feito por Cukor expressamente para comprovar teorias críticas que a mesma geração e os mesmos tinham utilizado para o consagrar como Autor. 

Releia-se o sintético parágrafo que Comolli lhe consagrou, nas páginas dos Cahiers: "O desejo destrói o seu objecto, é a regra do jogo. Cineasta do inferno das mulheres, Cukor fá-las passar primeiro pelo paraíso que não é melhor. Misoginia? Nunca. Plena utilização da natureza no artifício. Ternura extrema que só atinge a mulher no seu cerne, para lho restituir. Mais do que uma aprendizagem da vida, o que Cukor impõe às suas personagens é uma educação do amor. Tudo lhes serve de lição: mentiras, verdades, apresentações e representações. Mas o instrumento priviligiado é o cinema". Ou releia-se o que mais constantemente se diz de Cukor: "Cineasta das mulheres", "mestre da mise-en-scène", "gosto fabuloso", "ímpar domínio da linguagem cinematográfica". Ou ainda (perdoem-me a auto-citação) o que sobre ele escrevi em 1981: "todos os seus filmes são filmes sobre décors, actores, imagens falsas. A célebre interrogação sobre as fronteiras entre a comédia e a vida, entre a representação e a apresentação, entre a ilusão e o real, é levado ao paroxismo numa arte que exige, como Katherine Hepburn diz no assombroso The Philadelphia Story, 'complete surrender'. Não são apenas os seus personagens que vivem todos uma dupla vida (títulos aliás de um dos seus filmes) são também as suas histórias que vivem sempre em duas dimensões e os seus actores que sempre adquirem novas aparências (...) O cinema de Cukor é uma floresta de enganos. Se esta arte teve o seu Calderon, ele chamou-se George Cukor". Relendo tudo isso e vendo este assombroso filme, Les Girls parece feito para lhes (ou nos) dar razão. Provavelmente, nunca tal intenção passou pela cabeça de Cukor: é só mais um filme dele, na plena coerência com um universo pessoal, que teve aqui (como em tantos outros filmes) "apenas" uma das suas expressões cimeiras.

Mas repare-se num catálogo de maravilhas: no cast só há uma celebridade que é um homem chamado Gene Kelly. Mas alguém terá dúvidas que Kelly (cujo ponto de vista, afinal, predomina) é apagado e afogado pela trindade das girls, essas fabulosas Kay Kendall, Taina Elg e Mitzi Gaynor? Da primeira, ainda se pode dizer que na sua efémera carreira (a actriz morreu aos 33 anos, em 1959) foi fabulosa em tudo quanto fez nos últimos anos da sua vida (e recordo The Reluctant Debutante de Minnelli, em 58, ou Once More with Feeling de Stanley Donen, estreado em 60, já ela tinha morrido). Mas Taina Elg (vinda do Sadler's Wells e do Marquês de Cuevas) quem foi ou o que fez, antes ou depois? Meia-dúzia de "coisas" que justamente merecem meia-dúzia de linhas em dicionários de cinema mais exaustivos. E aqui, meu Deus, é absolutamente genial, quer enquanto pontua a história de Kay Kendall, quer enquanto faz o seu depoimento. Vejam-na no seu passeio com Kelly ("Angele have a lot of rehearsals"), no encontro com o namorado, futuro marido ("she was very afraid of men - Now, she is more courageous") como nurse no hospital, na sequência do "ding-dang-dong", deitada no sofá com Kelly (e só Cukor conseguiria fintar o código com tal posição mútua), quando canta ("tigresse") "Ça c'est l'Amour" ou de laço azul na cabeça (os outros têm-nos no rabo) no inadjecivável "Ladies in Waiting", a esconder-se do "tio de La Porte". E, depois, na cena conjugal (o pormenor do relógio), no início do depoimento (o chapéu), a "cobrir" a genial bebedeira de Kendall (a da Carmen) e não posso continuar por aí fora, se não não parava e era injusto para Key Kendall.

E Mitzi Gaynor que no ano seguinte afundou o South Pacific de Logan e a carreira com ele? Repara-se talvez menos nela que nas outras duas, mas é contraponto essencial, até (e sobretudo) porque é ela quem dá a voz a Kelly. E já que vem a propósito, não resisto, desde já, a sublinhar, tão fabulosa inversão de "racontos" e expectativas. Ouvimos o depoimento de Kay Kendall (Lady Sybil Wren, naquela voz incrível, herdada e imitada de Joan Greenwood, a voz mais sexy do cinema); ouvimos o de Taina Elg: quando já sorrimos à espera da terceira testemunha (sem duvidar que seja a terceira das girls), em vez de Mitzi Gaynor, surge Gene Kelly, porque, para convencer tais juízes, só um homem pode mentir mais do que duas mulheres.

E era de mulheres (ainda e só) que eu estava a falar. Onde está o inferno delas, ou o seu paraíso, na expressão de Comolli? Em Paris, e no teatro, quando viviam juntas, candidatas a Kelly e a enredá-lo na sua rede (como no prodigioso bailado de Kelly e Elg, obviamente inspirado nas coreografias de Martha Graham?) Ou quando se casaram, uma com um Lord, outra com um ingénuo francês e a terceira com Kelly, a tudo e todos enganando? ("e nunca mais nos vimos depois daquele dia"). Mentiras, verdades, apresentações, representações. No fim de cada depoimento, ergue-se o cartaz "What is Truth?" mas o cúmulo da astúcia de Cukor é que nenhuma narração contradiz as outras e todas se contradizem umas às outras. Ou seja, é tão possível que a "verdade" seja o depoimento de Kay Kendall, mais o de Taina Elg, mais o de Gene Kelly, como todos sejam identicamente mentirosos e deturpados. E nem ri melhor quem ri no fim. O plano, no carro, de Gene Kelly e Mitzi Gaynor é assaz significativo sobre a "floresta de enganos".

Afinal de contas, só era preciso que os dois maridos acreditassem e que a acusação mais grave - a de tentativa de suicídio - se dissolvesse na fuga de gás.  Ninguém tem peau d'ange (ou só tem essa peau) e nem sequer foi Kelly quem enganou Mitzi Gaynor, com o suposto ataque cardíaco. Tudo na mise-en-scène sublinha que era efectivamente ela quem o não queria "so much excited". Como Kay Kendall ou Taina Elg, ao seu lord ou ao seu francês. De tudo aquilo, a verdade (e até essa sê-lo-á?) é que era primavera, que viveram juntas, que foram girls (antes de serem outras coisas) e que são femmes (ou seja, "infames" para utilizar o trocadilho de Godard).

Les Girls foi comparado, por muitos críticos, ao célebre Rashomon de Kurosawa, onde também havia flashbacks e várias versões da mesma história. Não lhes vejo qualquer outra semelhança, pois que o jogo com a verdade (e com a mentira) é aqui de raiz inteiramente diversa e não é casual que tudo se refira ao teatro (à ilusão cénica) e ao tribunal (a ilusão do "nothing but the truth").

Também, como musical, muito boa gente lhe torceu o nariz, achando que Gene Kelly era mal aproveitado ("et pour cause", digo eu) e que o argumento de John Patrick não se combina bem com as canções de Cole Porter, que teria sido mal servido (esta foi, aliás, a última partitura de Porter). O próprio Cukor disse, um dia, não se considerar um realizador de musicais como Minnelli ou Stanley Donen. Até acho que tinha razão, porque a origem da magia em Les Girls (que, à excepção de My Fair Lady, é o seu filme mais enquadrável no género) é doutra ordem, que tem que ver sobretudo com o espaço da ilusão como cinema e com o teatro como tempo dessa mesma ilusão. Mas, como ele próprio notou, se o "musical" é o género anti-realista por excelência trata-se de elevar a ficção à sua potência mais absoluta. Como cada girl tem uma cor (cor que depois domina os três flashbacks do filme, de acordo com a que para cada uma delas escolheu) cada verso tem um reverso e vice-versa, até ao infinito. Podemos sonhar, por exemplo, com um outro flashback, contado por aquela espantosa e pavoneante loura que Gene Kelly despacha tão depressa no início. Ou pelo espanhol do comboio. Ou pela bailarina dos flamengos. Todos teriam muito contar. Afinal de contas não há na dança, como no amor, inúmeras posições possíveis? É disso - esplendor da mise-en-scène - que Les Girls  também fala, ocultando tanto quanto mostra na genial elipse em torno da qual é construído.

Por mim, continuo - e cada vez mais - perdidamente apaixonado por estas Girls. They Are Just ... Digamos, "too too".

in FOLHAS DA CINEMATECA - George Cukor

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 6



Nos anos 60, deixámos Hollywood para ver as prodigiosas propostas francesas no que ao Musical dizem respeito. Regressando à América nos anos 70, a coisa está diferente, muito diferente. O declínio dos estúdios americanos que começou no final dos anos 40 e acabou no princípio dos anos 60, mudou por completo o sistema de trabalho em Hollywood. Começou por "cortes" na distribuição, para permitir a estreia de filmes estrangeiros, passou pela completa banalidade dos argumentos duma forma geral, e claro, nos anos 50 e 60, o CINEMA passou a ter a televisão como adversário - a televisão ganhou.

E é curioso constatar que os três próximos Musicais são , de uma maneira ou outra, uma ode ao sistema de estúdios e à época de ouro do Musical (da escolha de filmar em estúdios, ao ecrã 4/3 do cinema clássico, passando pelo amor pela coreografia), sem por isso deixarem de ser eminentemente modernos (e cada um o é à sua maneira). Nostálgicos e utópicos.

1977. Martin Scorsese faz o seu primeiro e único Musical. Tendo Liza Minnelli como vedeta, Scorsese marca já uma filiação com o Musical da Golden Age (Vincente Minnelli, Judy Garland são pais de Liza), e Robert de Niro acrescenta um realismo demolidor ao filme. E é precisamente esta dualidade que interessa a Scorsese:
"I was trying to deal with what I knew to be the underlying emotional truth (...) I was experiencing in the theatres as a child from the screen into the reality I knew in the foreground of the picture, which was a style that I felt more confortable with, that was coming right out of Elia Kazan working with actors, and John Cassavetes (...) I wanted to put the two styles together: the artifice and the truth."
Martin Scorsese

E "New York, New York" é isso mesmo, uma tentativa de conjugar duas ideologias de trabalho e de concepção fílmica, à partida, incompatíveis, mas que faz ,para o filme, todo o sentido. O artificialismo dos décors vs. a vericidade das emoções, a artificialidade da técnica (iluminação, som) vs. o uso da improvisação. Minnelli vs. Kazan.
Uma carta de amor ao Cinema de Vincente Minnelli, principalmente, mas também (e através do filme dentro do filme - "Happy Endings") a todo o cinema Musical ("Singin In The Rain", "A Star is Born"), quanto mais não seja, por ser praticamente todo filmado em estúdio.
O filme acabou por marcar a vida profissional de Scorsese. O facto de não ter um "happy ending" e outras coisas, fizeram com que o filme fosse um fracasso. Deixou Scorsese profundamente deprimido (artística e emocionalmente), antes do regresso, 3 anos depois, com a sua OBRA-PRIMA, "Raging Bull".
Mas o Musical na Nova Hollywood está sempre associado à desgraça (seja fora ou dentro dos filmes).


Em 1979, há um novo Musical. "All That Jazz" de Bob Fosse. Venceu a Palma de Ouro em Cannes, e é o melhor filme do seu realizador (obra-prima? - talvez). É também o melhor dos Musicais da Nova Hollywood (se bem que Fosse não faça parte da "trupe"). Filme testamento, reflexo do mundo do Espectáculo, auto-retrato. A vida e a morte de Fosse em filme.

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1982 é o ano de "One From The Heart", que por grande lapso, me esqueci de incluir aqui. Visão utópica do Amor e também do Cinema. Filme que marca Coppola como um verdadeiro visionário. Porque o método de trabalho é , quase, o que se pratica hoje em dia. Blue screens e ideologia digital, em 1982. Só que demorou mais de 15 anos a vingar na Indústria e este filme é um verdadeiro "ovni" do Cinema Americano. Fez menos de um milhão de dólares, e custou mais de 20. Coppola passou 7 anos a pagar dívidas com filmes (7 também).
Filmado inteiramente em estúdio (como "Brigadoon"), na sede da Zoetrope, o filme foi feito em ambiente familiar, e teve como consultor (não creditado) Gene Kelly. Coppola como grande experimentalista, e sobretudo, como grande teórico do processo fílmico:
"A minha sensação era que o meu trabalho, iria centrar-se mais numa zona em que pudesse controlar os elementos do drama, para que, em vez de nos sentarmos numa esquina, durante horas à espera que a luz fosse certa, trabalhássemos num novo tipo de Cinema, mais teatral, sendo capazes de controlar todos os elementos do filme."
Francis ford Coppola

Planeado ao pormenor por Coppola, o filme é encenado meticulosamente. É, também, objecto de estudo, inserido na ideologia do Cinema Digital: o plano deixa de ser a unidade mínima do filme, é a cena; e o trabalho de pós-produção não existe, ou melhor, é inserido no da produção: montagem e realização são uma e a mesma coisa.



Little Boy Blue, come blow your horn
The dish ran away with the spoon
Home again, home again Saturday morn
He never gets up before noon

Well, she used to render you legal and tender
When you used to send her your promises, boy
A diller, a dollar, unbutton your collar
And come out and holler out all of your noise


Hinos à ideologia do sistema de estúdios, estes Musicais foram os últimos dos seus realizadores, anunciando a morte lenta do género (sim, porque vai haver mais dois posts), e deixando neles marcas profundas...

Fim da 6ª Parte

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 5



Para encontrar grandes Musicais a partir de 1960 (ano de "Bells are Ringing"), é preciso sair da América, mudar de Continente. Se bem que haja coisas interessantes: por todas as suas falhas (e são muitas), "Marry Poppins" (Robert Stevenson), "My Fair Lady" (Cukor) e Finian`s Rainbow (Coppola) têm algum interesse, mas o penúltimo filme de Vincente Minnelli (mais uma vez Minnelli) e último Musical "On a Clear Day You Can See Forever" de 1970 é para mim mais bem conseguido que qualquer um dos outros. E é o pior filme dele. Sobre Wise e os seus Musicais, já disse tudo aqui.


Europa, França, 1961. Godard e Anna Karina na terceira longa metragem do primeiro, e no primeiro e único Musical de ambos: "Une Femme est une Femme". Jean-Paul Belmondo e Jean-Claude Brialy completam o elenco. Musical? Pois, também passa por aí, mas é antes disso um profundo estudo sobre as relações entre os homens e as mulheres, uma comédia ao estilo de Lubitsch e uma ode à Mulher ou a uma mulher (Karina).
É um sem fim de referências e citações ( Truffaut, o próprio Godard, "Vera Cruz" de Robert Aldrich....), um Musical adulto, uma reinvenção (os mesmos motivos, mas sob uma nova perspectiva) e um Musical realista (ou neo-realista nas palavras do próprio Godard). É também um prodígio da montagem e da encenação. E aquele scope é a todos os níveis magnífico.
A música é de Michel Legrand, também autor da Música dos dois próximos Musicais e um dos maiores nomes do Musical em França. O maior é o realizador desses dois filmes.


Jacques Demy. Rei do Musical em França e merecedor de menção junto aos dois grandes do Musical de Hollywood. Detentor de uma mágica filmografia e interligada (não só em termos temáticos, mas no que aos personagens diz respeito, como a de Tarantino) É o mundo maravilhoso de Jacques Demy, um mundo à parte. O mundo de um verdadeiro autor.

"I'm trying to create a world in my films."
Jacques Demy

1964, "Les Parapluies de Cherbourg". É um filme maravilhoso, melancólico também, o relato de um amor impossível, e se houve muitos no Cinema, não se pode dizer o mesmo para o Musical em particular. Inovação, portanto. Mas ela não acaba aqui: o filme é todo cantado (do princípio ao fim) e a mais normal das actividades torna-se na mais mágica das actividades, o banal torna-se excepcional e o normal, maravilhoso. As cores são saturadas ao limite, contribuindo para toda a atmosfera de sublime, e por falar em sublime: Catherine Deneuve. Nunca ela foi tão bela como quando trabalhou com Demy, o poeta do sonho.
O filme arrecadou a Palme D`Or no Festival De Cannes e é já um brilhante prenúncio da enorme maravilha que se seguirá 3 anos depois na obra de Demy.


1967. Ano da enorme maravilha que dá pelo nome de "Les Demoiselles de Rochefort". Com este filme - uma obra-prima - Demy desenha o mais belo dos Musicais e dos filmes. Se em "Parapluies" a Vida é um Musical (como em todos os musicais), aqui o Musical é a Vida, é a única maneira de viver, de comunicar. É uma demanda espiritual, vem de dentro de todos nós.
Demy tomou de assalto uma cidade (Rochefort), resgatou uma estrela que estava nesta altura em declínio (Gene Kelly) e construiu a mais fabulosa das fantasias, uma obra perfeitamente doutro mundo ("Parapluies" ainda tinha contactos com a realidade) e achava que só Tati era capaz de tal desprendimento da realidade, Minnelli também. Estava enganado.
A sequência de abertura é o pico da coreografia cinematográfica e a mais perfeita introdução a um filme, a passagem para Rochefort, para Demy. Toda a gente tem a sua cara metade, e Rochefort é o centro, o cruzamento de todo o Amor e de toda a Vida.
Catherine Deneuve de novo, aqui junto à sua irmã Françoise Dorléak, Gene Kelly, Michel Piccoli, George Chakiris e Jacques Perrin, todos em perfeita sintonia neste épico dos encontros e dos desencontros. Perfeito.


"Tu es née d'un rêve, d'un trait de couleur,
Un bout d'arc en ciel s'est posé sur mon coeur
Je t'imaginais, tu vivais en moi
Soudain tu parais, je m'approche, je te vois
On s'est retrouvés, on s'est reconnus
Quand toi et moi on ne s'était jamais vus
Comme si le hasard qui guidait nos pas
Me menait vers toi, te conduisait vers moi
Je t'aime, je t'aime, je t'aime depuis toujours
Tu es la seule
Ma seule chanson d'amou"

Fim da 5ª Parte

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Uma Viagem Pelo Musical - 3

1ªParte 2ªParte

Stanley Donen


Stanley Donen não é um realizador que eu aprecie tanto como Vincente Minnelli, e provavelmente estou a ser injusto (faltam-me ver ainda muitos filmes dele - o tempo dirá) mas não o acho um cineasta tão completo como Minnelli.
Vi 5 dos 27 filmes que ele realizou (de Minneli foram 19 - faltam 14!) e portanto nem os devia estar a comparar.
5 filmes, então: "On The Town" (co-realizado com Gene Kelly), "Royal Wedding", "Singin In The Rain" (mais uma vez co-realizado com Gene Kelly), "Funny Face" e "Charade". Este último não é um Musical, e portanto não o irei analisar. É um óptimo filme ainda assim, uma muito divertida e inventiva homenagem a Alfred Hitchcock .

"On The Town" - 1949


"Royal Wedding" - 1951


"Singin In The Rain" - 1952


"Funny Face" - 1957

First things first: Donen tinha trabalhado com Gene Kelly em "Anchors Aweigh" como coreógrafo e parece que ambos merecem mais crédito pelo resultado do filme que o próprio George Sidney, o realizador ("O Musical" de João Bénad da Costa). "Anchors Aweigh" e "On The Town" (primeiro filme de Donen e Kelly) são aliás muito parecidos.
"On The Town" é um grande filme. Não será tão bom como "Singin In The Rain" mas é já uma amostra, (e uma brilhante amostra, verdade seja dita) daquilo que a dupla Kelly/Donen era capaz de fazer. De "New York, New York" a "Come Up To My Place" todos os números musicais são memoráveis.

New York, New York, a helluva town.
The Bronx is up, but the Battery's down.
The people ride in a hole in the groun'.
New York, New York, it's a helluva town!!



"Royal Wedding" é um filme menor. Mas inventivo e sedutor, ainda assim. No primeiro filme a solo, Donen não superou nem igualou o que tinha feito com Kelly e o filme não é uma viagem alucinante como "On The Town" (dando a ideia que Donen sem Kelly não faz grandes filmes), mas tem os seus momentos. Um que merece destaque é este, um número já clássico, Fred Astaire a dançar no tecto em plano sequência!!:




Para "Singin In The Rain" (segundo musical da dupla) não há palavras. É O Musical: Nunca o Espectáculo e a Sátira se uniram de forma tão sedutora e mágica como em "Serenata à Chuva".Gene Kelly, Donald O`Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen e Cyd Charise (ainda que por pouco tempo, a sua aparição no filme é inesquecível - rivaliza com o resto do elenco) ... É um filme que fica com as pessoas, pessoas essas que o acompanham do início ao fim sem uma queixa que seja: Porque "Singin In the Rain é o mais perfeito dos Musicais, porque todos os Musicais a este filme se comparam (e há alguns que o igualam, mas o filme tornou-se o termo de comparação para todo o Musical, e ganha por isso mesmo). Todo o filme é memorável, não há pausas e é de visionamento obrigatório.




Em 1957, veio "Funny Face", muito bom filme, quase tanto como "On The Town", e se eu dei o benefício da dúvida a Donen, foi por causa deste filme. É para Paris, o que "On The Town" foi para Nova Iorque. Se Donen é um autor (a ver vamos), a sua marca só pode ser esta: A exploração do Trio em Cinema, as relações, os laços dentro de um grupo de três pessoas:


Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin


Betty Garret, Ann Miller e Vera Ellen


Donald O`Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly

Kay Thompson, Fred Astaire e Audrey Hepburn

Fim da 3ª Parte